Riquezas de Pernambuco: Como a apicultura transformou a economia do Sertão de Pernambuco
De alternativa à crise do algodão a potência estadual, a produção de mel na região responde por 80% do volume no estado de Pernambuco
Clique aqui e escute a matéria
A região do Sertão do Araripe, em Pernambuco, encontrou na apicultura a sua grande vocação econômica após pragas devastarem as plantações de algodão na década de 1980. Enxergando nas abelhas uma nova oportunidade de renda, os produtores locais adaptaram a atividade às características naturais da Caatinga. Apesar de enfrentar de seis a sete meses de estiagem, o bioma demonstrou grande resiliência, conseguindo florar em todos os meses do ano e garantindo alimento abundante para os insetos. O sucesso da adaptação foi tamanho que, hoje, a região produz 80% do mel do estado de Pernambuco.
A partir dos anos 2000, o setor ganhou ainda mais força com a regularização e o aperfeiçoamento das técnicas de manejo. Uma mudança significativa no perfil da produção é a crescente liderança feminina. No município de Parnamirim, na Fazenda Floresta, um coletivo reúne mulheres apicultoras de 16 a 74 anos, transformando uma atividade que antes era predominantemente masculina. Elas trouxeram uma nova visão de negócios, impulsionando a fabricação de produtos derivados do mel e agregando valor à matéria-prima. Atualmente, a variedade vai muito além do alimento, englobando a produção de sabonetes líquidos e em barra, shampoos, cremes para mãos e pés, além de sachês e aromatizadores de ambiente e carro.
Turismo e Profissionalização
A apicultura no Araripe também tem aberto portas para o turismo de experiência. A Associação dos Produtores de Mel de Trindade recebe estudantes e o público em geral em seu apiário, onde os visitantes podem atuar como "apicultores por um dia", vivenciando uma experiência sensorial da Caatinga e conhecendo de perto a rotina de produção.
Para garantir o crescimento sustentável da atividade, os produtores contam com o apoio do Sebrae desde o ano 2000, quando foi criado o projeto APS do Sertão. A instituição auxilia na gestão, produtividade e eficiência das operações.
O grande objetivo atual do setor, em parceria com o Sebrae e a ADEP, é a conquista da Indicação Geográfica (IG) junto ao INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) para o mel do Sertão do Araripe. A certificação é vista como fundamental para assegurar os métodos de produção, atestar a origem do produto para o consumidor e impulsionar ainda mais o turismo e a valorização econômica da região.