Riquezas de Pernambuco: As mãos que tecem e esculpem a identidade de Pernambuco em Poção e em Sertânia
Renda renascença de Poção e o artesanato em madeira de Sertânia mostram a força do artesanato pernambucano e da cultura nordestina
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Renda renascença de Poção e artesanato em madeira de Sertânia mostram a força do artesanato pernambucano e da cultura nordestina. No agreste pernambucano, a cidade de Poção teve sua história reescrita pelas mãos de seus artesãos através da renda renascença. A técnica não nasceu na região: ela foi trazida para Pernambuco por freiras francesas, que inicialmente a mantinham em segredo no Convento de Santa Teresa, em Olinda.
O cenário começou a mudar na década de 1930, quando Maria Pastora, uma moradora de Poção, viajou ao convento para descobrir se tinha vocação religiosa. Sem o chamado para ser freira, ela retornou à sua cidade natal levando consigo os conhecimentos da renda, os quais ensinou para Dona Lala, uma moradora local que já possuía habilidades com bordado.
A partir desse momento, a prática se espalhou rapidamente, a ponto de não haver uma casa no município que não soubesse produzir a renda renascença. Hoje, a técnica é diversificada, sendo aplicada em peças de vestuário, cama, mesa e banho, acessórios e itens de decoração. O ofício, muitas vezes passado de geração em geração, ultrapassou as fronteiras do Brasil: obras de arte feitas com a renda já marcam presença em galerias de arte no exterior, em lugares como Paris e Portugal.
Um detalhe exclusivo dessa produção é o uso da "fitinha lacerê", um material que guia e dá forma aos desenhos da renda renascença ao mesmo tempo em que serve de amarração para a linha 100% de algodão. Há 30 anos, uma fábrica local produz essa fita, que só pode ser encontrada nessa região.
Sertânia e a Arte Retirante em Madeira
Saindo do Agreste e partindo para o Sertão, a cidade de Sertânia também abriga uma riqueza artesanal única, focada na escultura em madeira. Desde os anos 80, artistas como o Mestre Marcos de Sertânia vêm retratando o povo sertanejo e as cenas dos "Retirantes da Seca". Inspirado pelo avô, que fabricava utensílios domésticos como colheres de pau e cabides, o artesão começou a esculpir figuras que representam o cotidiano local: homens, mulheres, crianças magricelas e cachorros.
Essa estética de figuras finas e alongadas chamou a atenção de apreciadores de arte, consolidando o artesanato de Sertânia. No centro da cidade, um armazém reúne dezenas de obras de vários artistas locais, incluindo as de artesãos como Zuleide Joia.
O Futuro: A busca pela Indicação Geográfica
Para garantir a valorização e proteger a origem de suas obras, tanto a renda renascença de Poção quanto o artesanato em madeira de Sertânia estão em processo para receber o reconhecimento de Indicação Geográfica (IG). A iniciativa conta com o apoio do Sebrae e da ADEPE, e promete abrir novas portas para os municípios.
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