Avaliação de Lula pode pesar contra estratégia de João Campos em 2026, diz cientista político
Segundo Adriano Oliveira, desgaste do presidente e rejeição à polarização podem limitar uso da imagem de Lula na disputa em Pernambuco
Clique aqui e escute a matéria
A avaliação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode se tornar um fator decisivo e até negativo na disputa pelo Governo de Pernambuco em 2026. A análise é do cientista político Adriano Oliveira, em entrevista ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal.
Segundo o especialista, o cenário atual não favorece a estratégia de vincular fortemente candidaturas locais à imagem do presidente, sobretudo diante de sinais de desgaste e da insatisfação do eleitorado com a polarização política.
“Não sabemos como estará a popularidade de Lula em agosto”, afirmou Adriano. Ele destacou que o momento é marcado por desafios nacionais, como inflação elevada, ameaças de paralisações e crises políticas, o que pode impactar diretamente o desempenho de candidatos que apostam na nacionalização da disputa.
De acordo com o cientista político, pesquisas qualitativas recentes indicam que há um movimento claro de rejeição à polarização entre lulismo e bolsonarismo. “Cerca de 60% dos eleitores votariam em alguém que não fosse nem de Lula nem de Bolsonaro”, apontou.
Nesse contexto, a utilização da imagem de Lula como principal ativo eleitoral pode ter efeito limitado ou até contrário ao esperado. Para Adriano Oliveira, essa estratégia tende a restringir o crescimento de candidaturas que buscam se ancorar no presidente.
“O eleitor está cansado da briga política e quer soluções práticas, como controle de preços, segurança pública e melhoria na saúde”, explicou.
O cientista político também ressaltou que, em cenários onde gestores locais apresentam boa avaliação, a influência de lideranças nacionais tende a diminuir. “Não há razão para um governante bem avaliado trazer temas nacionais para o centro do debate”, afirmou.
Além disso, ele observa que o próprio presidente pode evitar se envolver diretamente em disputas locais que possam gerar desgaste ou divisão em sua base. Isso porque Lula precisa manter múltiplos palanques e alianças regionais para sustentar sua governabilidade no plano nacional.
Para Adriano Oliveira, o desempenho do presidente ao longo dos próximos meses será determinante para definir o peso de sua participação nas eleições estaduais. Até lá, o cenário segue em aberto, mas com um sinal claro: a força eleitoral de Lula já não é suficiente, sozinha, para garantir vantagem nas disputas locais.