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Brasileira retida no Catar relata medo após bombardeios e cobra plano de resgate do governo brasileiro

Durante entrevista à Rádio Jornal, a advogada Roberta Couto Ramos criticou falta de plano de contingência e pediu ação imediata das autoridades

Por JC Publicado em 03/03/2026 às 17:16

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A advogada Roberta Couto Ramos está retida em Doha, no Catar, devido ao bloqueio aéreo causado pelos bombardeios próximos à região. Em entrevista para o Passando a Limpo, da Rádio Jornal, nesta terça-feira (3), ela relatou sobre o cenário de incerteza e ausência de um plano de contingência claro.

“A gente que está seguindo as orientações das autoridades e esperando, está vendo a escalada da guerra acontecer. Ontem de noite umas bombas muito fortes fizeram o chão do quarto do hotel tremer. Então, a gente fica apreensivo se essa orientação está correta.”

Roberta estava em trânsito e tinha o Brasil como destino final, porém, ao desembarcar em Doha para conexão, foi surpreendida pela suspensão das operações aéreas. O bloqueio ocorreu diante de ameaças de bombardeios e ataques com drones no Catar.

Dificuldades dos brasileiros retidos 

Segundo a advogada, a Qatar Airways tem prestado assistência aos passageiros impactados, oferecendo hospedagem em hotel, alimentação e transporte terrestre.

No entanto, a falta de informações claras e de previsão para reabertura do espaço aéreo aumenta a angústia de quem aguarda retorno ao Brasil.

Ela ainda alerta que outros brasileiros enfrentam situação mais delicada, sem ter assistência e precisando arcar com as despesas do próprio bolso.

“Há brasileiros em situações diferentes da nossa, tem gente que precisa pagar diárias por conta própria, que a companhia não consegue nem atender a remarcação de bilhete. E está fazendo falta a gente não ter uma perspectiva nem saber se tem algo sendo feito”, relata.

Falta de contato com a embaixada brasileira

Roberta também fez críticas à atuação da embaixada brasileira. Segundo ela, nos três primeiros dias após o fechamento do espaço aéreo, o contato foi restrito a mensagens automáticas.

“Pelo que eu estou entendendo, não há um plano efetivo de resgate, nem de acompanhamento por terra, de escolta, de negociação de cessar fogo para retirar turistas. A orientação que passam é só de aguardar e isso aumenta a nossa aflição, porque a gente só vê a coisa piorar”, afirmou.

A advogada cobra uma postura mais ativa do governo brasileiro para garantir a segurança dos cidadãos que estão na região.

“Veja, a gente tem um presidente que é um estadista, que conversa com todas as autoridades. Por que não se negocia essa retirada? Guerra não espera, não tem ordem de prioridade. Então, a gente precisa ser esperto e agir o quanto antes.”

Possibilidade de saída por terra

Uma das alternativas discutidas seria a retirada por via terrestre até Riade, na Arábia Saudita, em um trajeto de aproximadamente 700 quilômetros, onde os aeroportos seguem operando.

No entanto, Roberta ressalta que a viagem só deve ser realizada com garantias oficiais e escolta diplomática, pois atravessar o deserto por conta própria seria extremamente arriscado.

“Ir sozinha por conta própria poderia até dar certo, mas poderia dar muito errado. Eu não tenho a moeda deles, eu não falo a língua deles, a gente sabe que existem núcleos e células terroristas. Então, seria muito arriscado”, alertou.

Apelo por urgência

A advogada cobra que o governo brasileiro adote medidas urgentes e estratégias eficazes para retirar os cidadãos da área de risco.

“Estou tentando me manter otimista, mas o que a gente queria era saber se algo está sendo construído, algum plano para a gente conseguir sair daqui, porque só aguardar é muita aflição.”, lamenta.

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