Cientista político analisa morte de Ali Khamenei, estratégia militar dos EUA e impactos políticos do conflito com o Irã
Segundo Ricardo Rodrigues, a intenção dos EUA era provocar uma mudança no regime político do Irã, com uma estratégia de "guerra de decapitação"
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O cientista político Ricardo Rodrigues disse nesta segunda-feira (2), em entrevista ao Passando a Limpo, da Rádio Jornal, que a intenção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao atacar o Irã era provocar uma mudança no regime político do país.
Segundo a análise do especialista, a estratégia utilizada foi a de uma "guerra de decapitação", focada em abater a liderança atual e estimular uma revolta popular interna.
O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, foi morto durante os ataques norte-americanos e de Israel contra o país, neste sábado (28). A confirmação da morte foi divulgada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na rede social Truth Social.
Objetivos políticos
“Então, a ideia era uma mudança de regime sem militares americanos no chão lá. O que a gente está vendo hoje é basicamente uma guerra de decapitação, onde o inimigo vem, joga mísseis, mata a liderança e com isso espera que haja uma uma mudança de regime”, explica o cientista político.
Estratégia do Irã
Rodrigues observa o conflito como uma guerra assimétrica, porque o domínio militar dos Estados Unidos, principalmente combinado a Israel, é muito maior do que o aparato militar do Irã.
Por isso, o objetivo do Irã não seria vencer militarmente, mas sim elevar os custos das hostilidades para os EUA, com o intuito de desestabilizar o governo na eleição parlamentar que acontece ainda este ano.
“Na hora em que há fatalidades do lado americano, esse custo político aumenta muito. Trump vai ter uma eleição parlamentar que é crucial para o governo dele. Porque se os republicanos perdem a maioria na Câmara e no Senado, o governo americano vai entrar num estado de colapso.”
Impacto
Rodrigues sugere que Trump foi convencido pela liderança israelense de que a missão seria um êxito rápido. Porém, diferente de outros cenários, o Irã está preparado para uma guerra longeva.
“O Irã tem condições de ir carregando essa guerra, porque eles têm um arsenal muito grande. A última estimativa que eu vi era que o Irã dispunha 6.000 mísseis balísticos”, conta o cientista político.
O objetivo central do Irã é tornar a guerra duradoura, evitando um desfecho rápido. Ao prolongar o conflito, o país busca elevar os custos políticos para o governo americano e os custos econômicos globais.