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Presidentes de partidos debatem cenário eleitoral de 2026 em Pernambuco

PSB, PT e Novo discutem disputa pelo apoio de Lula, alianças estaduais e estratégias para o próximo ciclo eleitoral

Por Ryann Albuquerque Publicado em 20/02/2026 às 18:52

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A disputa pelo apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a formação de alianças e as estratégias partidárias para 2026 dominaram o debate promovido pela Rádio Jornal, nesta sexta-feira (20). O programa reuniu dirigentes estaduais em um momento em que, apesar de o calendário eleitoral ainda não ter sido oficialmente deflagrado, as articulações já avançam em Pernambuco.

Participaram o deputado estadual Sileno Guedes, presidente do PSB no Estado; o deputado federal Carlos Veras, presidente estadual do PT; e Tecio Teles, presidente do Novo em Pernambuco. O encontro expôs projeções eleitorais, embates ideológicos e a disputa que começa a ganhar contornos mais claros nos bastidores.

A apresentação também esclareceu a ausência de outras siglas relevantes no cenário político local. O presidente estadual do PSD, André Teixeira, não participou por incompatibilidade de agenda, segundo a assessoria. Já o deputado federal Eduardo da Fonte, presidente estadual do Progressistas, havia confirmado presença, mas não compareceu devido a compromissos partidários e viagem no horário do programa. A emissora informou que o espaço permanece aberto para futuras participações.

Logo na abertura, os dirigentes destacaram a importância do debate político e do envolvimento da população no processo eleitoral. Sileno Guedes classificou o programa como uma prestação de serviço ao eleitorado, ao lembrar que a eleição de 2026 envolverá cargos do presidente da República ao deputado estadual. Carlos Veras reforçou o papel das eleições na democracia, enquanto Tecio Teles ressaltou que o diálogo entre posições divergentes é fundamental para que a sociedade conheça os contrapontos.

Confira o debate completo:

Disputa pelo apoio de Lula 

Um dos eixos centrais da discussão foi a movimentação em torno do presidente Lula no cenário estadual. A presença do petista em Pernambuco durante o Carnaval ampliou a leitura de que a corrida pelo seu apoio já influencia as articulações locais.

Além da participação ao lado do prefeito do Recife, João Campos, Lula também dividiu espaço com a governadora Raquel Lyra. A chefe do Executivo estadual esteve ao lado do presidente em agendas institucionais e ambos participaram do Galo da Madrugada no sábado de Carnaval — movimento interpretado nos bastidores como gesto político relevante.

Sileno Guedes afirmou que, do ponto de vista do PSB, a aliança com Lula já está consolidada. “Não existe uma possível aliança, existe a aliança”, declarou. Segundo ele, o partido integra formalmente o núcleo do governo federal, ocupando a Vice-Presidência da República com Geraldo Alckmin, e já anunciou que marchará com Lula em 2026.

No campo governista, Raquel Lyra surge como peça central das articulações. Desde que se filiou ao PSD, a governadora passou a integrar uma legenda com forte presença no Congresso Nacional e espaço relevante na Esplanada dos Ministérios.

A estratégia de Raquel aposta na manutenção de uma relação institucional próxima com o presidente Lula, mesmo após não tê-lo apoiado publicamente no segundo turno de 2022. Nos bastidores, a avaliação é de que a governadora trata esse vínculo institucional como ativo político e sinaliza que um eventual apoio formal ao presidente em 2026 só ocorreria como parte de uma construção estratégica, em troca, sobretudo, da neutralidade do PT em Pernambuco, ainda que o PSD venha a lançar candidatura própria no plano nacional.

Carlos Veras associou a definição do palanque estadual à formação das chapas majoritárias. “Quem se coloca para governar Pernambuco sabe que precisa de uma chapa 100% sintonizada com o projeto de país liderado pelo presidente Lula”, afirmou.

Novo critica polarização e defende alternativa

Representando o Novo, Tecio Teles adotou um discurso crítico à hegemonia dos grupos tradicionais em Pernambuco. O dirigente afirmou que o partido enxerga espaço para uma alternativa fora da polarização.

“Existe um cansaço evidente do eleitor com esse modelo político. Pernambuco precisa discutir novas alternativas, novos projetos e novas formas de gestão”, declarou.

Teles citou o desempenho do vereador Eduardo Moura em pesquisas recentes como indicativo desse movimento. Segundo ele, o partido ainda não definiu se lançará candidatura própria ao Governo do Estado, mas garantiu que a decisão será fruto de construção interna.

Senado entra no radar das articulações

Durante o debate, Carlos Veras mencionou nomes que já circulam nas negociações para o Senado, destacando que a construção das chapas será decisiva para o desenho das alianças estaduais.

Entre os nomes citados, estão o senador Humberto Costa (PT), cuja reeleição é tratada como prioridade; o ministro Silvio Costa Filho (Republicanos); Marília Arraes (Solidariedade); Fernando Dueire (MDB); Eduardo da Fonte (Progressistas); e Miguel Coelho (União Brasil).

O dirigente petista ressaltou que as definições majoritárias caminham em paralelo à consolidação dos palanques estaduais.

Senado entra no radar das articulações

Durante o debate, Carlos Veras citou nomes que já aparecem nas negociações para o Senado em 2026 e destacou que a definição das chapas majoritárias será decisiva para o desenho das alianças em Pernambuco.

Entre os nomes mencionados estão, Humberto Costa (PT), cuja reeleição é tratada como prioridade; Silvio Costa Filho (Republicanos); Marília Arraes (SD); Fernando Dueire (MDB), que deve buscar a reeleição; Eduardo da Fonte (PP) e Miguel Coelho (UB).

A disputa pelo Governo do Estado deve se concentrar entre João Campos e Raquel Lyra, hoje os nomes mais fortes do cenário, segundo as últimas pesquisas. No campo de João Campos, Humberto Costa é visto como praticamente garantido na chapa, em razão da aliança entre PT e PSB. A segunda vaga segue em disputa entre Silvio Costa Filho, Miguel Coelho e Marília Arraes, que aparece melhor posicionada nas pesquisas.

Já Miguel Coelho e Eduardo da Fonte dependem da definição da Federação União Progressista, que pode se alinhar a Raquel Lyra e, a partir disso, redesenhar o quadro das alianças estaduais.

O dirigente petista ressaltou que as definições majoritárias caminham em paralelo à consolidação dos palanques estaduais.

PSB reforça projeto de João Campos

Questionado sobre a ausência de um anúncio formal de pré-candidatura de João Campos ao Governo de Pernambuco, Sileno Guedes afirmou que o projeto já está posto dentro do PSB.

“Será que ainda tem alguém que acha que João não é candidato?”, questionou.

Segundo ele, o nome do prefeito surge como consequência de desempenho administrativo e preferência eleitoral apontada por pesquisas. O dirigente também fez críticas à atual gestão estadual. “O que sai na propaganda não corresponde à realidade”, declarou.

Bancadas e estratégias partidárias

Ao tratar da composição da futura bancada do PSB na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), Sileno evitou projeções numéricas, mas afirmou que o partido pretende eleger uma representação robusta. O dirigente confirmou que o presidente da Câmara do Recife, Romerinho Jatobá, é um nome natural para disputar vaga de deputado estadual.

Pelo Novo, Tecio Teles reforçou a presença institucional já existente da legenda, destacando que o partido contará com o deputado estadual Renato Antunes, que buscará a reeleição em 2026.

Já Carlos Veras afirmou que o PT terá como prioridade a manutenção da vaga no Senado, com a reeleição de Humberto Costa, além da ampliação das bancadas da federação.

“O PT chega a 2026 com uma bancada forte e sintonizada com a luta da classe trabalhadora”, afirmou.

Ritmo intenso 

O debate evidenciou que, à medida que o pleito de 2026 se aproxima, é natural que as movimentações partidárias se intensifiquem. Mesmo fora do período eleitoral, alianças, composições e disputas estratégicas já passam a ocupar espaço central no cenário político pernambucano.

Nos bastidores, a corrida pelo posicionamento de lideranças nacionais, a definição das chapas majoritárias e a reorganização das forças estaduais indicam que o ambiente pré-eleitoral já está em curso.

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