Glitter e maquiagem no Carnaval: saiba como evitar lesões na córnea e infecções nos olhos
Especialista do Instituto de Olhos do Recife alerta: purpurina e tintas podem agir como "corpo estranho".
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O brilho do Carnaval é indispensável para muitos foliões, mas o uso excessivo de glitter, tintas e lentes de contato coloridas exige atenção redobrada. O que parece apenas um adereço estético pode se transformar em um grave problema de saúde. Segundo médicos, esses materiais funcionam como um corpo estranho, podendo causar arranhões na córnea e infecções severas.
A oftalmologista Marcela Valença, do Instituto de Olhos do Recife, explica que mesmo o glitter cosmético — teoricamente mais seguro que o artesanal — não foi projetado para entrar em contato com a parte interna do olho ou com a córnea.
Quem corre mais risco?
Embora o cuidado deva ser geral, alguns grupos estão mais suscetíveis a complicações graves. A médica destaca que a superfície ocular é mais sensível em pessoas que:
• Usam lentes de contato;
• Sofrem de olho seco ou blefarite;
• Possuem doenças prévias na córnea;
• Passaram por cirurgias oculares recentes.
"Nessas pessoas, o glitter pode causar inflamação maior e a chance de infecção também aumenta".
Outro ponto de atenção é a procedência do material. O glitter artesanal é considerado o mais perigoso, pois suas partículas costumam ser irregulares, ásperas e cortantes. Além disso, tintas de fantasia de baixa qualidade podem conter solventes químicos tóxicos, provocando queimaduras químicas na região dos olhos.
Caiu glitter no olho? Saiba o que fazer (e o que NÃO fazer)
Acidentes acontecem na folia. Caso algum resíduo entre nos olhos, a "regra de ouro" é manter a calma e, sob hipótese alguma, esfregar a região. O atrito pode transformar uma simples partícula em uma lixa contra a córnea.
O passo a passo recomendado pelos especialistas é:
1. Lavar imediatamente: Use água corrente limpa ou soro fisiológico de forma abundante, entre 10 a 15 minutos.
2. Lentes de contato: Devem ser retiradas na hora e não podem ser recolocadas.
3. Não use instrumentos: Jamais tente remover o glitter com pinças, unhas ou cotonetes.
4. Evite automedicação: O uso de colírios anestésicos por conta própria é proibido, pois eles mascaram a dor e podem piorar a lesão.
Sinais de alerta: quando procurar um oftalmologista
Se após a lavagem o desconforto persistir, a ajuda médica é indispensável. Sintomas como visão borrada, sensibilidade à luz (fotofobia), vermelhidão intensa ou secreção exigem avaliação imediata.
"Nessas situações, quanto antes examinar, melhor, porque a gente evita complicações e protege a visão".
Para usuários de lentes de contato, a urgência é ainda maior ao sentir dor ou sensação de corpo estranho.
Dica extra: remoção segura e proteção UV
Para curtir os blocos de dia, os óculos escuros com proteção UV são essenciais para prevenir doenças de longo prazo, como a catarata precoce.
Já na hora de voltar para casa, a remoção da maquiagem exige técnica para não arranhar a pele sensível das pálpebras. A dica da especialista é utilizar demaquilante bifásico e um truque simples: usar fita adesiva para "pescar" e retirar o grosso do glitter antes de passar o algodão, evitando esfregar as partículas contra a pele.
Acompanhe a reportagem na íntegra:
*Texto escrito com auxílio de inteligência artificial, com base em conteúdo original da Rádio Jornal, e sob supervisão e análise de jornalistas profissionais.