notícias | Notícia

Paço do Frevo reforça papel na preservação do patrimônio e convida público a viver o frevo nas ruas

Diretora Luciana Félix destaca atuação permanente do equipamento e impacto econômico da cultura, em entrevista à Rádio Jornal nesta quarta-feira (11)

Por Ryann Albuquerque Publicado em 11/02/2026 às 14:44

Clique aqui e escute a matéria

O Paço do Frevo tem como missão manter o frevo vivo para além da sazonalidade do Carnaval. A afirmação é da diretora do equipamento, Luciana Félix, durante entrevista concedida nesta quarta-feira (11) à Rádio Jornal.

Segundo ela, o espaço atua como centro de preservação, salvaguarda e referência de um patrimônio imaterial reconhecido pela humanidade, com ações contínuas voltadas à música, à dança, à memória e à pesquisa.

Luciana reconheceu que o Carnaval é o momento de maior expressão do frevo, quando orquestras, passistas e agremiações ocupam as ruas do Recife e de Olinda. No entanto, destacou que o principal desafio é garantir a vitalidade dessa manifestação cultural ao longo de todo o ano.

“Existem fazedores de frevo produzindo diariamente, seja na música, nos passos, nas manualidades ou na manutenção das agremiações. É isso que o Paço ajuda a sustentar”, afirmou.

Entre as ações desenvolvidas, a diretora ressaltou a Escola do Paço do Frevo, que, ao longo de 12 anos, já formou mais de 50 mil alunos nas áreas de música e dança.

O equipamento também mantém um centro de documentação e memória, utilizado por pesquisadores e integrantes de agremiações para construção de repertórios, figurinos e desfiles.

Modelo de gestão

Durante a entrevista, Luciana Félix explicou ainda o modelo de gestão do Paço do Frevo, considerado um diferencial no cenário cultural do Recife. O equipamento é público e pertence à Prefeitura do Recife, mas é administrado por uma organização social sem fins lucrativos, o Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG).

O formato permite a captação de recursos complementares, especialmente por meio da Lei Rouanet, garantindo maior sustentabilidade financeira.

Esse modelo, segundo a diretora, possibilitou importantes investimentos recentes, como o restauro do terceiro andar do prédio, entregue em maio do ano passado.

A obra incluiu a troca do telhado, reforço da estrutura metálica, novo projeto luminotécnico e a renovação da exposição, todos custeados com recursos captados via incentivo cultural.

Frevo nas ruas 

Luciana também fez uma recomendação direta ao público: durante o Carnaval, a experiência plena do frevo acontece nas ruas.

“A expressão máxima do frevo está nos desfiles das agremiações, nas avenidas, nos palcos espalhados pela cidade. É ali que se veem as nuances, os personagens e a potência das orquestras”, pontuou.

Apesar disso, o Paço do Frevo segue aberto para visitação até esta quinta-feira (12), às 19h, em horário estendido. Após o período de Carnaval, o equipamento retoma o funcionamento na Quarta-feira de Cinzas, a partir das 14h

Em janeiro, o equipamento já havia ampliado o horário de visitação, registrando aumento no número de visitantes em relação ao mesmo período do ano anterior.

Ao final da entrevista, a diretora citou dados de uma pesquisa recente da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgada em janeiro de 2026, que apontam o impacto econômico positivo dos investimentos em cultura.

Segundo o levantamento, cada real investido no setor gera retorno médio de R$ 1,60, enquanto na área de museus e patrimônio esse valor pode chegar a R$ 12.

“É um recurso que permanece na cidade e movimenta toda a cadeia produtiva da cultura”, concluiu.

Compartilhe

Tags