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Carlos Jordy diz que Alcolumbre pode usar 'artimanha' para adiar CPMI do Banco Master

Em entrevista à Rádio Jornal, deputado afirmou que presidente do Senado pode postergar leitura de abertura para dificultar início da investigação

Por Rodrigo Fernandes Publicado em 04/02/2026 às 12:08 | Atualizado em 04/02/2026 às 12:09

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O deputado federal Carlos Jordy (PL) afirmou que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, pode recorrer ao que ele chamou de "artimanha" regimental para adiar a leitura do requerimento que pede a criação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master e, com isso, comprometer o prazo de funcionamento do colegiado.

A declaração foi dada em entrevista ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal, nesta quarta-feira (4), um dia após o protocolo do pedido no Congresso Nacional.

O requerimento para a instalação da CPMI foi apresentado na terça-feira (3), com o objetivo de investigar supostas irregularidades envolvendo o Banco Master. A iniciativa reuniu 42 assinaturas de senadores e 238 de deputados federais, número superior ao mínimo exigido.

O próximo passo formal é a leitura do pedido em sessão conjunta do Congresso Nacional, etapa indispensável para que a comissão seja efetivamente instalada. A análise do requerimento cabe ao presidente do Senado.

Na entrevista, Jordy sustentou que a convocação da sessão pode ser adiada de forma estratégica. "Ele tem que chamar uma sessão do Congresso Nacional e possivelmente ele vai querer postergar essa sessão para que o prazo fique muito exíguo, porque o prazo que nós determinamos para a realização dessa CPMI é de 180 dias".

Ouça a entrevista na íntegra

Segundo o parlamentar, aliados do governo estariam usando o calendário legislativo como justificativa para defender a postergação da sessão.

"A alegação que nós temos ouvido muito é de que é um calendário muito curto porque tem Copa do Mundo e tem eleição. Então ele [Alcolumbre] tende a empurrar mais essa sessão do Congresso para conseguir ter esse subterfúgio de fazer com que o prazo possa atropelar o prazo da eleição e assim tentar inviabilizar a CPMI", declarou Jordy.

O autor do requerimento também afirmou acreditar que essa seria a estratégia para esvaziar a comissão e disse que a oposição pretende pressionar pela realização da sessão conjunta o quanto antes.

"Eu acredito que essa será a artimanha de Alcolumbre para tentar fugir da CPMI. Nós vamos pressionar desde já para que haja logo uma sessão do Congresso Nacional, até porque tenha uma sessão para deliberar sobre a derrubada do veto do PL da dosimetria", acrescentando que a mobilização da oposição pelo seguimento do requerimento ocorra após o carnaval.

Outras iniciativas de investigação

Questionado sobre a existência de outros requerimentos relacionados ao Banco Master, incluindo feitos por parlamentares da esquerda, e sobre a possibilidade de unificação dos pedidos, Jordy criticou as iniciativas paralelas.

Ele mencionou que governistas estariam apresentando propostas que, na avaliação dele, não teriam viabilidade regimental.

"O que a esquerda e os governistas estão fazendo com esses requerimentos, tanto o requerimento de CPI do Rolemberg e o requerimento de CPMI da Heloísa Helena e da Fernanda Melchiona, é enganar a população, porque eles sabem que esses dois requerimentos não serão lidos, essas duas CPMIs, essas duas CPIs não serão instaladas", disparou.

"Primeiro, CPI individualmente em cada Casa fica a critério do presidente da casa instalar ou não. É um juízo de conveniência a ser feito pelo presidente para instalar uma CPI. E no caso da Câmara dos Deputados, há 15 pedidos de CPI antes do pedido da CPI do Remberberg. Então tem que ser analisados todos esses 15 antes. É impossível ser instalada essa CPI", completou.

Sobre a CPMI encabeçada por outras deputadas, o parlamentar afirmou que não haveria assinaturas suficientes e que o objeto de investigação coincidiria com o do requerimento já protocolado.

“Já a CPMI da Fernanda Melchiona Heloísa Helena não tem assinatura suficiente. Elas não estão buscando assinaturas. Inclusive eu ajudei, eu assinei o requerimento delas, elas não assinaram o meu, mas inclusive agora que o meu já foi protocolado. É impossível a delas, porque não temos como ter dois objetos de CPI ocorrendo simultaneamente no mesmo sentido", avaliou.

“Máscaras podem cair”

Ao comentar a gravidade do caso, Jordy classificou o episódio como um dos maiores escândalos da história do país e fez críticas amplas a instituições e autoridades.

"Eu acho que esse é o escândalo mais bizarro da nossa república, o maior caso de corrupção da nossa história, infinitas vezes maior do que mensalão ou qualquer outro caso de corrupção, e demonstra uma total prostituição institucional. E hoje, diante dessa blindagem que vem sendo promovida, a tentativa de blindagem tanto na classe política, a operação abafa que nós estamos vendo acontecendo já no Congresso Nacional, as tentativas de blindagem feitas por ministros do Supremo Tribunal Federal que estão no epicentro dessa situação", afirmou.

O deputado afirmou que haveria um movimento para proteger empresários e autoridades, e que a CPMI poderia expor figuras públicas.

"É um suco de Brasil completo o que nós estamos vendo, que há um grande movimento para blindar o [Daniel] Vorcaro, porque muita gente poderosa pode cair. A máscara de muita gente que pousava de paladino de moralidade, de agentes da justiça, daqueles que defendiam a democracia pode cair.”

A eventual instalação da CPMI depende agora da leitura do requerimento em sessão do Congresso Nacional, passo que ainda não tem data definida.

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