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Analista aponta desinteresse do eleitor pela eleição presidencial de 2026

Em entrevista à Rádio Jornal, Maurício Romão avalia que maioria dos eleitores ainda não decidiu voto e segue mais preocupada com questões do cotidiano

Por Pedro Beija Publicado em 22/01/2026 às 13:30

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Apesar da divulgação de pesquisas nacionais no início de 2026, a corrida presidencial ainda não mobiliza a maioria dos eleitores brasileiros. A avaliação é do professor e analista político Maurício Romão, que aponta um cenário de distanciamento do eleitor em relação ao debate eleitoral, marcado por preocupações cotidianas que se sobrepõem à disputa pelo Palácio do Planalto.

Em entrevista ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal, nesta quinta-feira (22), Romão destacou que levantamentos recentes indicam que cerca de 68% dos eleitores ainda não decidiram em quem votar, o que, segundo ele, revela um quadro de “alienação eleitoral”. Para o analista, o eleitor comum não está vivenciando o momento político-eleitoral e segue mais atento a questões práticas do dia a dia.

“As pessoas estão preocupadas com o preço do material escolar, com o transporte, com a sobrevivência. Não estão envolvidas com a política eleitoral como quem trabalha diretamente com isso”, afirmou.

Pragmatismo do eleitor explica volatilidade das pesquisas

Segundo Maurício Romão, esse afastamento ajuda a explicar por que as pesquisas realizadas com grande antecedência da eleição devem ser lidas com cautela. Embora os levantamentos indiquem tendências, o analista ressalta que, neste momento, o eleitor ainda não transformou intenção em decisão de voto.

Para ele, o comportamento do eleitor brasileiro tem se tornado cada vez mais pragmático.

“As pessoas não estão interessadas em disputas políticas abstratas. Elas reagem ao que afeta diretamente o cotidiano, o bolso, a vida concreta”, avaliou.

Esse pragmatismo também relativiza o peso da aprovação de governos como fator determinante do voto. Romão lembra que a aprovação é um importante preditor eleitoral, associada ao chamado “voto retrospectivo”, mas não garante, por si só, a vitória nas urnas.

“A aprovação ajuda, mas não é uma relação matemática. Há governos bem avaliados que enfrentam dificuldades eleitorais porque o eleitor pode até aprovar a gestão, mas optar por outro candidato quando deseja mudança”, explicou.

Polarização reduz espaço de conquista

Na análise do cientista político, o cenário eleitoral de 2026 também é marcado por uma polarização consolidada, com campos ideológicos pouco permeáveis ao diálogo. De um lado, o lulopetismo; de outro, o bolsonarismo, com espaços reduzidos para migração de eleitores fora dessas bolhas.

“Nessas polarizações mais calcificadas, há pouco espaço para consenso ou conquista. O campo real de disputa está concentrado em um núcleo pequeno, formado pelo centro e por eleitores que não se identificam plenamente com os polos”, afirmou.

Esse contexto contribui para projeções de uma eleição apertada, mesmo quando pesquisas apontam vantagens percentuais que podem parecer confortáveis à primeira vista.

“No universo de quase 200 milhões de brasileiros, diferenças percentuais pequenas representam margens estreitas de votos”, observou.

Escândalos só impactam se atingirem o cotidiano

Romão também avalia que escândalos políticos ou institucionais tendem a ter impacto limitado sobre o eleitorado se não produzirem efeitos concretos na vida das pessoas. Segundo ele, temas que dominam o debate político em Brasília nem sempre reverberam no cotidiano da população.

“O eleitor quer saber se consegue comprar comida, pagar contas, manter a família. Se um escândalo não afeta isso, a repercussão tende a ser pequena”, disse.

Para o analista, esse distanciamento revela uma crise mais ampla de representação, em que o eleitor se mostra descrente das instituições políticas e reage prioritariamente ao que percebe como entrega efetiva de resultados.

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