Uvas do Vale do São Francisco chegarão à Europa com tarifa zero após acordo UE-Mercosul, diz presidente da Abrafrutas
Acordo comercial beneficia produtores do Vale do São Francisco e pode impulsionar investimentos, empregos e abertura de novos mercados
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Durante entrevista ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal, o presidente da Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de Frutas (Abrafrutas), Guilherme Coelho, explicou que a uva produzida no Vale do São Francisco passará a entrar imediatamente no mercado europeu com tarifa zero, após a conclusão do acordo entre o Mercosul e a União Europeia.
Segundo ele, a medida representa um avanço significativo para o setor de fruticultura brasileira, especialmente para Pernambuco, principal exportador de uvas do País. Atualmente, cerca de 70% das frutas exportadas pelo Brasil têm como destino a União Europeia, enquanto apenas 12% seguem para os Estados Unidos.
O dirigente explicou que o acordo prevê a redução gradual de tarifas para diversos produtos, mas que, no caso da uva, a isenção será imediata. “No caso da uva, este imposto vai imediatamente a zero”, afirmou. Para outras frutas, como melão, melancia e limão, a redução ocorrerá de forma escalonada, em prazos que variam de sete a dez anos.
Competitividade internacional
Coelho destacou que a mudança corrige uma desigualdade histórica enfrentada pelos produtores brasileiros. Países como África do Sul, Chile, Peru e Estados Unidos já exportam uvas para a Europa sem pagar tarifas, enquanto o Brasil arcava com taxas que variavam entre 8% e 14%, dependendo do período do ano.
Com a isenção imediata, o Brasil passa a competir em condições de igualdade. Segundo o presidente da Abrafrutas, a expectativa é de aumento nas exportações, mais investimentos na produção e expansão da área irrigada no Vale do São Francisco, com reflexos diretos na geração de emprego e renda.
Ele ressaltou que o impacto positivo atinge produtores de todos os portes, incluindo pequenos agricultores organizados em cooperativas. “Isso atinge o pequeno, o médio e o grande”, disse, ao destacar a estrutura já consolidada da região para exportação de uvas.
Exportações e abertura de mercados
Durante a entrevista, Guilherme Coelho também destacou o esforço recente do setor para diversificar mercados internacionais. Nos últimos três anos, o Brasil abriu cerca de 20 novos mercados para exportação de frutas. O dirigente citou negociações com países como Índia e Coreia do Sul, além da participação em feiras internacionais, como a Fruit Logistica, em Berlim.
Segundo ele, o diferencial brasileiro está na qualidade das frutas, aliada a práticas sustentáveis e respeito às normas ambientais e sociais exigidas pelo mercado internacional.
Relação com os Estados Unidos
Ao comentar o mercado norte-americano, Coelho explicou que a situação das exportações de manga foi normalizada após o chamado “tarifaço” imposto anteriormente. Atualmente, não há cobrança adicional para a manga brasileira entrar nos Estados Unidos, e a próxima safra destinada ao país deve começar em agosto.
No caso da uva, porém, a tarifa americana segue em 50%. Mesmo assim, o dirigente destacou que a maior parte da produção brasileira tem como destino a Europa, o que torna a isenção tarifária europeia ainda mais estratégica para o setor.
Segundo ele, as negociações com os Estados Unidos continuam em andamento, já que o país permanece como parceiro importante para a fruticultura brasileira.