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Governador de Roraima demonstra preocupação com possível conflito na Venezuela: "pode aumentar o fluxo de venezuelanos vindo ao Brasil"

Em entrevista ao Passando a Limpo, o governador Antonio Denarium da relação de Roraima com a fronteira da Venezuela e dos impactos dos Estados Unidos

Por Eduardo Scofi Publicado em 06/01/2026 às 11:53

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Durante entrevista ao programa Passando a Limpo, o governador de Roraima, Antonio Denarium, afirmou que a escalada de tensão entre os Estados Unidos e a Venezuela, após a prisão de Nicolás Maduro, acende um alerta para o Brasil, especialmente para o estado que concentra a principal porta de entrada de venezuelanos no país.

Segundo Denarium, qualquer agravamento do cenário político e militar no país vizinho tende a ter impacto direto na fronteira norte. “Se caso houver uma guerra civil, houver resistência, pode aumentar o fluxo de venezuelanos vindo para o Brasil”, afirmou.

Roraima como principal porta de entrada

O governador destacou que Roraima já enfrenta, há anos, os efeitos da crise venezuelana. “Já entrou no Brasil um milhão e quatrocentos mil venezuelanos, dados oficiais da Polícia Federal.” De acordo com ele, a maioria dessas pessoas cruzou a fronteira pelo estado. “72% dos venezuelanos que entraram no Brasil foram por Roraima, pelo município de Pacaraima.”

Atualmente, segundo o governador, a presença de venezuelanos no estado é expressiva. “Nós temos hoje vivendo no nosso estado em torno de 186 mil venezuelanos, que são dados oficiais do IBGE.”

Denarium explicou que, embora o fluxo diário tenha diminuído em relação aos momentos mais críticos da crise da Covid-19, quando chegaram a entrar quase dois mil venezuelanos por dia no estado, um novo conflito pode reverter esse cenário.

Para ele, a instabilidade política na Venezuela, somada a uma eventual intervenção estrangeira, amplia o risco de uma nova onda migratória em direção ao Brasil.

Impactos na segurança e nos serviços públicos

O governador afirmou que a migração em larga escala afeta diretamente os serviços públicos do estado. “Hoje, 30% a 40% das ocorrências da Polícia Militar e da Polícia Civil é envolvendo venezuelano.”

Ele também citou reflexos no sistema prisional e afirmou que Roraima chega a gastar cerca de R$ 60 milhões por ano para manter o sistema, que hoje abriga aproximadamente quinhentos venezuelanos condenados pela Justiça brasileira.

Na saúde, o impacto também é significativo. “Em torno de 30% dos atendimentos em saúde em Roraima hoje é envolvendo venezuelano.”

Custos para o estado

Segundo Denarium, o custo para manter esses serviços não é plenamente coberto pelos repasses federais. Ele conta que o valor é insignificante dentro do que o estado de Roraima gasta com recursos próprios para atender os venezuelanos.

Ele destacou o peso sobre o sistema prisional. “Só o sistema prisional nosso, nós gastamos aqui em torno de 50 a 60 milhões de reais por ano para manter os venezuelanos.”

Fronteira e legislação migratória

Ao comentar o controle da fronteira, o governador afirmou que o fechamento formal não impede totalmente a entrada de migrantes. “É uma fronteira seca. E os venezuelanos, quando a fronteira fecha, acabam entrando no Brasil por rotas alternativas [de maneira ilegal].”

Diante do cenário internacional, Denarium defendeu mudanças na legislação brasileira. “Eu acredito que tem que abrir o debate no Congresso Nacional para que o Brasil possa ter uma nova legislação para recebimento de migrantes estrangeiros.”

Ele criticou a ausência de critérios mais rigorosos. “Eles entram no Brasil como refugiados e não tem nenhum tipo de controle e antecedentes criminais.” Para o governador, o tema exige resposta rápida do país. “É uma ação muito urgente que se faça uma legislação regulamentando e restringindo a entrada de pessoas no Brasil.”

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