Ex-secretário da Receita analisa a intervenção dos EUA na Venezuela
De acordo com Everardo Maciel a tensão entre os países aconteceu pelo cancelamento de concessões de petróleo e da expropriação de instalações
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Em uma entrevista para a Rádio Jornal, o ex-secretário da Receita Federal e ex-secretário da Fazenda de Pernambuco, Everardo Maciel, analisa a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela na perspectiva de disputas jurídicas e econômicas ligadas ao setor petrolífero.
O ex-secretário comenta que o cenário é muito inconstante, no entanto por enquanto Maciel não prevê problemas significativos para o Brasil relacionados ao petróleo, já que o país é um exportador de óleo.
Concessões e expropriações
Na conversa, Everardo explica que o ponto central da tensão entre EUA e Venezuela aconteceu por causa do cancelamento unilateral de inúmeras concessões de petróleo e da expropriação de instalações iniciada no governo de Hugo Chávez.
O resultado disso foram várias demandas por arbitragem internacional, gerando uma dívida bilionária em indenizações.
"Essas empresas estão nos fóruns de arbitragem internacional. Alguns deles já têm a sentença definitiva. Junta-se a isso uma o calote praticado pela Venezuela em relação aos títulos do estado venezuelano negociados no exterior. Isso dá centenas de bilhões de dólares."
Impossibilidade de acordos
O entrevistado descarta qualquer possibilidade de acordos aduaneiros ou negócios seguros com a Venezuela no momento, citando controles aduaneiros "primitivos" e o caos nas fronteiras (como em Pacaraima), onde não há império da lei.
“Quem vai a Pacaraima, que é uma ponta mais ao norte na fronteira com a Venezuela, é o caos. Aquilo entra o que quiser, como quiser. É impossível controlar uma fronteira completamente aberta e descoberta”, explica
Ativos no exterior
Por fim, é mencionada a decisão da Suíça de congelar ativos de Maduro, o que sugere a existência de grandes montantes de origem provavelmente ilícita, incompatíveis com a remuneração oficial de um cargo público.
"Presumo que a remuneração dada a um presidente ou a um ministro das relações exteriores, como foi Maduro, não é suficiente para gerar ativos na Suíça. São ativos, pelo menos em tese para mim, são ativos produto da atividade ilícita, melhor dizendo, de roubo."