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"O Caipira e o Príncipe": Xico Graziano lança livro e traz a "história sincera" da política brasileira

O autor narra os bastidores do Plano Real e a trajetória ao lado de Fernando Henrique Cardoso, o "príncipe dos sociólogos"

Por Da Rádio Jornal Publicado em 09/12/2025 às 11:46

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Xico Graziano, que é agrônomo, professor, escritor e agroambientalista, está lançando seu livro "O Caipira e o Príncipe, história sincera da política brasileira". O livro narra uma história que o autor define como "sincera", contando sua participação na política, inclusive ao lado de Fernando Henrique Cardoso (FHC). Graziano se intitula "O Caipira", enquanto FHC é "O Príncipe", um apelido que remete à sua fama como o príncipe dos sociólogos, título que FHC conquistou após ter uma cátedra renomada na Sorbonne, em Paris.

Junior Souza/JC Imagem
Livro "O Caipira e o Príncipe", do autor Xico Graziano - Junior Souza/JC Imagem

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Plano Real: a sinceridade da estabilização

Um dos capítulos centrais do livro de Graziano é intitulado "Eu vi o Plano Real Nascer", onde ele narra a experiência de auxiliar o então Ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, em São Paulo, durante o período de elaboração do plano.

Graziano usa o Plano Real como um exemplo de como é possível traçar um objetivo, organizar o processo de trabalho e tomar os devidos cuidados para obter sucesso. Em contraste com os cinco planos anteriores que falharam, FHC elaborou o Plano Real com a paciência de um professor, explicando a estratégia e a incompreendida Unidade Real de Valor (URV) para a população.

O sucesso foi incontestável: o Plano Real realmente livrou o Brasil do processo inflacionário, estabilizando a moeda e fornecendo as bases para o desenvolvimento nacional. Essa estabilização é um pressuposto fundamental para qualquer país sério. Graziano observa que, embora Lula tenha capitalizado o processo ao vencer eleições posteriores, ele manteve a política de estabilização do Plano Real.

Curiosamente, o processo de reeleição de FHC, que permitiu a continuidade, não foi consensual. O próprio Fernando Henrique Cardoso, em um artigo de 2018 ou 2019, confessou que o processo de reeleição foi o seu "grande erro". Na época, o principal argumento para a reeleição era o temor de que o Plano Real fosse descontinuado ou interrompido pelo PT, que se opunha ativamente ao plano.

A crise do PSDB e a decepção com Bolsonaro

Um dos fundadores do PSDB, Xico Graziano deixou o partido em 2015, muito antes da eleição de 2018, apesar de jornais terem noticiado que sua desfiliação em 2018 teria sido para apoiar Jair Bolsonaro. Contudo, ele, assim como uma estimativa de cinco milhões de brasileiros, apoiou Bolsonaro no segundo turno de 2018.

Esse movimento, conforme Graziano, foi primariamente de rejeição, visando impedir o retorno do PT ao poder da República. Entretanto, a decepção subsequente com o governo Bolsonaro é classificada por ele como "infinita". O então presidente, ao assumir, não cumpriu as promessas de mudança e começou a brigar com todos, inclusive com membros de sua própria equipe. Graziano critica que Bolsonaro não se deu conta de que governar exige apoio político e chamamento, sendo um processo diferente de vencer a eleição.

O ex-deputado ressalta que a crise do PSDB, que hoje é considerado um partido "irrelevante na Cena Nacional", foi causada principalmente por brigas internas. A disputa insana e intestina entre líderes como Geraldo Alckmin, José Serra e Aécio Neves destruiu o partido, forçando-o a discutir grupos em vez de pensar no país.

Reforma agrária ultrapassada e a política pervertida

Questionado sobre a pauta que defendia em seu mandato parlamentar — a reforma agrária —, Xico Graziano revela que não acredita mais nela. O agrônomo, que fez seu doutorado sobre o tema, afirma que a ideia foi ultrapassada pela modernização capitalista da agricultura brasileira.

Segundo ele, a reforma agrária distribuiu terras para cerca de um milhão de famílias, mas elas "pouco produzem". O aumento real na produção de alimentos e a garantia da segurança alimentar foram resultados do avanço tecnológico.

Hoje, o problema a ser resolvido é o "passivo da reforma agrária", que compreende aproximadamente 9.000 projetos de assentamentos com baixíssima renda. Sua proposta atual é regularizar juridicamente esses projetos, emancipando-os e fornecendo o título de terra para que as famílias possam buscar o apoio do governo de forma independente.

Em uma análise final, Graziano classifica a democracia brasileira atual com um adjetivo simples, mas duro: "pervertida". Ele vê o sistema político como um "cambalacho político", onde prevalece o "negócio" e que freia o desenvolvimento do país, que está sendo ultrapassado por nações como Índia e Coreia.

O ex-político deposita sua esperança nas novas gerações para encontrar uma solução para esse sistema, seja através de uma mudança coordenada, seja por uma ruptura.

*Texto gerado com auxílio da IA a partir de uma fonte autoral da Rádio Jornal

 

 

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