Professora da Universidade da Amazônia não acredita em mudanças profundas após COP30: "vai continuar tudo como antes"
Em entrevista ao Passando a Limpo, Regina Cleide Teixeira, professora da UNAMA abordou a necessidade de país enfrentar desafios estruturais
Motivados por definir medidas para limitar o aumento da temperatura do planeta, líderes mundiais, pesquisadores e sociedade civil estão reunidos em Belém (PA) para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30).
O encontro segue até o dia 21 de novembro, com uma agenda de negociações entre os países sobre mitigação e adaptação frente à crise climática e os investimentos necessários para alcançar o desenvolvimento sustentável.
Para Regina Cleide Teixeira, professora da Universidade da Amazônia (UNAMA) e doutora em Engenharia de Produção, a COP30 só vai ter algum benefício se a cúpula política compreender a necessidade “do olhar para o bem-estar social da população”.
“Antes de pensarmos em clima, nós precisamos compreender que precisamos pensar em saneamento básico, educação e saúde, que são pontos para cada brasileiro compreender o seu papel nesse equilíbrio do ecossistema”, explica.
Em entrevista ao Passando a Limpo, professora destaca que, no Brasil e em outros países em desenvolvimento, ainda é preciso enfrentar desafios estruturais, como a falta de uma cultura cidadã e do conhecimento sobre o papel de cada indivíduo no desenvolvimento do país, antes de avançar em debates como os propostos pela Conferência.
“Primeiramente o poder público precisa assumir seu papel de gestor país e trabalhar em infraestrutura, saneamento básico e serviços públicos para que nós tenhamos condições de entender o nosso papel dentro dessa sociedade e assim, nos sentimos comprometidos com o desenvolvimento do país, do equilíbrio do ecossistema global”, pontua.
Descrença
Além de defender a criação de soluções para demandas antigas do Brasil, Regina Cleide Teixeira questiona a eficácia das mudanças propostas pela COP30.
“Vai continuar tudo como antes. Em todas as COPs, são feitos acordos e tratados. Esses tratados estão aí, mas infelizmente os países aderem mediante uma análise da realidade do seu país. Então, não tem como se cobrar”, afirma.
Para ela, países que têm boas práticas socioambientais e climáticas, como Suécia, Costa Rica, Suíça, Noruega e Reino Unido, tendem a continuar cumprindo os compromissos assumidos nas conferências. No entanto, observa, esses acordos não são obrigatórios, pois ainda não existe um mecanismo que vincule o cumprimento das metas.
“É uma pena, vamos continuar com nossos problemas. Se você olhar para o Brasil, nós estamos vivendo um momento de caos e esse caos não vai mudar”, lamenta a professora da UNAMA.
Pesquisa
A descrença de Regina Cleide acompanha a de 41% dos brasileiros. De acordo com a pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta terça-feira (11), este é o percentual que acredita que a COP30 não fará diferença para o País.
Outros 41% dos brasileiros acreditam que a Conferência trará resultados positivos e 7% dos entrevistados responderam que os resultados serão negativos. Já 11% não souberam ou não responderam.