Censo 2022: mulheres representam 77% das pessoas de 10 a 14 anos em união conjugal
Levantamento do IBGE revela que maioria dos casos aponta para uniões consensuais, apesar da legislação brasileira proibir casamento abaixo dos 16 anos
Os dados alarmantes sobre uniões envolvendo crianças e adolescentes fazem parte do questionário da amostra do Censo 2022, que investigou a nupcialidade e a estrutura familiar no Brasil.
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Entre o grupo de pessoas com idade entre 10 e 14 anos que declararam viver em algum tipo de união, a disparidade de gênero é significativa: quase oito em cada 10, totalizando 77%, são mulheres.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ressaltou que esses números se baseiam exclusivamente nas informações fornecidas pelos próprios moradores, e não constituem uma comprovação legal dessas uniões. O instituto alerta que as respostas podem refletir percepções pessoais, incluindo interpretações equivocadas ou possíveis erros de preenchimento.
Tipos de união e legalidade
A análise das uniões em que se encontravam as pessoas entre 10 e 14 anos mostrou a seguinte composição:
• 87% viviam em algum outro tipo de união consensual.
• 7% eram casadas no civil e no religioso.
• 4,9% eram casadas somente no civil.
• 1,5% eram casadas somente no religioso.
Em relação ao quadro legal, a legislação brasileira é clara ao proibir o casamento entre menores de 16 anos. Para a faixa etária dos 16 aos 18 anos, o casamento só é permitido mediante autorização dos pais ou representantes legais. Caso contrário, a união pode ser anulada, se os responsáveis solicitarem a anulação dentro do prazo de seis meses.
O IBGE, no entanto, reforça que não é sua função verificar a legalidade dessas relações, visto que o Censo não exige certidões ou documentos. O instituto explica que questiona sobre uniões a partir dos 10 anos de idade por entender que essa é uma situação que, embora não seja legalmente permitida, faz parte da realidade brasileira.
Composição demográfica e distribuição estadual
O levantamento também detalhou a composição racial e geográfica desse grupo de crianças e adolescentes em união conjugal.
A maioria é formada por pessoas que se declararam pardas, totalizando 20.414 crianças e adolescentes. Em seguida, aparecem as pessoas brancas, com 10.009, e as pretas, com 3.246. O grupo inclui ainda 483 indígenas e 51 amarelas.
Geograficamente, o estado com o maior número de crianças e adolescentes vivendo em união conjugal é São Paulo. Pernambuco aparece como o sexto estado com maior número de pessoas nessa situação, registrando 1.968 indivíduos.
*Texto gerado com auxílio de IA a partir de conteúdo autoral da Rádio Jornal com edição de jornalista profissional