Movimento de mulheres pressiona Lula por indicação feminina ao STF
Com mais de 40 mil assinaturas, carta aberta exige que vaga de ministro Luís Roberto Barroso seja preenchida por nome com sólida trajetória jurídica
Um movimento de mulheres mobilizou a sociedade e enviou uma carta aberta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, solicitando que a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), deixada por Luís Roberto Barroso, seja preenchida por uma mulher. A carta, intitulada "Carta aberta ao excelentíssimo senhor presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva", pede a escolha de uma mulher que possua "sólida trajetória jurídica e reconhecido compromisso com a Constituição e com a democracia".
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O documento, que demonstra a intensa mobilização em torno do tema, já superou a marca de 40 mil assinaturas.
Isonomia e a representatividade feminina no STF
O cientista político Professor Hely Ferreira, em análise sobre o tema, considera que a mobilização é um movimento "justo" e "legal". Segundo o professor, a história da política e da democracia revela que, ao longo dos séculos, a mulher sempre foi "escanteada", um fato que ele classifica como lamentável.
Apesar da justiça do pedido, Hely Ferreira registrou que esta não é a primeira vez que um movimento semelhante ocorre. Na época da indicação de Cristiano Zanin, também houve uma mobilização por parte das mulheres, mas o presidente optou por ignorar o pedido e indicou seu ex-advogado.
A relevância do movimento é amplificada pela disparidade histórica do STF. A Corte possui cerca de 134 anos de história e, entre 172 magistrados, apenas três foram ministras. As mulheres que passaram ou que permanecem no Supremo são Ellen Gracie (a primeira), Rosa Weber, e Cármen Lúcia, que foi indicada pelo próprio Lula em 2006.
O professor Ferreira destacou que o fato de o STF ter tido apenas três ministras estimula e aumenta a pressão por mais uma mulher. Ele ressaltou que, se o direito preza tanto pelo princípio da isonomia, a própria corte deve dar um exemplo disso. Com a mobilização, o presidente "com certeza" se sentirá cobrado por uma maior participação das mulheres no STF.
Critérios constitucionais para a vaga
A Constituição estabelece critérios específicos para que alguém possa se tornar ministro do STF: ser maior de 35 anos e menor de 75 anos, ser uma pessoa idônea e possuir notável saber jurídico. O professor Hely Ferreira salienta que a Constituição não exige que o ministro seja bacharel em Direito. Ele cita o exemplo histórico de Barata Ribeiro, que era médico de formação e serviu como ministro por 10 meses no início da República.
Crítica de Lula ao Congresso e o diálogo político
Em outro ponto da análise política, o professor Hely Ferreira comentou a fala do presidente Lula, que repercutiu ao criticar a qualidade do Congresso, afirmando que nunca houve um Congresso de tão baixo nível. A declaração foi feita após a derrota do ex-senador Hugo Mota (Republicanos).
Para o cientista político, as reclamações do presidente Lula se devem, em parte, à falta de um diálogo mais claro dentro do Congresso Nacional. Embora Lula tenha "certa tranquilidade no Senado", ele enfrenta dificuldades na Câmara dos Deputados.
Segundo Hely Ferreira, essa dificuldade é um reflexo do voto: o eleitor elegeu Lula, mas também elegeu uma maioria de deputados na Câmara que fazem oposição. O professor define essa dinâmica como "o preço da democracia".
O professor concorda, no entanto, que o presidente tem razão em suas críticas quando alguns parlamentares (sem generalizar) deixam de lado o interesse público e priorizam o interesse privado ou de um determinado grupo. Quando isso ocorre, é considerado "extremamente prejudicial a qualquer governo". Hely Ferreira reforça que qualquer pessoa de vida pública deve ter a percepção da responsabilidade e o zelo, priorizando a competência.
*Texto gerado com auxílio de IA a partir de conteúdo autoral da Rádio Jornal com edição de jornalista profissional