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Microcrédito: a energia do crescimento em Pernambuco

Financiamento do Agroamigo, do BNB, retira famílias da exclusão, aumenta renda e fortalece o desenvolvimento regional no Nordeste.

Por Lucca De Biase Publicado em 30/09/2025 às 13:09 | Atualizado em 30/09/2025 às 14:32

Em Pernambuco, o microcrédito produtivo orientado tem se consolidado como um verdadeiro catalisador de ascensão social. Mais do que uma linha de financiamento, ele representa esperança e inclusão, como mostra a trajetória do agricultor Edvan José da Silva, de Buíque.

Edvan cultiva batata doce, cenoura e feijão de corda, mas tinha sua produção limitada por um obstáculo: a conta de energia, que chegava a ultrapassar R$ 650 por mês devido à necessidade de irrigação.

A virada veio com o programa Agroamigo do Banco do Nordeste (BNB), que financiou a instalação de um sistema de energia solar. O resultado foi imediato: a conta que antes custava quase R$ 700 hoje varia entre R$ 5 e R$ 10. A economia de cerca de 95% permitiu que ele ampliasse a produção e garantisse melhor qualidade de vida para a família.

“Praticamente o que a gente arrumava era só para pagar a Celpe. Hoje, depois da energia solar, melhorou bastante mesmo”, afirma o agricultor.

Indicadores sociais e desenvolvimento sustentável

A superação de Edvan reflete o compromisso do Sistema Nacional de Fomento (SNF) com os pequenos empreendedores. Em parceria com a ONU, a Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE) desenvolveu uma metodologia para avaliar não só volume de crédito e inadimplência, mas também o impacto social e ambiental, alinhando os financiamentos aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

“Conseguimos medir se o microcrédito de fato está promovendo inclusão produtiva e reduzindo desigualdade”, explica André Godoy, diretor executivo da ABDE.

Microcrédito como motor das economias locais

Para Godoy, o microcrédito é a ferramenta mais importante de inclusão financeira no Brasil, pois dinamiza economias locais, gera emprego, renda e fortalece cadeias produtivas.

Pesquisas confirmam esse impacto. O IPEA mostrou que beneficiários do programa Crescer tiveram aumento de renda entre 5% e 6,37%, efeito que se manteve por mais de quatro anos após o fim do programa.

Além disso, 70% dos beneficiários são mulheres, muitas delas chefes de família, que usam o recurso como capital de giro ou investimento em atividades produtivas.

Nordeste como modelo

Apesar de desafios, como a vulnerabilidade da agricultura familiar e os custos operacionais em áreas rurais, o Nordeste desponta como referência em microcrédito. Programas como o CredAmigo e o Agroamigo, ambos do Banco do Nordeste, são reconhecidos internacionalmente.

A história de Edvan é um retrato desse movimento: o microcrédito no Nordeste não é apenas dinheiro, mas sim a oportunidade para agricultores, artesãos e pequenos comerciantes de participarem de uma economia mais justa — e, como no caso de Edvan, de transformarem a sombra das dívidas em luz e prosperidade.

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