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Em debate, candidatos ao Senado em Pernambuco confrontam propostas sobre saúde, contas públicas e atuação do STF

Debate realizado pelo G1 também teve divergências sobre contas públicas, violência contra a mulher, impeachment de Dilma e mudanças climáticas

Por Pedro Beija Publicado em 02/09/2026 às 17:56

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Os candidatos ao Senado por Pernambuco discutiram propostas para a saúde, regras para a destinação de emendas parlamentares e a relação entre governo, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal (STF) durante debate promovido pelo g1 nesta quarta-feira (2). O encontro também teve divergências sobre contas públicas, violência contra a mulher, o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e os atos de 8 de Janeiro.

Participaram do debate os candidatos Eduardo da Fonte (PP), Humberto Costa (PT), Marília Arraes (PDT), Mendonça Filho (PL), Paulo Rubem Santiago (Rede) e Túlio Gadêlha (PSD).

STF e impeachment de Dilma provocam embates

O bloco sobre a relação entre os Poderes concentrou algumas das trocas mais duras do debate. Eduardo da Fonte defendeu a criação de mandatos de oito anos para ministros do STF e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), proposta rejeitada por Túlio Gadêlha, seu colega de chapa.

“Vai terminar que a cara do Supremo será a cara da vontade do presidente eleito”, argumentou Túlio, que defendeu a investigação de eventuais irregularidades, mas afirmou que o STF precisa ser “protegido e não atacado”.

Humberto Costa disse que pode votar pelo impeachment de um ministro caso sejam comprovados crimes ou quebra de decoro. O petista, porém, criticou a utilização do mecanismo como instrumento permanente de disputa política. Marília também declarou que apoiaria uma cassação caso irregularidades fossem comprovadas pelo devido processo legal.

Mendonça Filho, por outro lado, afirmou que existe hoje um “desequilíbrio completo” entre os Poderes e criticou a atuação do Supremo nos processos relacionados ao 8 de Janeiro. Túlio reagiu: “Não foi só a estátua no batom, Mendonça. Foi depredação, foi tentativa de golpe”.

A discussão avançou para o impeachment de Dilma Rousseff. Marília chamou Mendonça de integrante da “tropa de elite do golpe” contra a petista. O candidato do PL rebateu lembrando que o PSB também apoiou o afastamento e levou João Campos, candidato ao Governo apoiado por Marília, para a discussão.

“Se foi golpe, quem patrocinou foi o candidato de Marília, João Campos”, disse Mendonça.

Paulo Rubem criticou os dois campos. Disse que a Federação Rede-PSOL condenou tanto o afastamento de Dilma quanto a tentativa de golpe em 2023 e acusou adversários de adotarem posições por conveniência política.

Saúde: embate sobre Mais Médicos e canetas emagrecedoras

Na discussão sobre interiorização da saúde, Marília defendeu ampliar a oferta de serviços de média e alta complexidade fora da Região Metropolitana e propôs a distribuição, pelo SUS, de medicamentos utilizados no tratamento da obesidade.

“Quem tem dinheiro está aí tomando Mounjaro, está emagrecendo e cuidando da sua saúde”, afirmou. Segundo a candidata, o tratamento poderia ajudar a prevenir doenças como hipertensão, diabetes e problemas cardiovasculares.

Paulo Rubem reagiu diretamente, defendendo que a pauta pode ser substituída por orientação nutricional, educação alimentar e atividades físicas.

“Distribuir canetas Mounjaro para levar as pessoas ao emagrecimento não é política de saúde”, disse. Ele

O candidato da Rede também criticou os adversários, afirmando que estavam aproveitando o debate para fazer uma "competição por quem faz mais hospitais e destina mais emendas".

Outro confronto ocorreu sobre o Mais Médicos, programa adotado no governo Dilma e retirado no governo Temer. Mendonça criticou o modelo de contratação de profissionais cubanos e citou a abertura de cursos de Medicina durante sua passagem pelo Ministério da Educação.

Humberto rebateu e afirmou que o programa recorreu a estrangeiros porque não havia médicos suficientes dispostos a trabalhar em regiões mais distantes.

“O governo não foi buscar médicos em Cuba porque achávamos bonito alguém falando castelhano”, ironizou.

No tema, Eduardo da Fonte destacou a destinação de emendas para hospitais e a compra de equipamentos, enquanto Túlio citou ações do governo Raquel Lyra, como a redução de filas para exames e reformas em unidades de saúde.

Contas públicas dividem candidatos

A responsabilidade fiscal também colocou os candidatos em campos distintos. Mendonça associou o desequilíbrio das contas do governo Lula ao custo de vida e às altas taxas de juros. Ele defendeu cortes de privilégios nos Três Poderes e acusou Marília Arraes de estar “vivendo num mundo completamente distante da realidade do Brasil”.

Marília respondeu dizendo que a direita tem como objetivo "cortar direitos dos trabalhadores”, quando falam em reduzir despesas. A candidata defendeu justiça tributária e a preservação dos investimentos sociais.

Humberto também entrou no confronto e acusou setores da direita de apoiarem “pautas-bomba” no Congresso para prejudicar o Governo e afetar as contas públicas. Paulo Rubem criticou o atual modelo de gestão fiscal e prometeu propor uma nova legislação para as finanças públicas.

Eduardo defendeu ajuste das contas sem redução de programas sociais, enquanto Túlio destacou a retirada de contratos e despesas pelo governo Raquel Lyra para ampliar investimentos em Pernambuco.

Emendas parlamentares

As emendas parlamentares também dividiram os candidatos. Paulo Rubem apresentou a proposta mais restritiva: suspender por dois anos as emendas enquanto o Congresso discute um Código de Ética do Orçamento Público.

“Do jeito que está, não dá”, afirmou, ao criticar orçamento secreto, falta de transparência e investigações envolvendo recursos indicados por parlamentares.

Humberto defendeu a manutenção das emendas, mas afirmou que elas não podem superar a capacidade de investimento do Executivo e precisam estar vinculadas às políticas públicas. Mendonça também defendeu limites e transparência, com prioridade para saúde e saneamento.

Túlio destacou o modelo de emendas participativas adotado em seu mandato na Câmara, com consulta pública para escolha de projetos. Eduardo ressaltou recursos destinados à saúde, e Marília criticou parlamentares que usam as verbas como instrumento de barganha política.

Violência contra a mulher

No bloco sobre violência contra a mulher, Marília criticou a gestão estadual e apresentou proposta para instituir horário integral para todas as Delegacias da Mulher em Pernambuco.

“Por acaso, o agressor só agride a mulher em horário comercial?”, questionou.

A candidata também propôs apoio psicológico, qualificação profissional e acesso a crédito para vítimas.

Mendonça concentrou sua proposta no endurecimento das penas e defendeu que condenados por feminicídio não tenham direito a saída temporária ou livramento condicional.

Humberto defendeu prevenção, assistência social e apoio financeiro às vítimas. Túlio destacou a ampliação do orçamento estadual destinado às políticas para mulheres, enquanto Paulo Rubem criticou a cobertura de delegacias e casas-abrigo em Pernambuco. Eduardo defendeu o monitoramento de agressores por tornozeleira eletrônica.

Mudanças climáticas

No último bloco temático, os candidatos discutiram enchentes, deslizamentos e prevenção de desastres. Humberto e Eduardo defenderam investimentos em obras para prevenção, citando barragens. Enquanto Marília propôs concluir barragens e buscar recursos para obras de drenagem no Recife. Túlio aproveitou o tema para atacar as administrações do PSB.

“O PSB teve 16 anos para resolver a questão das chuvas, dos alagamentos no Recife e não resolveu”, afirmou.

Paulo Rubem se posicionou contra o desmatamento de área da APA Aldeia-Beberibe para a construção da Escola de Sargentos e defendeu integrar políticas de habitação, saneamento, drenagem e Defesa Civil. Mendonça citou ações de prevenção em encostas e defendeu novas barragens.

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