"Não encontraram", diz João Campos sobre buscas da sua equipe jurídica a panfletos apócrifos contra Raquel Lyra
Candidato do PSB volta a negar envolvimento com ataques e retoma denúncias sobre suposto "gabinete do ódio
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No auge da escalada de tensão entre as campanhas ao Governo de Pernambuco, o candidato João Campos (PSB) questionou, nesta terça-feira (1), se os panfletos apócrifos com ataques à governadora Raquel Lyra (PSD), divulgados nas redes sociais no domingo (30), chegaram efetivamente a circular pelas ruas do Recife.
Durante entrevista à Rádio Folha, o socialista afirmou que sua equipe jurídica procurou os materiais e não encontrou exemplares dos panfletos que ganharam repercussão.
“Queria também fazer uma pergunta: você viu algum panfleto desse na rua? Pedi que a nossa equipe jurídica procurasse. Eles não encontraram nenhum panfleto desse que foi postado. Encontraram um panfleto que fazia ataque à honra, mas o que foi postado não encontraram nenhum”, afirmou.
João Campos voltou a negar qualquer envolvimento de sua campanha com os materiais e afirmou ter acionado a Justiça para pedir a investigação do caso. Segundo o candidato, tanto quem produziu os ataques quanto aqueles que tentaram atribuí-los à sua candidatura devem ser responsabilizados.
A declaração reforça a posição adotada pelo socialista desde a repercussão dos panfletos, no domingo (30). Na segunda-feira (31), João já havia repudiado os ataques e negado qualquer participação de sua campanha no episódio.
João aproveitou ainda para condenar ataques que explorem a morte de familiares de adversários políticos. O candidato perdeu o pai, o ex-governador Eduardo Campos, durante a campanha presidencial de 2014, enquanto Raquel Lyra perdeu o marido, Fernando Lucena, no início da campanha eleitoral de 2022.
“Eu perdi meu pai durante uma campanha eleitoral, momento mais difícil da minha vida. A candidata Raquel perdeu o marido durante uma campanha eleitoral e ninguém no mundo tem o direito de atacar a minha dor ou atacar a dor dela ou a dor de qualquer pessoa para tirar um proveito eleitoral. Ninguém tem esse direito e atos como esse que foram praticados são crime”, declarou.
O episódio dos panfletos ocorre em meio a uma sucessão de denúncias e ações judiciais que elevou a temperatura da disputa eleitoral nos últimos dias. Na semana passada, gravações divulgadas nacionalmente envolvendo Amisadai Andrade da Silva, então superintendente da Arena de Pernambuco, trouxeram novas acusações sobre a existência de uma estrutura voltada a atacar e “desidratar” politicamente João Campos.
Após a repercussão do caso, o Governo de Pernambuco exonerou Amisadai. Em seguida, a Frente Popular protocolou no Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra a governadora. A ação reúne alegações da coligação opositora sobre supostos abusos de poder e inclui acusações relacionadas à existência de um suposto “gabinete do ódio”.
As acusações são rejeitadas pela campanha de Raquel, que vem classificando as denúncias como uma campanha sem provas e baseada em mentiras eleitorais.
Guerra jurídica e o “gabinete do ódio”
Embora tenha repudiado os ataques contra a adversária, João Campos voltou a associar o atual ambiente de tensão às denúncias que afirma ter apresentado desde o ano passado. Segundo ele, a Polícia Federal investiga há quase um ano um suposto esquema de ataques direcionados contra ele, seus aliados e familiares.
“Eu, desde o ano passado, fiz denúncias formais de que estou sendo vítima de um ataque de um gabinete do ódio. Quando passou a eleição de 2024, tivemos uma votação muito grande no Recife, foi montada uma estrutura de ataque criminosa a mim, a meus aliados, à minha família, à minha esposa. Isso foi denunciado desde 2025, foi denunciado desde outubro de 2025. A Polícia Federal está investigando esse suposto gabinete do ódio ligado ao Governo do Estado, vai completar um ano de investigação”, disse.
O candidato também mencionou as gravações atribuídas a Amisadai Andrade, divulgadas pela TV Record. João disse que acionou imediatamente a Justiça após tomar conhecimento das declarações e afirmou que o ex-superintendente da Arena de PE relatou reuniões com integrantes do Governo do Estado.
“Ele dizendo que teve reuniões no Palácio, reunião com pessoas do Governo, reunião em gabinete para fazer isso. Isso é um crime. Eu entrei na hora na Justiça contra essa pessoa pedindo uma investigação. Nós entramos pedindo uma investigação e entrei com a queixa-crime contra esse Amisadai porque o que ele está dizendo é que cometeu crime contra mim”, declarou.
A AIJE apresentada pela Frente Popular reúne cinco eixos de acusações. Entre eles estão alegações sobre o uso de ônibus escolares durante a convenção do PSD, suposta espionagem de secretários da Prefeitura do Recife, uso eleitoral do avião do Estado, gastos com publicidade e o funcionamento do suposto “gabinete do ódio”.
“Muito litígio, muita briga”
Na mesma entrevista em que voltou a cobrar investigações sobre os ataques que afirma sofrer, João Campos procurou estabelecer um contraste entre sua campanha e o que classificou como uma postura excessivamente conflituosa de quem está no Governo do Estado.
Para o candidato, o ambiente político não deveria ser utilizado para ampliar disputas, mas para buscar soluções para problemas da população.
“Muito litígio, muita briga. Briga com poderes, com pessoas, com adversários. Quem está no governo não pode estar buscando briga o tempo todo. Quem está no governo tem que buscar solução para o problema do povo”, afirmou.
João disse que o papel de uma liderança política deveria ser o de reunir forças, citando experiências de diálogo com adversários durante sua gestão à frente da Prefeitura do Recife. Segundo ele, o eleitor espera que a campanha seja menos marcada por confrontos e mais por propostas.
A defesa desse discurso também apareceu quando o candidato foi questionado sobre a tentativa de nacionalizar a eleição em Pernambuco. João respondeu que sua candidatura já apresentou propostas em diferentes áreas e passou a comparar os resultados de sua gestão no Recife com os que atribui ao Governo do Estado.
Transnordestina e apoio de Lula
Entre as prioridades apresentadas, João Campos voltou a citar a Ferrovia Transnordestina. O candidato comparou o andamento das obras no Ceará com a situação do trecho pernambucano e defendeu que Pernambuco assuma um papel mais ativo na articulação para concluir o empreendimento.
“O Ceará está a menos de 200 km de terminar a ferrovia, em Pernambuco está sem obra. A gente precisa se indignar com isso, mas essa indignação não deve virar uma briga contra as pessoas. Essa indignação tem que virar uma forma de resolver o problema”, afirmou.
Segundo João, a Transnordestina deveria se tornar uma prioridade permanente para o Governo de Pernambuco. “O livro de cabeceira do governador de Pernambuco tem que ser a Transnordestina e é isso que a gente vai fazer”, completou.
Além das propostas de infraestrutura, João aproveitou a sabatina para anunciar uma promessa de campanha voltada aos motoristas de aplicativo. O candidato disse que, caso eleito, pretende zerar o IPVA dos veículos utilizados por trabalhadores do setor a partir do próximo ano. Segundo ele, cerca de 45 mil veículos poderiam ser beneficiados pela medida
A sabatina também abordou a existência de integrantes do PT pernambucano que decidiram apoiar a reeleição de Raquel Lyra, apesar de o partido integrar formalmente a Frente Popular. João minimizou as dissidências e ressaltou que mais de 84% dos integrantes do diretório partidário aprovaram o apoio à sua candidatura.
O candidato também reafirmou a expectativa de contar com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha em Pernambuco. Segundo João, o próprio presidente teria manifestado, em encontro recente, a intenção de participar da agenda eleitoral no Estado.