PSDB declara apoio a Raquel Lyra mesmo sem coligação da federação com o Cidadania
Nota assinada por Aécio Neves diz respeitar a neutralidade decidida pelo colegiado nacional, mas reafirma o apoio à reeleição da governadora
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O PSDB veio a público nesta sexta-feira (7) para deixar claro que a neutralidade da federação PSDB-Cidadania em Pernambuco não é a posição dos tucanos. Em nota assinada pelo presidente nacional do partido e também presidente da federação, o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), a legenda reafirma o apoio à reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD).
O texto começa reconhecendo a derrota interna. Segundo a nota, o PSDB defendia o apoio a Raquel e o Cidadania, ao ex-prefeito do Recife João Campos (PSB). Sem acordo, o assunto foi levado ao colegiado nacional da federação, que "por maioria de votos optou pela neutralidade na coligação para a eleição majoritária". E acrescenta: "Cabe a nós, portanto, de forma democrática, respeitar essa decisão".
Feita a ressalva, o partido separa o voto do colegiado do endosso político. O PSDB "vem a público reiterar seu integral apoio à reeleição da Governadora Raquel Lyra, que vem realizando um extraordinário trabalho de recuperação econômica e política do estado", diz o documento.
A nota cita os nomes que respaldam a posição, como o líder da bancada na Câmara, Adolfo Viana, os demais deputados federais e os ex-governadores do Ceará Ciro Gomes e Tasso Jereissati. Ao adversário, reserva uma linha de cortesia, ao mencionar o "respeito à candidatura" de João Campos.
A nota também trata das chapas proporcionais. O principal nome tucano na disputa por uma vaga na Câmara Federal é o deputado Pastor Eurico, que trocou o PL pelo PSDB em março deste ano para tentar a reeleição.
Segundo o texto, tanto os candidatos a deputado federal quanto os a deputado estadual mantêm, "com o respaldo da direção nacional do PSDB", o apoio à governadora.
O que motivou a nota
A manifestação chega dois dias depois de uma comissão interventora formada por lideranças nacionais anular a parte majoritária da convenção realizada em 31 de julho. Naquele encontro, o grupo então liderado por Fred Loyo (PSDB) havia garantido apoio à chapa completa de Raquel Lyra e Priscila Krause (PSD).
A nova ata, registrada no sistema do TSE na quinta-feira (6), definiu a neutralidade, liberou os filiados para apoio individual e preservou as candidaturas proporcionais.
O efeito mais concreto está no guia eleitoral. Sem coligação majoritária, o tempo de rádio e TV da federação não é somado a nenhum dos dois candidatos ao governo.
O cálculo desse tempo leva em conta o tamanho das bancadas eleitas pelos partidos e federações na eleição de 2022. A federação PSDB-Cidadania elegeu 18 deputados naquele pleito. Com o apoio dos tucanos, a coligação de Raquel Lyra somaria 191 deputados. Sem eles, ficou com 173. Na prática, a governadora deixou de contar com até 14 segundos a mais no guia eleitoral de TV.
Advogados ligados a Loyo já preparam recurso. A validade da anulação parcial deve ser enfrentada pela Justiça Eleitoral na análise do Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários (DRAP), etapa em que o tribunal confere as atas antes de deferir os registros.
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