Mendonça Filho oficializa candidatura ao Senado pelo PL e diz que há ‘clamor’ por nome de direita em PE
Ex-ministro afirma que decidiu entrar na disputa após Miguel Coelho ficar fora da chapa de Raquel Lyra; Anderson Ferreira celebra candidatura
Clique aqui e escute a matéria
O ex-ministro e deputado federal Mendonça Filho oficializou, nesta terça-feira (4), sua candidatura ao Senado Federal durante a convenção estadual do PL, realizada no Hotel Bugan, em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife.
A decisão confirma uma articulação construída nas últimas semanas entre o PL e o Podemos e amplia a presença de nomes ligados à base da governadora Raquel Lyra (PSD) na disputa por uma das duas vagas ao Senado em Pernambuco.
Embora a chapa oficial da governadora tenha como candidatos ao Senado os deputados federais Túlio Gadelha (PSD) e Eduardo da Fonte (PP), a entrada de Mendonça Filho cria uma terceira candidatura dentro do campo político alinhado ao Palácio do Campo das Princesas.
Aliado histórico de Raquel Lyra, o parlamentar chega à disputa com o respaldo de lideranças conservadoras e do grupo político que apoia a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). Ao oficializar a candidatura, Mendonça afirmou que decidiu colocar o nome à disposição dos eleitores após identificar espaço para uma candidatura de direita mais conservadora no Estado.
“Eu avaliei que existia um espaço, um vácuo, um vazio e um clamor da opinião pública de Pernambuco por um candidato que pudesse ter um alinhamento no campo da direita mais conservador e que pudesse dialogar com a parcela que não se sentia representada. E aí eu decidi encarar a disputa e submeter meu nome ao povo pernambucano”, disse.
O deputado afirmou que a decisão foi tomada após semanas de reflexão e que precisou abrir mão de uma candidatura à reeleição para a Câmara dos Deputados que considerava praticamente consolidada. Segundo Mendonça, familiares chegaram a defender que ele permanecesse na disputa proporcional, mas optou por disputar o Senado após concluir que havia um espaço político a ser ocupado no eleitorado conservador pernambucano.
Durante o discurso, Mendonça também classificou a candidatura como um desafio inédito. Segundo ele, Pernambuco nunca elegeu um senador em uma candidatura independente, sem integrar uma chapa encabeçada por um candidato ao Governo do Estado. O ex-ministro disse que, mesmo diante desse cenário, decidiu assumir o risco por considerar que o momento exigia uma representação mais identificada com a direita conservadora.
"Eu sempre fazia aquela reflexão sobre a certeza de um mandato certo para a Câmara Federal e o desafio de enfrentar uma disputa em voo solo", disse.
O parlamentar também afirmou que sua trajetória política foi marcada pela permanência no mesmo campo ideológico. Disse que sempre atuou na direita, que nunca votou no PT e que recusou mudar de posição política por conveniência ou em troca de cargos ou poder.
"Sempre marchei no campo da direita mais conservadora, acreditando em Deus, valorizando a família. Eu nunca me verguei a dinheiro nem a poder", declarou.
Reconfiguração da disputa
A candidatura fortalece o palanque do PL em Pernambuco e acrescenta uma nova variável à disputa pelas duas cadeiras disponíveis no Senado. Mendonça passa a disputar espaço principalmente com candidaturas que também buscam dialogar com o eleitorado de centro-direita e da direita no Estado.
Até então, a avaliação nos bastidores era de que Eduardo da Fonte concentraria parte significativa desse segmento do eleitorado. Com Mendonça na corrida, o cenário passa a contar com mais uma candidatura competitiva nesse campo político.
Ao projetar uma eventual atuação no Senado, Mendonça afirmou que pretende representar Pernambuco inspirado em nomes que marcaram a política estadual, como Marco Maciel, Roberto Magalhães e Jarbas Vasconcelos, de quem foi vice-governador entre 2003 e 2006.
Articulação com Miguel Coelho
A definição da candidatura de Mendonça esteve ligada às negociações da Federação União Progressista para a formação da chapa de Raquel Lyra.
Na chegada à convenção, o deputado afirmou que apoiaria Miguel Coelho caso ele fosse escolhido para disputar o Senado, mas, com a decisão da federação de lançar Eduardo da Fonte, decidiu colocar o próprio nome na corrida. Miguel, por sua vez, passou a apoiar a candidatura de Mendonça.
“Não é jogo, é uma relação de amizade que temos há anos. Todos se lembram que eu o apoiei na candidatura em 2022 a governador de Pernambuco, depois apoiei a governadora e acompanho ela desde o início do seu mandato. Estaria com Miguel se ele fosse escolhido pelo União Progressistas para ser candidato ao Senado. Como isso não foi possível, é uma situação da circunstância específica da própria federação”, afirmou.
Já durante o discurso na convenção, Mendonça voltou ao episódio e adotou um tom mais enfático ao falar sobre a saída de Miguel da composição.
“Raquel escolheu seu time. Eu já tinha até o candidato ao Senado como opção para voto, que era Miguel Coelho. Ele foi, infelizmente, desfenestrado. Deus tocou meu coração e eu decidi: vou ser senador em Pernambuco”, declarou.
Apesar da candidatura própria ao Senado, Mendonça reafirmou apoio à governadora durante o discurso e disse que continuará ao lado de Raquel Lyra nas eleições estaduais.
"Defendo com orgulho uma mulher corajosa e valorosa. Vão querer criar uma dicotomia falsa, mas ela restabeleceu um bom caminho para Pernambuco, que é a governadora Raquel Lyra"
PL em Pernambuco
Presidente estadual do PL, Anderson Ferreira afirmou que toda a estrutura partidária será mobilizada em favor da candidatura de Mendonça. Segundo ele, os candidatos proporcionais da legenda também deverão pedir votos para o ex-ministro durante a campanha, ao lado da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
"O nome de Mendonça, o legado que ele tem, vem abrilhantar. O PL vive uma nova fase. A direita lúcida está aí e, hoje, vamos ter pela primeira vez em Pernambuco um senador de direita", afirmou.
Anderson Ferreira teve o nome ventilado como possível candidato ao Senado ao longo do ano, mas retirou a candidatura em junho, para concorrer a deputado federal.
O líder do PL em Pernambuco também relembrou o apoio recebido de Mendonça quando disputou a Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes pela primeira vez e afirmou que agora o partido retribui colocando toda a estrutura política da legenda à disposição da candidatura ao Senado.
A entrada de Mendonça também levou à retirada da pré-candidatura de Silvio Nascimento ao Senado. O vereador de Caruaru, que vinha sendo cotado pelo PL para a disputa, declarou apoio ao ex-ministro e afirmou que sua prioridade é contribuir com o projeto político da legenda.
"Eu quero agradecer a honra e o respeito que eu tive deste partido agora. Muita gente me pergunta: você estava para senador e agora vai vir para federal, você não tem vaidade, não? Eu digo: tenho, e é grande. A minha vaidade é de servir ao povo pernambucano. A minha vaidade é de servir a este campo, ao meu partido e a vocês", afirmou.
Mendonça encerrou o discurso afirmando estar confiante na disputa e disse acreditar que poderá representar Pernambuco no Senado com apoio do eleitorado conservador do Estado.
"Eu quero chegar lá em Brasília, no Senado Federal, e o povo pernambucano dizer: nós temos um senador que honra o nosso povo e honra o nosso Estado."