Raquel Lyra e Eduardo da Fonte fazem gestos a Miguel Coelho após definição da chapa para o Senado
Governadora agradeceu apoio de Miguel e disse ter respeito por ele; presidente do PP afirmou que seguirá ao lado do ex-prefeito de Petrolina
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A definição da chapa majoritária de Raquel Lyra (PSD) para as eleições de 2026 foi acompanhada de gestos públicos ao presidente estadual do União Brasil, Miguel Coelho, que ficou fora da composição anunciada pelo grupo governista para a disputa pelo Senado.
No último sábado (1), Miguel afirmou, em vídeo publicado nas redes sociais, que a decisão foi tomada após uma conversa com Raquel e que o objetivo era evitar qualquer risco ao projeto de reeleição da governadora e da vice-governadora Priscila Krause (PSD).
O ex-prefeito de Petrolina pediu que seus aliados continuassem apoiando a chapa governista e afirmou que o União Brasil seguiria ao lado de Raquel. Miguel Coelho vinha participando da construção da aliança governista desde que se juntou ao grupo, em março.
Apesar da sinalização pública de permanência no projeto, Miguel não participou da convenção do PSD, realizada neste domingo (2), no Parador, no Bairro do Recife. Durante o evento, Raquel e Eduardo da Fonte (PP) fizeram questão de citar o aliado e reforçar a relação política construída nos últimos meses.
"Quero aqui fazer um agradecimento especial a Miguel Coelho, presidente do União Brasil. Andou Pernambuco comigo nesses últimos quatro meses. Tem legitimidade e já mostrou a sua capacidade de trabalho a Pernambuco. Miguel, eu sei que você não conseguiu estar aqui hoje, mas você tem o meu respeito", disse a governadora.
Apesar de o PSD ter homologado a candidatura de Túlio Gadêlha (PSD) ao Senado, a segunda vaga da chapa permaneceu vinculada à Federação União Progressista, formada por PP e União Brasil.
A indicação será oficializada após a convenção da federação, marcada para a próxima quarta-feira (5), com o nome de Eduardo da Fonte encaminhado para a disputa e lançado pelo Progressistas, na convenção do partido realizada no último sábado (1).
Na entrevista coletiva após a convenção, a governadora voltou a destacar que a composição da chapa foi resultado de uma construção entre partidos aliados e evitou tratar a definição das vagas ao Senado como uma escolha individual.
"Uma escolha de uma chapa nunca é uma escolha e uma construção de um só", declarou.
Raquel disse que a Federação União Progressista ficará responsável pela indicação do segundo candidato ao Senado e reforçou o agradecimento a Miguel.
"Existe na federação o PP, liderado por Eduardo e seu conjunto político, e o União Brasil liderado por Miguel, a quem eu agradeço a generosidade, as suas palavras, mas sobretudo por termos caminhado por Pernambuco juntos nesses últimos meses", detalhou.
Questionada se havia conversado com Miguel após a definição da chapa e se ele teria demonstrado insatisfação, Raquel afirmou que mantém diálogo com o aliado.
"Eu tenho conversado com ele antes, como converso depois. Já conversei", disse.
Eduardo agradece apoio de Miguel e reforça aliança: "Estamos juntos"
Presidente estadual do PP e da Federação União Progressista em Pernambuco, Eduardo da Fonte também fez um gesto ao aliado durante a convenção. Em discurso, afirmou que a composição política construída pelo grupo tem como objetivo levar desenvolvimento ao Estado e citou nominalmente Miguel Coelho.
"Agradecer a Miguel Coelho. Dizer que estamos juntos, Miguel, para trazer as transformações para Pernambuco", afirmou.
Eduardo também afirmou que a aliança construída pela federação representa uma oportunidade de apresentar ao eleitor os resultados dos mandatos dos partidos aliados.
"A partir de hoje é muito trabalho e muita vitória", disse.
Em entrevista concedida na convenção do PP, no sábado, Eduardo já havia afirmado que Miguel teria um papel importante na campanha de Raquel Lyra.
"O papel de Miguel Coelho é fundamental nessa vitória, na vitória da governadora, na vitória desse conjunto político. Ele, sem dúvida, é um grande quadro da política e vai estar junto para que a gente possa mostrar a Pernambuco a maior vitória da história política de Pernambuco."
Disputa pelo Senado abre movimento de aproximação com os Coelho
A definição da chapa ao Senado também passou a movimentar os adversários da governadora. Após Miguel Coelho retirar a pré-candidatura ao Senado pelo grupo governista, Marília Arraes (PDT) afirmou ter aberto diálogo com o grupo político dos Coelho.
Em entrevista após a convenção da Frente Popular, realizada no sábado (1º), a candidata ao Senado disse ter conversado com Miguel e defendido a manutenção de pontes com a família.
"Nunca deixei de ter diálogo com Miguel e com todo o seu grupo. É importante que a gente mantenha esse diálogo, mantenha o respeito nas convergências e nas divergências. A gente tem que respeitar esse momento deles."
Segundo informações apuradas pelo JC, uma das possibilidades discutidas pela Frente Popular seria a indicação do ex-senador Fernando Bezerra Coelho (MDB), pai de Miguel, para a primeira suplência da candidatura de Marília ao Senado.
A articulação ocorre em um momento em que Miguel declarou publicamente que continuará apoiando a reeleição de Raquel Lyra, mas a retirada da candidatura abriu uma disputa política pelo grupo dos Coelho, que mantém influência especialmente no Sertão pernambucano.
Em nota publicada no último sábado, o União Brasil decidiu, em sua convenção estadual, não formar coligação para os cargos de governador e senador em Pernambuco e levar a divergência interna da Federação União Progressista para as instâncias nacionais.
Apesar da movimentação externa, Raquel Lyra e Eduardo da Fonte fizeram questão de preservar publicamente a relação com Miguel durante a convenção do PSD.
Até o momento, Miguel não voltou a se manifestar após a decisão do União Brasil.