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Em convenção, João Campos diz que governo Raquel Lyra tem "medo do povo" e promete "tirar grades do Palácio"

Ex-prefeito do Recife foi oficializado candidato a governador na convenção da Frente Popular de Pernambuco, neste sábado (1), no Clube Internacional

Por Pedro Beija Publicado em 01/08/2026 às 18:38 | Atualizado em 02/08/2026 às 9:09

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O ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) foi oficializado como candidato ao Governo de Pernambuco, neste sábado (1), na convenção da Frente Popular, realizada no Clube Internacional, no bairro da Madalena, na Zona Oeste da capital pernambucana.

O evento contou com a presença de lideranças da Frente e da chapa majoritária, composta pelo candidato a vice-governador Carlos Costa (Republicanos), além dos candidatos ao Senado Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT). O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB) marcou presença no evento, representando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Agora candidato a governador, o socialista, em seu discurso, fez críticas à gestão da governadora Raquel Lyra (PSD) e reforçou a aliança com o presidente Lula. João também apresentou propostas para áreas como infraestrutura, saúde e educação e afirmou que, se eleito, vai "tirar as grades" instaladas no entorno do Palácio do Campo das Princesas.

"Eu reparei recentemente que colocaram grades no entorno do Palácio. As pessoas não podem acessar mais a Praça da República. Não podem passar na frente do Palácio. Não podem ter acesso ao Palácio do Governo", afirmou.

"Sabe qual é o compromisso que eu vou fazer com o povo de Pernambuco? Porque quando eu digo que o povo vai entrar no Palácio, é de verdade. Eu quero junto com vocês, nós vamos arrancar as grades. Nós vamos tirar as grades", complementou, sendo aplaudido pelos militantes.

João elevou o tom ao associar as grades no entorno do Palácio ao que classificou como um governo distante da população. O socialista afirmou que pretende governar "na rua", e criticou o isolamento da sede do Executivo estadual.

"Quem tem medo do povo não honra a cadeira do Estado. Quem tem medo do povo, ou quem quer distância do povo, não merece representar o Estado mais altivo do Brasil, que é Pernambuco. Quem tem medo do povo não merece ter a caneta que o povo delega", afirmou.

"Eu quero ser um governador que não vai estar usando paletó e gravata. Eu quero usar camisa de manga dobrada e vou, sim, andar pelas ruas", completou.

Sem citar diretamente a governadora na maior parte do discurso, João reforçou sua candidatura como contraponto à atual chefe do Executivo estadual, comparando os cinco anos de gestão à frente da Prefeitura do Recife com o governo Raquel Lyra.

O socialista citou investimentos realizados pela Prefeitura do Recife, a ampliação da rede de creches, obras na saúde, digitalização dos serviços públicos e programas voltados para a primeira infância e qualificação profissional. Segundo ele, a experiência na capital poderá ser replicada em todo o Estado.

"Eu estou aqui atendendo a um chamado do povo de Pernambuco, atendendo a um chamado de quem sabe que pode fazer mais", disse.

O candidato afirmou que pretende "inaugurar um novo tempo" em Pernambuco e prometeu recuperar o protagonismo do Estado no Nordeste.

"A gente sabe que é possível fazer muito mais para o nosso Estado. Chegou a hora de poder inaugurar um novo tempo. Um tempo onde as oportunidades serão geradas. Um tempo onde o nosso Estado vai voltar a ser protagonista do Nordeste brasileiro", afirmou.

Aliança com Lula e críticas à extrema direita

Em diversos momentos do discurso, João reforçou a aliança com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que participou da convenção representando Lula, foi citado logo na abertura da fala.

"Aqui está o time de Lula. Nós estaremos lado a lado do presidente Lula", afirmou.

João também disse que pretende procurar o presidente logo no início de um eventual governo para discutir a conclusão da Ferrovia Transnordestina.

"Eu quero ser governador para, no primeiro mês do nosso governo, pegar um avião e ir à sala do presidente Lula e dizer: 'Presidente Lula, passe a Transnordestina para o Estado de Pernambuco, que tem um engenheiro de 32 anos de idade que vai pegar pelo cangote da Transnordestina e vai fazer cada palmo, cada metro dessa ferrovia'", declarou.

Na reta final do discurso, o candidato também endureceu o discurso contra os adversários, embora sem citar nomes, mas que estariam "do outro lado" com práticas "reconhecidas na extrema direita".

"Do outro lado a gente vai encontrar uma turma que gosta do ódio. Que tem práticas que são reconhecidas na extrema direita, mundo afora. Que atacam a honra de famílias, que atacam a honra de adversários, que mentem sem medir consequências", afirmou.

Em seguida, prometeu manter uma campanha focada no debate de propostas e que vai fazer um "debate olho no olho" com os pernambucanos.

"Da minha parte, vocês vão ver uma campanha limpa. Eu não vou estar falando mal de adversário ou de adversária. Eu vou estar fazendo o debate olho no olho com o povo de Pernambuco."

Homenagem a Eduardo Campos: "Vou chegar onde ele não conseguiu chegar"

Ainda no discurso, João recordou do seu pai, o ex-governador Eduardo Campos, morto em 2014, destacando os ensinamentos que recebeu e afirmou que pretende dar continuidade ao legado político da família.

"Eu queria dizer a vocês que hoje é um dia que a emoção bate mais forte no meu peito, numa convenção para a partir de hoje passar a ser candidato a governador de Pernambuco. Não tem como vir aqui e não lembrar do meu pai, o ex-governador Eduardo Campos. Lembrar de tudo que ele me ensinou. Lembrar do que ele me ensinou dentro de casa, como um pai. Mas lembrar do que ele fez por Pernambuco", disse.

"Eu não estou aqui para fazer menos. Eu quero ter a oportunidade de fazer o que eu vi meu pai fazer, mas eu vou fazer o que ele não teve tempo de fazer. Eu vou chegar onde ele não conseguiu chegar", afirmou.

Ao encerrar o discurso, o candidato convocou a militância para o início da campanha eleitoral e afirmou estar preparado para enfrentar uma disputa difícil.

"Eu vou andar esse Estado todo. Eu vou andar de dia, de tarde e de noite. Eu vou andar com amor no coração, com sorriso no rosto, olhando para as pessoas e dizendo: meu irmão e minha irmã, se preparem porque vai chegar um governador que sabe fazer, que sabe trabalhar e que vai mudar a história de Pernambuco."

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