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"Oligarquia dos poderes" põe em risco democracia brasileira, adverte Joaquim Falcão

Com lançamento previsto para 3 de agosto, livro "A Oligarquia dos Poderes e a Crise das Democracias" reúne reflexões do jurista Joaquim Falcão

Por Larissa Aguiar Publicado em 28/07/2026 às 17:53 | Atualizado em 28/07/2026 às 18:18

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O advogado, professor e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL),  Joaquim Falcão afirmou que a democracia brasileira enfrenta uma crise estrutural provocada pela concentração de poder nas instituições e defendeu mudanças no funcionamento do Estado para fortalecer a representação popular.

Em entrevista ao Debate da Super Manhã, da Rádio Jornal, nesta terça-feira (28), o autor do livro "A Oligarquia dos Poderes e a Crise das Democracias" sustentou que Executivo, Legislativo e Judiciário formam uma “oligarquia dos poderes” e alertou para o distanciamento crescente entre as instituições e a população.

Durante a entrevista, Falcão explicou que a principal tese da obra é que a democracia brasileira vive uma tensão entre a vontade popular e a atuação de uma elite política e burocrática que concentra as decisões de maior impacto social.

“Na democracia, a ideia básica é que os muitos mandem nos poucos. A oligarquia é o contrário: os poucos querem mandar nos muitos. Essa é a tensão que estamos vivendo hoje”, afirmou.

O professor ressaltou que a crítica apresentada no livro não é dirigida a governos ou personagens específicos, mas ao desenho institucional do sistema político brasileiro. Segundo ele, a Constituição estabeleceu três Poderes para garantir liberdade e igualdade, mas esse modelo passou a funcionar de maneira diferente da idealizada.

“Os poderes não são independentes e harmônicos. Eles são tensos e interdependentes”, resumiu.

Ao longo da entrevista, Falcão argumentou que Executivo, Legislativo e Judiciário mantêm relações permanentes de negociação, o que, segundo ele, pode resultar em mecanismos de proteção recíproca. Para ilustrar sua análise, utilizou o conceito de “harmonia oligárquica”, expressão empregada para descrever situações em que decisões de um Poder acabam sendo acompanhadas pelos demais, sem os mecanismos de controle previstos na Constituição.

Cleyton Xaveri/JC Imagem
Debate da Rádio Jornal com Joaquim Falcão - Cleyton Xaveri/JC Imagem
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Debate da Rádio Jornal com Joaquim Falcão - Cleyton Xaveri/JC Imagem
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Outro ponto abordado foi o papel do Supremo Tribunal Federal (STF). Para o jurista, parte da atuação recente da Corte decorre da interpretação ampla de conceitos constitucionais. “As palavras são elásticas. O texto é uma coisa, o significado é outra. E quem dá o significado exerce poder”, afirmou.

Na avaliação de Falcão, essa flexibilidade interpretativa amplia o espaço de atuação institucional do STF. Como exemplo, citou decisões monocráticas de ministros e a interpretação de conceitos constitucionais considerados abertos, como o de “notável saber jurídico”.

Durante a conversa, o advogado também criticou o modelo institucional brasileiro por considerar que o país importou referências estrangeiras sem adaptá-las à realidade nacional. “Eu detesto importar modelos sem passar pela alfândega da realidade brasileira. O Brasil precisa construir as próprias soluções”, declarou.

Questionado sobre possíveis caminhos para enfrentar a crise institucional, Falcão afirmou que o país já possui propostas de reforma debatidas por especialistas e integrantes das próprias instituições. Entre elas, mencionou a limitação do tempo de permanência de ministros no Supremo Tribunal Federal, proposta defendida por alguns magistrados, e a necessidade de concluir processos considerados centrais para reduzir a tensão política.

Ao encerrar a entrevista, o autor adotou um tom otimista quanto à capacidade de aperfeiçoamento das instituições democráticas. “Sou um realista otimista, como dizia Ariano Suassuna. O Brasil tem soluções. O desafio é implementá-las.”

Lançado em pré-venda e com lançamento previsto para 3 de agosto, "A Oligarquia dos Poderes e a Crise das Democracias" reúne reflexões de Joaquim Falcão sobre o funcionamento das instituições brasileiras e propõe uma discussão sobre os desafios para fortalecer a democracia e ampliar a confiança da sociedade nos Poderes da República.

Conduzido por Natália Ribeiro, o debate contou com a participação dos também jornalistas Laurindo Ferreira, diretor de Jornalismo do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação, e Igor Maciel, colunista de política do Jornal do Commercio  e apresentador do Programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal.

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