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Cármen Lúcia critica feminicídios, defende voto feminino e minimiza novos ataques às urnas

A ministra do STF participou do evento para o lançamento do livro que é coautora "Pela mão do povo – Democracia e voto no Brasil"

Por Mariana de Sousa Publicado em 25/07/2026 às 9:38 | Atualizado em 25/07/2026 às 10:57

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A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia fez, na última sexta-feira (24), uma defesa da democracia, do voto feminino e das urnas eletrônicas durante participação na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), no Rio de Janeiro. Na ocasião, a magistrada também chamou atenção para o aumento dos casos de feminicídio no Brasil e afirmou que a violência contra as mulheres não pode ser naturalizada.

A ministra participou do evento para o lançamento do livro que é coautora "Pela mão do povo – Democracia e voto no Brasil". Ao comentar o cenário de violência contra as mulheres, Cármen Lúcia fez um apelo pelo fim dos assassinatos.

"Estamos vivendo uma matança de mulheres, como se fosse algo razoável, algo possível. Parem de nos matar porque nós não vamos morrer."

A declaração ocorre em meio à divulgação do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que registrou 1.571 casos de feminicídio em 2025, alta de 4% em relação ao ano anterior e o quarto aumento consecutivo desse tipo de crime no País.

Ao defender a participação das mulheres na política, Cármen Lúcia também criticou propostas que sugerem tornar facultativo o voto feminino sob o argumento de reduzir a sobrecarga enfrentada pelas mulheres. Para a ministra, o direito ao voto não pode ser tratado como um peso, mas como uma conquista democrática que deve ser preservada.

"Vejo com muita frequência as pessoas dizerem 'Ah, mas a gente desanima'. Não desanima, não. Porque o seu desânimo é a garantia que o mais atrevido ganha. É preciso que a gente garanta que nós não desanimamos, que nós insistimos, que nós resistimos, que nós vamos continuar democraticamente na luta pela construção do Brasil que nós merecemos. É preciso que a gente faça por acontecer esse Brasil", disse a ministra, em um apelo pela participação democrática.

Urnas eletrônicas

Ao comentar a nova onda de questionamentos às urnas eletrônicas, Cármen Lúcia afirmou que as críticas não têm a mesma força registrada entre 2021 e 2022 e classificou as acusações como "apenas mais um resmungo, uma arenga".

A ministra, que presidiu o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em duas ocasiões, disse ter "absoluta certeza" da segurança, da transparência e da confiabilidade do sistema eletrônico de votação.

As declarações foram dadas após o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) voltar a questionar a confiabilidade das urnas durante reunião com embaixadores, ao relacionar o sistema brasileiro à empresa venezuelana Smartmatic.

O TSE, no entanto, reafirma que as urnas eletrônicas são desenvolvidas e utilizadas exclusivamente pela Justiça Eleitoral, sem qualquer vínculo com a empresa.

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Mariana de Sousa

msousa@jc.com.br