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Nova líder do governo no Senado, Teresa Leitão detalha prioridades de Lula e cenário para 2026

Em entrevista ao JC, senadora fala sobre prioridades do Planalto e do governo Lula, PEC da jornada 6x1, eleições e política em Pernambuco

Por Mariana de Sousa Publicado em 08/07/2026 às 21:23

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Recém-escolhida pelo presidente Lula (PT) para liderar o governo no Senado, a senadora Teresa Leitão (PT-PE) afirma que inicia a nova missão com a responsabilidade de acelerar a tramitação das principais pautas do Palácio do Planalto, reforçar a articulação política na Casa e evitar o avanço de propostas que possam gerar impactos ao governo.

Em entrevista ao Jornal do Commercio, a parlamentar disse que sua primeira conversa com Lula teve como foco justamente as prioridades legislativas do Executivo e que a nova função deverá exigir uma reorganização da sua rotina.

"A conversa foi parecida com a que ele colocou em público. Entre as prioridades do governo estão a PEC do fim da escala 6 por 1, a PEC da segurança pública e o projeto de terras raras, dos minerais críticos. Então, isso é o foco das prioridades, mas também tem algumas ações que a gente está fazendo para evitar pautas-bomba."

Teresa conta que teve poucos dias para assumir efetivamente a função. Convidada por Lula na quinta-feira, reuniu-se com o presidente na segunda e começou a atuar como líder na terça-feira, período em que também precisou organizar a transição da liderança da bancada do PT e da presidência da Comissão de Educação.

"O tempo ainda é curto, porque na verdade eu fui conversar com o Lula na segunda-feira, ele me convidou na quinta, fui conversar com ele na segunda e efetivamente comecei a atuar a partir da terça-feira. E me organizei para dar conta das emergências que estavam colocadas sobre a mesa."

Entre as prioridades apontadas pelo presidente está a Proposta de Emenda à Constituição que acaba com a escala de trabalho 6x1. Segundo a senadora, a tramitação no Senado depende apenas do encaminhamento da matéria à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), etapa que ela tenta acelerar.

"A gente tá tratando no Senado dessas conjunturas. A Câmara nos ajudaria muito se caminhasse com o que a gente tá construindo. Dentro do Senado ainda está realmente nos se desenvolvendo para conseguir tramitar diretamente. Lá a tramitação é mais rápida, o presidente Davi Alcolumbre precisa despachar a PEC para a CCJ. Estou tentando desenrolar isso o mais rápido possível."

Mesmo com nova função, Teresa diz que continuará participando da campanha eleitoral em Pernambuco, mas admite que passará a maior parte do tempo nas negociações políticas no Senado.

"Líder do governo é uma tarefa muito grande e complexa. Não posso perder reunião no plenário, tenho que estar no plenário todos os dias. Tenho que articular as bancadas, com o presidente do Senado Davi Alcolumbre (UB-AP), articular com os ministros, articular com a oposição. Vou ter que estar mais aqui em Brasília do que no Recife", detalhou.

A mudança também provocou alterações na estrutura da bancada petista. Teresa deixou tanto a liderança do PT quanto a presidência da Comissão de Educação, funções que agora passam a ser exercidas pelo senador Camilo Santana (PT-CE), seguindo a tradição interna do partido.

"No PT essas escolhas são sempre muito consensuais. É muito tranquilo, nunca tem disputa. Não haverá nenhuma solução de continuidade. A gente tem uma liderança, uma assessoria da liderança do PT muito articulada, muito afinada e a gente é uma bancada. Acho que a chegada de Camilo vai ajudar bastante no colégio de líderes, pela experiência que ele tem como ministro", ressaltou.

Governo Lula

Na avaliação da senadora, o terceiro mandato de Lula chega ao período eleitoral com resultados que fortalecem a candidatura à reeleição. Ela cita a entrega de obras, a retomada de programas federais e a aprovação da reforma tributária como marcos da gestão.

"É um governo que tem uma realização, a meu ver, excelente. Talvez seja o melhor governo Lula de todos que ele já realizou."

Segundo Teresa, o atual mandato precisou reconstruir políticas públicas desmontadas nas gestões anteriores, os ex-presidentes Michel Temer e Jair Bolsonaro."O que a gente fez foi um trabalho de reconstrução e mesmo tendo esse trabalho grande para reconstruir nós de fato avançamos, e avançamos muito."

Disputa presidencial

A parlamentar também está confiante com o cenário eleitoral de 2026 favorável ao presidente Lula e criticou o grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), especialmente ao senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) após a participação do parlamentar na audiência pública nos Estados Unidos que discutiu as tarifas sobre produtos brasileiros.

"Foi muito desastrosa a intervenção deles. A parte que ele advogou é um ataque à soberania. Então foi um antipatriotismo. Eles que se dizem patriotas, defensores da pátria, na verdade eles são entreguistas."

Sobre a sucessão presidencial, Teresa acredita que a oposição ainda não conseguiu consolidar uma candidatura competitiva.

"Lula tem crescido nas pesquisas e é muito por isso, porque os feitos do nosso governo precisam ser mostrados. Eu acho que Lula ganha."

Eleição em Pernambuco

Ao tratar da disputa em Pernambuco, a senadora reafirmou ao JC o apoio do PT à pré-candidatura de João Campos (PSB) ao Governo do Estado e afirmou que a chapa governista já está definida, ao contrário da composição da governadora Raquel Lyra (PSD).

"Do lado da gente, do lado de João, a nossa chapa está completa. A chapa do lado de Raquel só tem ela, por enquanto. Não confirma Priscila como vice, e não escolheu os dois senadores."

Teresa também defendeu a reeleição do senador Humberto Costa (PT) e afirmou esperar que Marília Arraes (PDT) confirme candidatura ao Senado.

"Humberto fez dois mandatos muito consistentes, muito compromissados. É importantíssima a reeleição de Humberto para o projeto do presidente Lula. E Marília é uma expectativa também que eu acho que pode se confirmar. A gente tem Senado na chapa majoritária, esse compromisso precisa ser muito explicitado também por todos nós do PT. É uma campanha de dois em um. Quem é Marília, é Humberto e quem é Humberto, é Marília”, destacou a senadora que é a única que permanece com mandato no Senado por mais quatro anos.

Como prioridade para a bancada federal, Teresa apontou a conclusão da Transnordestina, pauta que, segundo ela, continuará mobilizando os parlamentares pernambucanos independentemente do resultado das eleições estaduais.

"A gente tem pontuado muito a conclusão da Transnordestina. Eu acho que a gente vai fazer isso coletivamente e as questões de interesse de Pernambuco a partir da eleição do novo governador."

PT não está unificado

A senadora reconheceu, porém, que o PT segue dividido em Pernambuco. Apesar disso, afirmou que a maior parte da legenda estará engajada na campanha do ex-prefeito do Recife e descartou a possibilidade de o presidente Lula dividir seu apoio entre mais de um palanque no Estado.

"Todo mundo sabe que o PT não está unificado. A gente vai tocar a campanha com a maioria que quer tocar. O presidente do PT disse que ia unificar, que ia puxar todo mundo para João, mas não vai. Hoje teve uma plenária da Juventude do PT para a chapa majoritária da Frente Popular, para se posicionar positivamente na campanha, isso vai acontecer em vários setores do PT. Só não vai acontecer com aqueles (do PT) que já declararam apoio a Raquel", disse.

Ao comentar a possibilidade de Lula apoiar mais de um palanque no estado, foi categórica: “Lula já disse qual é o caminho quando fez aquele vídeo. Quem fez o caminho da escolha fora daquilo que o PT orientou, paciência."

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