Política | Notícia

Fachin prega combate a bets operadas pelo crime organizado

Presidente do STF classificou o avanço das facções como uma "tragédia contemporânea" e que é preciso sufocar seus mecanismos de lavagem de dinheiro

Por Estadão Conteúdo Publicado em 08/07/2026 às 21:28

Clique aqui e escute a matéria

Siga o JC no Google e acompanhe
tudo o que você precisa
Seguir no Google

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Edson Fachin, classificou o avanço das facções criminosas como uma "tragédia contemporânea" e atestou que uma das formas mais eficazes de enfrentá-las é sufocar seus mecanismos de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas online, as bets.

A relação entre o mercado ilegal de apostas no País e o crime organizado é, na percepção de Fachin, "um tema estruturalmente relevante para despertar cada vez mais a necessidade de uma regulação financeira que esteja atenta a este grave problema social e de segurança pública".

"Nós sabemos que, infelizmente, há um mercado ilegal e clandestino que permanece à margem do Estado e, mesmo nas atividades aparentemente lícitas, na criação de estruturas empresariais aparentemente lícitas, também há a prática de muitos delitos que devem ser coibidos, como a lavagem de dinheiro, além da integração com outras atividades criminosas, que é o tráfico de drogas, o contrabando, os jogos ilegais, a extorsão, a corrupção", disse o ministro.

ESTRUTURA ESPECIALIZADA

A declaração de Fachin sobre bets ilegais foi dada ontem, durante a inauguração da nova estrutura especializada do Tribunal de Justiça de São Paulo, criada para impedir que a facção Primeiro Comando da Capital (PCC) fortaleça seus tentáculos no Estado.

A medida transforma as atuais 1.ª e 2.ª Varas de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital nas 1.ª e 2.ª Varas Estaduais de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores, e cria a 3.ª Vara Estadual da mesma especialidade e uma Vara Estadual das Garantias, voltada exclusivamente à fase investigativa desses delitos, além da Vara Estadual Especializada em Crimes contra a Ordem Tributária e Econômica e Crimes em Licitações e Contratos Administrativos.

Na avaliação de Fachin, o projeto de combate às facções capitaneado pelo presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador Francisco Eduardo Loureiro, deve servir de modelo para os demais Estados. "Eis que o tema da macrocriminalidade, infelizmente, se espraiou em todo o País", afirmou o ministro.

REFORMULAÇÃO

Ao lado de Fachin, o presidente do maior tribunal de Justiça do País defendeu uma "urgente reformulação no mercado de capitais" para frear as táticas de ocultação e branqueamento de ativos do crime organizado. Para Francisco Loureiro, fundos de investimento com titular anonimizado e criptomoedas servem "à maravilha para a lavagem de dinheiro". "Não há razão nenhuma para que alguém tenha um ativo patrimonial no Brasil de forma anônima", defende o desembargador.

"O dinheiro anônimo foi produto ou tem origem em outros crimes. Isso deve ser combatido de forma absolutamente segura e firme, mediante alteração da legislação que rege o mercado de capitais", propõe o desembargador.

LAVAGEM DE DINHEIRO

Quem tomou as rédeas do tema da lavagem de dinheiro do crime organizado no Supremo Tribunal Federal, segundo esclareceu Fachin, foi o ministro Flávio Dino, junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Em junho, Dino determinou ajustes no plano de reestruturação do órgão, que combate fraudes e a atuação de empresas sem autorização no mercado de capitais. O cenário das bets ilegais a serviço do crime organizado é um tema de "caráter transnacional", alertou o presidente do STF.

"Os serviços são localizados fora do Brasil, em empresas constituídas em outras nações, portanto em outras jurisdições, com a utilização de criptoativos, além da fragmentação internacional das transações, o que dificulta investigações, bloqueios patrimoniais e recuperações de ativos", explicou.

Compartilhe

Tags