Política | Notícia

Governo Lula repudia atuação de Flávio Bolsonaro em audiência sobre tarifas nos EUA

Planalto diz que Flávio age "claro objetivo eleitoreiro" e diz que ele omitiu a origem do caso Banco Master ao criticar o governo

Por Mariana de Sousa Publicado em 07/07/2026 às 19:42 | Atualizado em 07/07/2026 às 19:45

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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) repudiou a intervenção do senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na audiência pública que discutiu a investigação da Seção 301 e a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros, realizada nesta terça-feira (7) pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) e classificou sua atuação como de "claro objetivo eleitoreiro".

Em nota oficial, a Secretaria de Comunicação da Presidência afirmou que o parlamentar "não se posicionou contrário às medidas contra o Brasil". A manifestação acontece após o parlamentar participar da audiência em Washington e afirmar que as sobretaxas vêm sendo exploradas politicamente pelo governo Lula.

O senador pediu o adiamento das tarifas, defendeu o PIX como um sistema benéfico também para empresas americanas e criticou medidas adotadas pela gestão Lula, enquanto representantes do setor produtivo brasileiro também participaram da discussão para contestar as sanções comerciais.

Na nota, a Secretaria de Comunicação da Presidência ressalta que, dos 78 inscritos para falar na audiência, 63 se posicionaram contra o tarifaço e 15 foram favoráveis. Entre os 34 brasileiros inscritos, segundo o governo, apenas Flávio Bolsonaro não se manifestou contra as tarifas impostas pelos Estados Unidos.

O governo afirma que Flávio, "em vez de rebater as alegações infundadas do governo norte-americano para taxar o Brasil", "optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do nosso país". A nota também diz que Flávio Bolsonaro "não negou que a campanha promovida por sua família e seus aliados esteve na origem do tarifaço contra o Brasil".

O comunicado ainda critica declarações do senador sobre o ambiente digital e o PIX. Segundo o governo, Flávio defendeu a revogação de normas brasileiras voltadas ao combate de conteúdos criminosos e da violência contra mulheres nas plataformas digitais, medida que, de acordo com a nota, "só interessa a dois grupos: quem lucra com o caos e quem precisa dele para cometer crimes".

Sobre o PIX, o governo afirma que o senador tenta apresentar-se como defensor do sistema de pagamentos instantâneos, mas sustenta que ele "propõe subordinar o PIX aos interesses norte-americanos".

A nota também rebate declarações feitas por Flávio Bolsonaro sobre o caso Master e sobre as fraudes em descontos de aposentados e pensionistas do INSS. “Ao citar o caso Master, maior esquema de corrupção da história do país, omitiu sua origem vinculada ao governo de Jair Bolsonaro. Também esqueceu de mencionar seus próprios vínculos com Daniel Vorcaro, para quem pediu mais de 130 milhões de reais para, segundo ele alega, produzir um filme sobre o seu pai.”

O governo afirma ainda que negocia com os Estados Unidos desde julho de 2025 para reverter as tarifas e diz que, enquanto Flávio Bolsonaro participava da audiência em Washington, representantes de ministérios e do Palácio do Planalto mantinham reuniões técnicas com o USTR para tentar desfazer o tarifaço.

Ao final, a nota ainda afirma que "divergir do governo é legítimo", mas acrescenta que "convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à Pátria". "Há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país e ao povo brasileiro".

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