Ronaldo Caiado oficializa Kassab seu pré-candidato a vice na chapa e critica Flávio Bolsonaro
Anúncio foi realizado em ato na sede da legenda, em Brasília, nesta quarta-feira (1); Convenção nacional do PSD deve ocorrer no fim de julho
Clique aqui e escute a matéria
O pré-candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, anunciou nesta quarta-feira, 1º de julho, o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, como seu vice na disputa pelo Palácio do Planalto. Em ato na sede da legenda, em Brasília o ex-governador de Goiás também criticou o pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro.
"Se o Flávio chegar no segundo turno, com todo o respeito que ele merece, nós sabemos que realmente é tudo que o Lula quer: governar o Brasil por mais quatro anos", disse Caiado. "Chegando ao segundo turno, nós aglutinaremos todas as forças do País.
Na pesquisa presidencial AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira, o goiano aparece em quarto lugar, com 2,9% das intenções de voto. Caiado está atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que soma 46,3%, do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, com 36,6%, e de Renan Santos, que registra 7,8%. O ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo), com 2%, está tecnicamente empatado com o pré-candidato do PSD.
Com a decisão, Caiado e Kassab formam uma chapa de apenas um partido, diferentemente de outras pré-candidaturas que costumam buscar o nome de outra legenda para compor a candidatura à vice-presidência. Em seu discurso, Caiado destacou a capacidade de articulação de Kassab.
"Todos reconhecem, todos no Brasil, a sua capacidade de articular, a sua capacidade de poder construir, de dialogar, de trazer aquilo que é impossível na política, você consegue conciliar", afirmou o goiano. "se nós chegarmos no segundo turno nós teremos os votos dos independentes e nós ganharemos, e bateremos o Lula no segundo turno."
Kassab é fundador e presidente nacional do PSD desde 2011 e comanda uma das maiores estruturas partidárias do País, com mais de 1.300 prefeitos filiados. Além disso, foi ministro das Cidades no governo Dilma Rousseff (PT), entre 2015 e 2016, e ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações na gestão Michel Temer (MDB), de 2016 a 2019.
Ele assumiu a Prefeitura de São Paulo em 2006, após a renúncia de José Serra (PSDB) para disputar o governo do Estado, e foi reeleito em 2008, tornando-se o primeiro prefeito da capital paulista a conquistar dois mandatos consecutivos.
Em 2023, assumiu a Secretaria de Governo e Relações Institucionais na gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos), a quem apoiou nas eleições de 2022 e para quem indicou o vice. Desde então, passou a articular sua indicação para compor a chapa de reeleição do governador. Tarcísio, porém, decidiu manter Felício Ramuth, que deixou o PSD e se filiou ao MDB para permanecer no posto. Após o esvaziamento da articulação e uma sequência de atritos com aliados, Kassab deixou a secretaria em março.
A convenção nacional do PSD deve ocorrer no fim de julho. Na ocasião, o partido deve oficializar a candidatura de Caiado e Kassab para o Palácio do Planalto.
Kassab, sobre chapa 'puro sangue' do PSD: Não tivemos conversa com nenhum outro partido
O presidente nacional do PSD afirmou que o partido não conversou com outras legendas sobre a indicação de um candidato a vice. Em conversa com jornalistas, Kassab afirmou que não há crise na campanha de Caiado pela ausência de palanques de governadores estaduais do PSD.
"Não tem crise nenhuma", salientou.
O dirigente disse que o partido respeitará as circunstâncias locais, citou a necessidade de o ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes, construir sua própria candidatura ao governo fluminense e declarou torcer pela reeleição da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, cujo nome, segundo ele, será incorporado à campanha presidencial.
Kassab também disse que o candidato apoiado pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é Flávio Bolsonaro (PL), mas afirmou que isso não representa um problema para a chapa do PSD.
Durante o evento, Kassab afirmou que a entrada de Caiado na corrida presidencial representa um momento especial para o PSD. O dirigente disse ter convicção de que a República vive um quadro de deterioração institucional e afirmou que os Poderes estão contaminados pela ineficiência, o que, segundo ele, abala a confiança da sociedade.
Kassab também criticou os governos dos últimos 30 anos por, em sua avaliação, não terem conseguido combater a corrupção, ampliar a transparência no uso dos recursos públicos ou promover uma reforma administrativa. Segundo ele, em vez de reformas, sucessivas gestões têm recorrido ao aumento da carga tributária.
O presidente do PSD afirmou ainda que estará ao lado de Caiado nas missões que o ex-governador de Goiás considerar necessárias.
"Você sabe que contará com a minha participação nas missões que você entender que sejam necessárias", declarou.
Além de Caiado e Kassab, discursaram no evento o presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), Alfredo Cotait Neto, o deputado federal Saulo Pedroso (PSD-SP) e o senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO). O governador de Goiás e sucessor de Caiado no Estado, Daniel Vilela (MDB), também esteve presente.