Wellington Dias procura João Campos após crise sobre palanque de Lula em Pernambuco, diz site
Segundo o Metrópoles, ministro ligou para o ex-prefeito do Recife e presidente do PSB, para afirmar que sua declaração foi mal interpretada
Clique aqui e escute a matéria
O ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias (PT), procurou o ex-prefeito do Recife e presidente nacional do PSB, João Campos, após a repercussão provocada por sua declaração sobre um eventual palanque duplo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Pernambuco. A informação foi divulgada pelo portal Metrópoles nesta terça-feira (9).
De acordo com a publicação, Wellington, que é coordenador da campanha de Lula no Nordeste, teria telefonado para João Campos na segunda-feira (8) e novamente nesta terça-feira, em uma tentativa de reduzir o desgaste causado pela entrevista concedida ao jornal O Globo, na qual afirmou que o presidente teria mais de um palanque em estados como Pernambuco, Maranhão e Paraíba.
Segundo o Metrópoles, o ministro afirmou ao dirigente socialista que sua declaração teria sido "mal interpretada". A reportagem também aponta que Wellington buscou esclarecer que sua fala não significaria uma mudança na estratégia já definida pelo PT para a disputa em Pernambuco.
O episódio teve início após a publicação da entrevista ao O Globo, no último domingo (7). Ao ser questionado sobre a possibilidade de palanque duplo no Estado, Wellington respondeu de forma afirmativa.
"Sim. Lá temos o João Campos e a Raquel Lyra", declarou o ministro ao jornal.
Na mesma entrevista, ele acrescentou:
"Vamos lembrar que ela (Raquel Lyra) se colocou primeiro como oposição e no segundo turno teve uma posição mais de neutralidade, mas uma parte considerável do nosso time ficou com ela", complementou.
A declaração provocou desconforto entre dirigentes do PSB e do PT em Pernambuco, uma vez que o partido formalizou, ainda em março, apoio à pré-candidatura de João Campos ao Governo do Estado. O ato político contou com a presença da militância petista e marcou também o lançamento da pré-candidatura do senador Humberto Costa (PT) à reeleição.
Na segunda-feira (8), o presidente nacional do PT, Edinho Silva, desautorizou publicamente a fala do ministro. Também em entrevista ao O Globo, ele afirmou que o presidente Lula terá apenas um palanque em Pernambuco.
"Essa posição está clara desde o início, em Pernambuco o presidente Lula tem um único palanque, é o do João Campos. O PSB é o maior aliado do PT no Brasil todo. Esse ruído é desnecessário", declarou Edinho.
Segundo o próprio O Globo, João Campos teria procurado Edinho Silva para pedir esclarecimentos após a repercussão da entrevista de Wellington Dias. O ex-prefeito do Recife, além de pré-candidato ao Governo de Pernambuco, é presidente nacional do PSB e participa diretamente das articulações nacionais da legenda com o PT para as eleições de 2026.
Ao Jornal do Commercio, o presidente estadual do PT, deputado federal Carlos Veras, reforçou que a posição do partido em Pernambuco segue alinhada à orientação nacional.
"O que nós construímos aqui foi em sintonia com o presidente Lula e com o presidente Edinho, que coordena a campanha de Lula. Aqui nós temos um palanque, um time montado", afirmou.
Veras também ressaltou que a aliança com o PSB foi construída conjuntamente pelas direções estadual e nacional da sigla.
"Foi algo construído com o presidente Edinho e com o presidente Lula. Não foi uma coisa da cabeça de Carlos Veras ou da direção simplesmente. Foi uma decisão tomada pelo PT nacional, pelo presidente Lula", disse.
Em nota, a direção estadual petista reafirmou que "a campanha do presidente Lula à reeleição só terá um palanque aqui em nosso estado, formado com o PSB e comandado" por João Campos.
O presidente estadual do PSB, deputado Sileno Guedes, também minimizou os efeitos da declaração de Wellington Dias. Em entrevista à Rádio Folha, nesta terça-feira (9), afirmou que o episódio foi superado após o posicionamento da direção nacional do PT.
"Não sei o que levou o ministro a dar essa declaração, mas foi uma declaração que, por si só, se desmanchou por conta da palavra do presidente nacional do partido e por conta da relação que João Campos tem com o presidente Lula, como presidente nacional do PSB, um dos partidos mais importantes da aliança que levará o presidente Lula à reeleição", declarou.
O novo movimento relatado pelo Metrópoles ocorre após dois dias de repercussão política em torno do tema e indica uma tentativa de conter os efeitos da declaração do ministro em um dos estados considerados estratégicos para a aliança entre PT e PSB nas eleições de 2026.
Até o momento, João Campos não se posicionou publicamente sobre o assunto, apesar das publicações do Globo e do Metrópoles indicarem que o presidente nacional do PSB está ativo em torno do tema.
Já a governadora Raquel Lyra (PSD), quando questionada sobre a fala de Wellington Dias, tem adotado um discurso de reconhecimento à parceria institucional com o presidente Lula e o governo federal em Pernambuco, evitando tratar diretamente de cenários eleitorais para 2026.
"Qual é a nossa relação com o presidente? Uma relação baseada no trabalho e na entrega. [...] Eu sou grata ao presidente e aos seus ministros. Isso é indiscutível", disse Raquel Lyra, em entrevista à CNN Brasil, nesta terça-feira.