EUA propõem tarifa adicional ao Brasil, à UE e a outros 58 países por trabalho forçado
De acordo com o representante comercial dos EUA, a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado acarretam desvantagem
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O Escritório Comercial dos Estados Unidos (USTR) propôs a criação de tarifas de importação adicionais ao Brasil, à União Europeia e a outros 58 países devido à "falha em impor e aplicar efetivamente uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado". Segundo o órgão, a prática "onera ou restringe" o comércio americano.
No caso do Brasil e de outros 54 países, a nova taxação será de 12,5%. Canadá, Equador, Indonésia, México, Paquistão e União Europeia serão submetidos a uma taxa de 10%, por causa da tentativa de impedir a importação de produtos que teriam mão-de-obra irregular.
A decisão foi publicada no final da noite da terça-feira, 2, e resulta de uma investigação contra a importação de bens produzidos com trabalho análogo à escravidão.
O anúncio já era esperado por empresários brasileiros. Caso seja aplicada, a cobrança, no caso do Brasil, se somaria à tarifa de 25% anunciada pelo USTR na véspera, como resultado de uma investigação sobre as práticas comerciais do Brasil.
De acordo com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado acarretam um cenário no qual o comércio americano compete em desvantagem em nível global.
AUMENTO DO IMPACTO NO PAÍS
Determinados produtos brasileiros poderão estar sujeitos a tarifas adicionais acumuladas de até 37,5% impostas pelo governo Donald Trump, elevando o custo de acesso ao mercado norte-americano e colocando o Brasil entre os países com maior nível de tarifação para exportar aos Estados Unidos, afirma a Amcham Brasil, em nota.
Além do conjunto de tarifas propostas na investigação da Seção 301 específica para o Brasil, informado em 1º de junho, o cálculo também considera um relatório divulgado pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) sobre a investigação da Seção 301 referente ao trabalho forçado envolvendo cerca de 60 países. Neste segundo caso, a recomendação é a aplicação de tarifas adicionais sobre produtos originários desses mercados, prevendo dois níveis de taxação: 10% e 12,5%.
O Brasil está incluído no grupo sujeito à alíquota mais elevada, segundo a Amcham. A instituição crava que, neste cenário, "torna-se ainda mais relevante avançar em uma solução negociada para a investigação da Seção 301 envolvendo especificamente o Brasil, de forma a evitar que as exportações brasileiras enfrentem condições de acesso menos favoráveis do que as de seus principais concorrentes no mercado norte-americano, especialmente em produtos industriais".
A Amcham Brasil diz que seguirá apoiando o diálogo entre os dois governos e iniciativas que contribuam para o fortalecimento da parceria econômica bilateral.