Uma obra só não resolve o problema dos alagamentos do Recife, avalia prefeito Victor Marques
Em entrevista à Rádio Jornal, prefeito citou estudo feito com especialistas holandeses, listou obras atuais, mas evitou prazo para solução definitiva
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O prefeito do Recife, Victor Marques (PCdoB), afirmou nesta terça-feira (12) que não existe uma obra isolada capaz de resolver o problema dos alagamentos na capital pernambucana. Em entrevista à Rádio Jornal, ele explicou que a solução passa por um conjunto de intervenções de macrodrenagem na bacia do Rio Tejipió, e que o planejamento dessas obras só foi possível após um estudo técnico iniciado em 2022.
Marques situou o problema geograficamente. Grande parte do Recife, num trecho que vai da Abdias de Carvalho até uma faixa do Ibura, está dentro da bacia do Rio Tejipió Ele reconheceu que, no início da gestão, a prefeitura não dispunha sequer de um diagnóstico técnico preciso sobre o comportamento hídrico da bacia.
"Se em 2021 ou 2022 caísse uma chuva de dinheiro para executar obras de macrodrenagem na bacia do Rio Tejipió, não se saberia o que deveria ser feito. De fato, é uma solução complexa", disse.
Para suprir essa lacuna, a prefeitura contratou especialistas holandeses e os principais professores de macrodrenagem do Brasil. O trabalho, segundo Victor, resultou na modelagem hidrodinâmica completa da bacia do Rio Tejipió.
"Se chover 10 milímetros com influência da maré, qual o impacto? Não se sabia disso. Hoje a gente tem a modelagem da bacia inteira", afirmou Marques. Com esse mapeamento, segundo o gestor, tornou-se possível projetar a infraestrutura necessária e definir quais obras precisam ser feitas e em que ordem.
Obras em andamento, mas sem prazo
O prefeito citou os reservatórios da Imbiribeira como obras já em execução para dirimir os problemas. Também mencionou o Canal da Mauricéia e a criação de parques alagáveis como parte do pacote de intervenções previstas.
"Essas obras impactam positivamente? Sim. Sozinhas resolvem? Não. Quando cada obra for sendo executada, ela impacta positivamente e vai melhorando", disse.
Marques evitou estabelecer um prazo para a conclusão do conjunto de intervenções. "Quanto antes a gente puder fazer essas obras, melhor", limitou-se a dizer.
Defesa Civil e áreas de risco
Na mesma entrevista, o prefeito abordou a atuação da Defesa Civil no monitoramento de encostas e áreas de risco. Segundo ele, os agentes visitam todos os imóveis construídos em áreas vulneráveis, realizam simulações de evacuação e mapeiam rotas de fuga.
Questionado sobre o caso de Dois Unidos, área que registrou mortes recentes em decorrência de deslizamento de barreira, Marques afirmou que, em um raio de 1 km daquela localidade, a prefeitura tem mais de R$ 50 milhões em investimentos. As ações incluem instalação de lonas, aplicação de geomanta e obras coletivas de proteção de encosta.
O prefeito, porém, admitiu que o monitoramento de risco não pode ser estático. "Nós vivemos numa cidade em que a cada minuto, muda. Nesse momento, o desenho de uma encosta pode estar sendo alterado. Se a pessoa faz um corte para construir um banheiro, se planta bananeira... tem que ter acompanhamento", disse.
COP como centro de decisão
Marques também destacou o papel do Centro de Operações do Recife (COP) na gestão das chuvas. Segundo ele, a estrutura reúne representantes de todos os órgãos com atuação em campo, como CTTU e Emlurb, e permite que as decisões sejam tomadas de forma integrada e técnica.
Como exemplo, citou o cruzamento entre dados de chuva e previsão de maré: quando ambos os fatores coincidem em níveis críticos, o COP emite alertas orientando a população a evitar deslocamentos.
"Antes, a gente não tinha quem dissesse como é o comportamento da cidade. O COP hoje é uma estrutura, tem uma sala, mas por essência ele é uma forma de trabalhar", afirmou o prefeito.