Política | Notícia

Ex-deputado estadual é exonerado do governo após operação que investiga desvio de R$ 2,8 mi na Alepe

Leonardo Dias é alvo, ao lado do pai, Romário Dias, de uma operação que apura esquema de rachadinha em gabinete da Alepe entre 2015 e 2019

Por JC Publicado em 16/04/2026 às 10:11 | Atualizado em 16/04/2026 às 11:05

Clique aqui e escute a matéria

O governo de Pernambuco exonerou o ex-deputado estadual Leonardo Dias do cargo que ocupava na Secretaria de Desenvolvimento Profissional e Empreendedorismo. Ele é um dos alvos da operação Draft, que investiga um esquema de desvio de pelo menos R$ 2,8 milhões em gabinete da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).

A exoneração foi publicada no Diário Oficial do Estado desta quinta-feira (16), um dia após a Polícia Civil deflagrar a operação.

O ex-parlamentar ocupava o cargo de Secretário Executivo de Micro e Pequena Empresa e Fomento ao Empreendedorismo desde 24 de março de 2025. No lugar dele assume Sandoval da Silva Figueiredo.

Leonardo foi eleito deputado estadual em 2010, pelo PSB, e cumpriu mandato entre os anos de 2011 e 2014. Ele é filho do também ex-deputado e ex-conselheiro do Tribunal de Contas de Pernambuco Romário Dias, que também foi alvo da investigação da Polícia Civil. Romário foi eleito deputado em 2014 e reeleito para segundo mandato em 2018.

A operação

A investigação apura um esquema de rachadinha e funcionários-fantasmas que teria operado no gabinete do deputado estadual Romário Dias entre 2015 e 2019. Segundo o inquérito policial, mais de 30 pessoas contratadas pelo gabinete participaram do esquema.

Os salários variavam entre R$ 6 mil e R$ 18 mil mensais, mas quase todo o valor era devolvido aos organizadores do esquema, conforme revelou a coluna Segurança, deste JC.

"Tratava-se de um gabinete do crime para desvio de verbas públicas. Os funcionários-fantasmas tinham que devolver quase a totalidade dos salários. Eles ficavam apenas com R$ 300", afirmou o delegado Juliano Ferronato, da 1ª Delegacia de Combate ao Crime Organizado, do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco).

O prejuízo apurado até o momento chega a R$ 2,8 milhões. A Polícia Civil suspeita, no entanto, que o esquema possa ter continuado até 2024, o que elevaria o total desviado a R$ 6 milhões.

As investigações foram iniciadas em 2023, a partir do compartilhamento de provas oriundas de outro processo. O material estava sob responsabilidade do Ministério Público Federal (MPF), que apurava o desvio milionário de recursos públicos em obras de requalificação da BR-101, na região do Grande Recife.

As provas compartilhadas apontaram para o esquema dentro da Alepe e deram origem ao inquérito que culminou na Operação Draft.

Compartilhe

Tags