Lula diz que ainda não decidiu candidatura à reeleição: "Vou ter que apresentar algo novo para o país"
Presidente diz que decisão será tomada nas convenções e condiciona entrada na corrida à apresentação de um novo programa de governo
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (8) que ainda não decidiu se será candidato à reeleição, mas reconheceu que “dificilmente” ficará fora da disputa presidencial deste ano.
Em entrevista ao portal ICL Notícias, Lula condicionou a eventual candidatura à apresentação de um novo programa de governo e à construção de uma aliança política capaz de sustentar sua campanha.
“Eu falo que não decidi ser candidato ainda, mas vai ter uma convenção no meio de junho. Para decidir, vou ter que apresentar um programa, uma coisa nova para esse país”, declarou.
Apesar de colocar a decisão em aberto, o presidente sinalizou fortemente que deve entrar na disputa.
"Todo mundo sabe que dificilmente eu deixarei de ser candidato”, afirmou.
Novo programa de governo e reconstrução de alianças
Ao justificar a necessidade de um novo plano de governo, Lula disse que pretende evitar a repetição de ciclos de avanços e retrocessos sociais.
“Alguma coisa para que a gente não fique só ‘entra um mandato, acaba com a fome, sai, volta e a fome está de volta outra vez’”, disse.
O presidente também reforçou o discurso de polarização política ao defender a reconstrução de alianças como estratégia para enfrentar adversários.
“Eu vou pleitear a necessidade de a gente reconstruir uma aliança política forte para que a gente não permita que os fascistas voltem a governar esse país”, afirmou.
Na entrevista, Lula também destacou sua trajetória como ativo político. “Eu tenho o acúmulo de experiência que ninguém tem nesse país”, disse.
Definição sobre candidatura apenas nas convenções partidárias
Segundo o presidente, a definição sobre a candidatura deve ocorrer durante as convenções partidárias, previstas para o meio do ano.
A declaração ocorre em um momento em que Lula enfrenta desgaste político e precisa recompor sua base de apoio, ao mesmo tempo em que articula alianças para viabilizar uma nova candidatura.
Eleito em 2022 com o discurso de que não disputaria novamente o cargo, o petista passou a admitir a possibilidade de concorrer à reeleição após a posse, condicionando a decisão a fatores como saúde e cenário político.
Nos bastidores, o PT também trabalha com alternativas para o futuro da sigla. Recentemente, Lula citou o nome do ministro Camilo Santana como uma liderança em potencial para disputar a Presidência no futuro, em movimento que indica preocupação com a sucessão dentro do partido.