Janela partidária redesenha forças na Alepe e consolida maioria governista
Siglas como PSD e Podemos ganham presença, enquanto PSDB e Solidariedade perdem espaço e protagonismo na nova configuração política
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Encerrada a janela partidária, período em que deputados puderam trocar de legenda sem risco de perda de mandato, a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) passa a operar sob uma nova correlação de forças, marcada pela consolidação da base de apoio à governadora Raquel Lyra (PSD) e pela reorganização do campo oposicionista.
Ao longo do período, que teve início em 5 de março e foi encerrado na última sexta-feira (3), 28 deputados estaduais mudaram de partido.
O principal beneficiado foi o PSD, partido presidido por Raquel Lyra em Pernambuco. A sigla não tinha representação na Alepe antes da janela e passou a contar com nove parlamentares, se consolidando como um dos principais pilares da base governista.
A migração em direção ao PSD, somada a movimentos em outras legendas alinhadas ao Palácio do Campo das Princesas, garante ao governo uma maioria confortável para avançar com as agendas do interesse da governadora.
A oposição, por sua vez, se reorganiza principalmente em torno do PSB, que perdeu uma cadeira mas se mantém como principal polo adversário na Casa. Com oito deputados, o partido preserva a terceira maior bancada e reforça sua posição com o retorno de Diogo Moraes e Waldemar Borges, que haviam deixado a legenda durante o episódio da CPI da Publicidade, no ano passado.
Apesar disso, a maior bancada da Alepe é do Progressistas, que encerra a janela com 10 deputados. Quando somado ao União Brasil, com quem forma federação, o grupo alcança 11 cadeiras, se consolidando como força relevante dentro do bloco governista.
No consolidado, a governadora passa a contar com 35 deputados em sua base de apoio, contra 12 parlamentares de oposição e dois independentes, configurando um cenário de predominância governista, ainda que com espaço para tensão em votações mais sensíveis.
As novas configurações partidárias
A federação formada por PT, PV e PCdoB permanece integrada ao campo governista e reúne oito parlamentares, mas com dois casos de dissidência: Dani Portela e João Paulo Costa, que ingressaram no PT e fazem coro de oposição à governadora.
Outro destaque é o Podemos, que não tinha representação e emerge da janela com seis deputados. Entre eles está Edson Vieira, que deixou a oposição e passou a integrar a base. O Partido Novo também não tinha representantes e passou a ter Renato Antunes.
Já o Partido Liberal encerra o período com dois deputados a menos, mas preservando três cadeiras: são dois deputados independentes mais o deputado Alberto Feitosa, que se mantém como uma das vozes mais firmes da oposição, inclusive à frente da Comissão de Justiça. O MDB, por sua vez, segue somente com o presidente da Assembleia, Álvaro Porto, em forte oposição ao governo.
Ao todo, cinco partidos deixaram de existir na Alepe após a janela partidária:
- o PSDB perdeu seus quatro representantes;
- o PSOL e o PCdoB ficaram sem as únicas cadeiras que tinham;
- o Solidariedade viu toda a bancada migrar para o Podemos;
- e o PRD teve seus dois representantes migrando para o PSD e PSB.
Veja todas as mudanças de partido da Alepe
| Nome | Partido anterior | Novo partido |
|---|---|---|
| Abimael Santos | PL | Não mudou de partido |
| Adalto Santos | PP | Não mudou de partido |
| Aglailson Victor | PSB | PSD |
| Álvaro Porto | PSDB | MDB |
| Antonio Coelho | União | Não mudou de partido |
| Antônio Moraes | PP | PSD |
| Cayo Albino | PSB | Não mudou de partido |
| Claudiano Martins Filho | PP | Não mudou de partido |
| Coronel Alberto Feitosa | PL | Não mudou de partido |
| Dani Portela | PSOL | PT |
| Dannilo Godoy | PSB | PP |
| Débora Almeida | PSDB | PSD |
| Delegada Gleide Ângelo | PSB | PP |
| Diogo Moraes | PSDB | PSB |
| Doriel Barros | PT | Não mudou de partido |
| Edson Vieira | União | PODEMOS |
| Fabrizio Ferraz | Solidariedade | PODEMOS |
| France Hacker | PSB | PP |
| Francismar Pontes | PSB | Não mudou de partido |
| Gilmar Júnior | PV | Não mudou de partido |
| Gustavo Gouveia | Solidariedade | PODEMOS |
| Henrique Queiroz Filho | PP | Não mudou de partido |
| Izaías Régis | PSDB | PSD |
| Jarbas Filho | MDB | PSD |
| Jeferson Timóteo | PP | PODEMOS |
| João de Nadegi | PV | Não mudou de partido |
| João Paulo | PT | Não mudou de partido |
| João Paulo Costa | PCdoB | PT |
| Joãozinho Tenório | PRD | PSD |
| Joaquim Lira | PV | Não mudou de partido |
| Joel da Harpa | PL | PP |
| Junior Matuto | PRD | REPUBLICANOS |
| Luciano Duque | Solidariedade | PODEMOS |
| Mário Ricardo | Republicanos | PODEMOS |
| Nino de Enoque | PL | Não mudou de partido |
| Pastor Cleiton Collins | PP | Não mudou de partido |
| Pastor Júnior Tércio | PP | Não mudou de partido |
| Renato Antunes | PL | NOVO |
| Roberta Arraes | PP | Não mudou de partido |
| Rodrigo Farias | PSB | Não mudou de partido |
| Romero Albuquerque | União | PSB |
| Romero Sales Filho | União | PSD |
| Rosa Amorim | PT | Não mudou de partido |
| Sileno Guedes | PSB | Não mudou de partido |
| Simone Santana | PSB | Não mudou de partido |
| Socorro Pimentel | União | PSD |
| Waldemar Borges | MDB | PSB |
| Wanderson Florêncio | Solidariedade | PODEMOS |
| William Brigido | Republicanos | PSD |
Reconfiguração das comissões
Com a nova composição parlamentar, a tendência é que o governo amplie sua capacidade de articulação interna, sobretudo na definição das comissões permanentes.
A partir do dia 4, os partidos que ampliaram suas bancadas passam a ter o direito de solicitar a redistribuição das vagas nos colegiados, conforme prevê o regimento interno, que estabelece a proporcionalidade de acordo com o tamanho das representações partidárias.
O foco principal do governo está nas comissões de Constituição, Legislação e Justiça (CCLJ) e de Administração Pública, consideradas estratégicas para a tramitação de projetos. Atualmente, esses colegiados têm presidência e maioria de integrantes ligados à oposição, o que impôs dificuldades à agenda do Executivo ao longo do mandato.
Os presidentes e vice-presidentes das comissões não podem ser alterados, uma vez que foram eleitos internamente para mandatos de dois anos. A aposta do governo, portanto, está na recomposição das cadeiras, com o objetivo de formar maioria e reduzir a capacidade de obstrução da oposição.
Para isso, os partidos devem formalizar os pedidos de recálculo da distribuição das vagas ao presidente da Assembleia, Álvaro Porto. É ele quem conduzirá o processo e definirá a nova composição dos colegiados, sem prazo regimental estabelecido para a decisão.
Mudanças na Câmara Federal
A configuração da bancada federal de Pernambuco também foi redesenhada com a janela partidária. O PSD da governadora Raquel Lyra, que não contava com nenhum representante, passa a ter três deputados federais após as filiações de Fernando Monteiro, Guilherme Uchôa Jr. e Túlio Gadêlha.
A movimentação também envolve mudanças estratégicas em outras siglas. Fernando Rodolfo deixou o PL e migrou para o PRD, enquanto Mendonça Filho fez o caminho inverso ao sair do União Brasil para reforçar o PL. Já Pastor Eurico também deixou o PL, mas seguiu para o PSDB, contribuindo para recomposição da legenda em apoio à governadora.
O PSB, por sua vez, registrou uma baixa e uma reposição: perdeu Guilherme Uchôa e ganhou Maria Arraes, que saiu do Solidariedade para se filiar à sigla socialista em apoio a João Campos. O MDB, por sua vez, recebeu Luciano Bivar, que deixou o União Brasil.