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Janela partidária redesenha forças na Alepe e consolida maioria governista

Siglas como PSD e Podemos ganham presença, enquanto PSDB e Solidariedade perdem espaço e protagonismo na nova configuração política

Por Rodrigo Fernandes Publicado em 04/04/2026 às 0:01 | Atualizado em 06/04/2026 às 10:39

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Encerrada a janela partidária, período em que deputados puderam trocar de legenda sem risco de perda de mandato, a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) passa a operar sob uma nova correlação de forças, marcada pela consolidação da base de apoio à governadora Raquel Lyra (PSD) e pela reorganização do campo oposicionista.

Ao longo do período, que teve início em 5 de março e foi encerrado na última sexta-feira (3), 28 deputados estaduais mudaram de partido.

O principal beneficiado foi o PSD, partido presidido por Raquel Lyra em Pernambuco. A sigla não tinha representação na Alepe antes da janela e passou a contar com nove parlamentares, se consolidando como um dos principais pilares da base governista.

A migração em direção ao PSD, somada a movimentos em outras legendas alinhadas ao Palácio do Campo das Princesas, garante ao governo uma maioria confortável para avançar com as agendas do interesse da governadora.

A oposição, por sua vez, se reorganiza principalmente em torno do PSB, que perdeu uma cadeira mas se mantém como principal polo adversário na Casa. Com oito deputados, o partido preserva a terceira maior bancada e reforça sua posição com o retorno de Diogo Moraes e Waldemar Borges, que haviam deixado a legenda durante o episódio da CPI da Publicidade, no ano passado.

Apesar disso, a maior bancada da Alepe é do Progressistas, que encerra a janela com 10 deputados. Quando somado ao União Brasil, com quem forma federação, o grupo alcança 11 cadeiras, se consolidando como força relevante dentro do bloco governista.

No consolidado, a governadora passa a contar com 35 deputados em sua base de apoio, contra 12 parlamentares de oposição e dois independentes, configurando um cenário de predominância governista, ainda que com espaço para tensão em votações mais sensíveis.

As novas configurações partidárias

A federação formada por PT, PV e PCdoB permanece integrada ao campo governista e reúne oito parlamentares, mas com dois casos de dissidência: Dani Portela e João Paulo Costa, que ingressaram no PT e fazem coro de oposição à governadora.

Outro destaque é o Podemos, que não tinha representação e emerge da janela com seis deputados. Entre eles está Edson Vieira, que deixou a oposição e passou a integrar a base. O Partido Novo também não tinha representantes e passou a ter Renato Antunes.

Já o Partido Liberal encerra o período com dois deputados a menos, mas preservando três cadeiras: são dois deputados independentes mais o deputado Alberto Feitosa, que se mantém como uma das vozes mais firmes da oposição, inclusive à frente da Comissão de Justiça. O MDB, por sua vez, segue somente com o presidente da Assembleia, Álvaro Porto, em forte oposição ao governo.

Ao todo, cinco partidos deixaram de existir na Alepe após a janela partidária:

  • o PSDB perdeu seus quatro representantes;
  • o PSOL e o PCdoB ficaram sem as únicas cadeiras que tinham;
  • o Solidariedade viu toda a bancada migrar para o Podemos;
  • e o PRD teve seus dois representantes migrando para o PSD e PSB.

Veja todas as mudanças de partido da Alepe

Nome Partido anterior Novo partido
Abimael Santos PL Não mudou de partido
Adalto Santos PP Não mudou de partido
Aglailson Victor PSB PSD
Álvaro Porto PSDB MDB
Antonio Coelho União Não mudou de partido
Antônio Moraes PP PSD
Cayo Albino PSB Não mudou de partido
Claudiano Martins Filho PP Não mudou de partido
Coronel Alberto Feitosa PL Não mudou de partido
Dani Portela PSOL PT
Dannilo Godoy PSB PP
Débora Almeida PSDB PSD
Delegada Gleide Ângelo PSB PP
Diogo Moraes PSDB PSB
Doriel Barros PT Não mudou de partido
Edson Vieira União PODEMOS
Fabrizio Ferraz Solidariedade PODEMOS
France Hacker PSB PP
Francismar Pontes PSB Não mudou de partido
Gilmar Júnior PV Não mudou de partido
Gustavo Gouveia Solidariedade PODEMOS
Henrique Queiroz Filho PP Não mudou de partido
Izaías Régis PSDB PSD
Jarbas Filho MDB PSD
Jeferson Timóteo PP PODEMOS
João de Nadegi PV Não mudou de partido
João Paulo PT Não mudou de partido
João Paulo Costa PCdoB PT
Joãozinho Tenório PRD PSD
Joaquim Lira PV Não mudou de partido
Joel da Harpa PL PP
Junior Matuto PRD REPUBLICANOS
Luciano Duque Solidariedade PODEMOS
Mário Ricardo Republicanos PODEMOS
Nino de Enoque PL Não mudou de partido
Pastor Cleiton Collins PP Não mudou de partido
Pastor Júnior Tércio PP Não mudou de partido
Renato Antunes PL NOVO
Roberta Arraes PP Não mudou de partido
Rodrigo Farias PSB Não mudou de partido
Romero Albuquerque União PSB
Romero Sales Filho União PSD
Rosa Amorim PT Não mudou de partido
Sileno Guedes PSB Não mudou de partido
Simone Santana PSB Não mudou de partido
Socorro Pimentel União PSD
Waldemar Borges MDB PSB
Wanderson Florêncio Solidariedade PODEMOS
William Brigido Republicanos PSD

Reconfiguração das comissões

Com a nova composição parlamentar, a tendência é que o governo amplie sua capacidade de articulação interna, sobretudo na definição das comissões permanentes.

A partir do dia 4, os partidos que ampliaram suas bancadas passam a ter o direito de solicitar a redistribuição das vagas nos colegiados, conforme prevê o regimento interno, que estabelece a proporcionalidade de acordo com o tamanho das representações partidárias.

O foco principal do governo está nas comissões de Constituição, Legislação e Justiça (CCLJ) e de Administração Pública, consideradas estratégicas para a tramitação de projetos. Atualmente, esses colegiados têm presidência e maioria de integrantes ligados à oposição, o que impôs dificuldades à agenda do Executivo ao longo do mandato.

Os presidentes e vice-presidentes das comissões não podem ser alterados, uma vez que foram eleitos internamente para mandatos de dois anos. A aposta do governo, portanto, está na recomposição das cadeiras, com o objetivo de formar maioria e reduzir a capacidade de obstrução da oposição.

Para isso, os partidos devem formalizar os pedidos de recálculo da distribuição das vagas ao presidente da Assembleia, Álvaro Porto. É ele quem conduzirá o processo e definirá a nova composição dos colegiados, sem prazo regimental estabelecido para a decisão.

Roberta Guimarães/Alepe
Governo buscará ampliar a quantidade de membros nas comissões da Alepe - Roberta Guimarães/Alepe

Mudanças na Câmara Federal

A configuração da bancada federal de Pernambuco também foi redesenhada com a janela partidária. O PSD da governadora Raquel Lyra, que não contava com nenhum representante, passa a ter três deputados federais após as filiações de Fernando Monteiro, Guilherme Uchôa Jr. e Túlio Gadêlha.

A movimentação também envolve mudanças estratégicas em outras siglas. Fernando Rodolfo deixou o PL e migrou para o PRD, enquanto Mendonça Filho fez o caminho inverso ao sair do União Brasil para reforçar o PL. Já Pastor Eurico também deixou o PL, mas seguiu para o PSDB, contribuindo para recomposição da legenda em apoio à governadora.

O PSB, por sua vez, registrou uma baixa e uma reposição: perdeu Guilherme Uchôa e ganhou Maria Arraes, que saiu do Solidariedade para se filiar à sigla socialista em apoio a João Campos. O MDB, por sua vez, recebeu Luciano Bivar, que deixou o União Brasil.

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