Caso Master: Mensagens entre Vorcaro e Moraes expõem novamente STF
As conversas teriam ocorrido ao longo de todo o dia 17 de novembro de 2025, data em que o banqueiro foi preso pela Polícia Federal pela primeira vez
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O vazamento de diálogos mantidos pelo WhatsApp entre o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, pelo jornal O Globo, colocou a Corte mais uma vez no centro de uma crise de contornos institucionais.
As conversas teriam ocorrido ao longo de todo o dia 17 de novembro de 2025, exata data em que o banqueiro foi preso pela Polícia Federal (PF) pela primeira vez.
De acordo com dados extraídos do celular do executivo, segundo O Globo, Vorcaro prestava contas ao ministro sobre as negociações para a venda do banco e discutia o avanço de um inquérito sigiloso que tramitava na Justiça Federal de Brasília.
A cronologia dos fatos aponta que, enquanto dialogava com o magistrado, o banqueiro monitorava as investigações, chegando a perguntar diretamente a Moraes, às 18h32: "Conseguiu ter notícia ou bloquear?".
A divergência sobre as provas
O caso revelou um embate direto entre as notas oficiais do STF e as apurações de O Globo baseadas em laudos da PF. Em nota, o Supremo negou que as mensagens tenham sido enviadas a Alexandre de Moraes.
A Corte argumentou que, nos arquivos entregues à CPI do INSS por ordem do ministro André Mendonça, os "prints" feitos por Vorcaro estavam guardados em pastas vinculadas a outros contatos telefônicos do computador do executivo, e não direcionados ao ministro.
O STF informou ainda que não revelaria os verdadeiros destinatários em respeito ao sigilo decretado no caso.
No entanto, reportagens do jornal O Globo contestam a versão oficial. A extração dos dados não se baseou apenas na coincidência de horários entre os rascunhos de Vorcaro e os envios.
A Polícia Federal utilizou um software específico capaz de reverter a restrição de "visualização única" do WhatsApp, permitindo exibir conjuntamente a tela da conversa e as imagens enviadas.
Segundo o material analisado, o número e o nome do ministro Alexandre de Moraes constam no envio das mensagens e foram devidamente checados.
Os registros mostram que o número utilizado por Moraes respondeu quatro vezes com imagens de visualização única e reagiu com emojis de aprovação (polegar levantado) à primeira e à última mensagem de Vorcaro.
Prisão e investigação do vazamento
Na última comunicação registrada entre os dois, às 20h48, Vorcaro avisou que estava a caminho de assinar acordos com investidores estrangeiros (o grupo Fictor), momento em que teria recebido o último emoji de Moraes.
Pouco depois, por volta das 22h, o executivo foi preso pela PF antes de decolar para Malta, com destino final em Dubai.
A PF aponta que Vorcaro teria acessado ilegalmente os sistemas da corporação, tentando peticionar na 10ª Vara Federal de Brasília apenas 18 minutos após a decretação de sua prisão.
Diante da repercussão, a defesa do banqueiro acionou o STF para investigar o vazamento dos dados de seu celular, que incluíam "conversas íntimas" e os supostos diálogos com Moraes.
Em resposta, o ministro André Mendonça determinou na sexta-feira que a Polícia Federal abra um inquérito para apurar a origem do vazamento das informações sigilosas, que estavam sob custódia da PF e haviam sido compartilhadas com a CPI do INSS.