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CPMI do INSS revela movimentações financeiras de Lulinha com altos repasses de Lula

Os advogados argumentaram que os repasses feitos pelo presidente Lula referem-se a adiantamento de legítima herança ou ressarcimento de custos

Por JC Publicado em 05/03/2026 às 18:30

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A CPMI do INSS recebeu, na tarde desta quarta-feira (5), os extratos bancários detalhados de Fábio Luís Lula da Silva, o "Lulinha", filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O material, que abrange o período entre janeiro de 2022 e janeiro de 2026, revela uma movimentação financeira total de R$ 19,5 milhões. Segundo os dados técnicos da comissão, esse montante reflete a soma de todas as operações de entrada e saída, incluindo transferências entre contas do próprio investigado, resultando em aproximadamente R$ 9,77 milhões em créditos e R$ 9,75 milhões em débitos ao longo dos cinco anos analisados.

A análise dos documentos indica que a maior parte das receitas de Fábio Luís provém de resgates de fundos de investimento, que totalizaram R$ 4,4 milhões, além de repasses de empresas das quais é sócio, como a LLF Tech Participações e a G4 Entretenimento, que juntas transferiram cerca de R$ 3,2 milhões para sua conta pessoal. Os registros bancários também identificaram três transferências realizadas pelo presidente Lula ao filho entre 2022 e 2023, somando R$ 721 mil, além de um depósito de R$ 157,7 mil assinado por Paulo Okamotto, diretor do Instituto Lula.

DESPESAS E EXTRATOS

No campo das despesas, os extratos apontam que o maior volume financeiro corresponde a transferências internas entre contas de titularidade do próprio Lulinha. Foram identificados ainda repasses para ex-sócios: Jonas Leite Suassuna Filho recebeu R$ 704 mil em 17 transações, enquanto Kalil Bittar foi destinatário de R$ 750 mil entre 2024 e 2025. A inclusão de Fábio Luís nas investigações da CPMI ocorreu após a Polícia Federal interceptar mensagens de terceiros que supostamente faziam referência ao seu nome em um esquema envolvendo a comercialização de produtos à base de cannabis medicinal e fraudes no INSS.

Em nota oficial, a defesa de Fábio Luís negou categoricamente qualquer envolvimento em irregularidades e afirmou que todas as fontes de renda são legais, declaradas ao fisco e provenientes de atividades empresariais ou herança de sua mãe, Dona Marisa Letícia. Os advogados argumentaram que os repasses feitos pelo presidente Lula referem-se a adiantamento de legítima herança ou ressarcimento de custos, e que os pagamentos aos ex-sócios dizem respeito a aluguéis e compra de cotas societárias. A defesa também criticou o vazamento dos dados e classificou a divulgação da soma total das movimentações como enganosa, alegando que o valor é inflado pela contagem repetida de transferências entre contas de um mesmo titular.

A divulgação das contas ocorre em um momento de tensão jurídica na comissão. Recentemente, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu a quebra de sigilo de uma empresária ligada ao caso por falta de fundamentação individualizada na votação da CPMI. Entretanto, o magistrado esclareceu que tal decisão não se estendia automaticamente aos demais investigados, mantendo válida, até o momento, a análise dos dados financeiros do filho do presidente.

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