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Vorcaro é acusado de planejar falso assalto para intimidar colunista de O Globo, diz decisão do STF

Ministro André Mendonça aponta indícios de que dono do Banco Master autorizou ação violenta para tentar silenciar críticas da imprensa

Por JC Publicado em 04/03/2026 às 10:12 | Atualizado em 04/03/2026 às 17:34

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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou haver elementos que indicam que o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, teria participado da articulação de uma ação violenta com o objetivo de intimidar o colunista do O Globo Lauro Jardim. A conclusão consta na decisão que determinou a prisão do empresário.

Segundo o magistrado, a estratégia envolveria a encenação de um assalto — ou situação semelhante — para causar dano físico ao jornalista e, a partir disso, inibir manifestações da imprensa contrárias aos interesses do banqueiro. Para Mendonça, o plano teria como finalidade “calar a voz” de profissionais que faziam críticas ao grupo.

Mensagens apreendidas pela Polícia Federal (PF) no celular de Vorcaro mostram que ele integrava um grupo de WhatsApp denominado “A Turma”, no qual foram debatidas ações de monitoramento e intimidação contra Lauro Jardim. Nos diálogos, Vorcaro aparece identificado como “DV” e defende a ideia de colocar pessoas para seguir o jornalista.

Em trechos citados na decisão, DV chega a mencionar a possibilidade de agressão durante um suposto assalto, como forma de intimidação direta. Para o STF, o conteúdo das mensagens indica que a execução da ação teria sido autorizada pelo banqueiro.

Coordenação operacional

De acordo com a investigação, a coordenação operacional ficaria a cargo de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Felipe Mourão” e apelidado de “Sicário”. Ele seria responsável por atividades de vigilância, coleta de informações e acompanhamento de pessoas ligadas a apurações ou críticas ao Banco Master.

A Polícia Federal aponta ainda que Mourão teria acessado de forma irregular sistemas restritos de órgãos públicos, utilizando credenciais de terceiros, incluindo bases da própria PF, do Ministério Público Federal e até bancos de dados internacionais.

A decisão menciona também tentativas de retirar conteúdos da internet por meio de comunicações que simulavam pedidos oficiais de autoridades.

As apurações indicam que o grupo reunia pessoas com diferentes funções, entre elas ex-dirigentes do Banco Central, um policial civil aposentado — descrito como executor de ações de viés miliciano — e Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Caberia a Mourão operacionalizar as ações e repassar ordens atribuídas ao banqueiro.

Mensagens analisadas pelos investigadores também sugerem pagamentos frequentes a Mourão, que teria recebido cerca de R$ 1 milhão por mês, valores que seriam repassados por Zettel e distribuídos entre integrantes da estrutura. Para a PF, o material aponta a existência de uma organização voltada à vigilância ilegal, obtenção irregular de dados e intimidação de críticos.

Até o momento, as defesas dos citados não se manifestaram publicamente. O caso segue em investigação no STF.

Nota do Globo

Em nota, O Globo repudiou qualquer tentativa de intimidação contra seus profissionais e afirmou que ações desse tipo representam um ataque direto à liberdade de imprensa e à democracia. O jornal declarou ainda que continuará acompanhando o caso e informando a sociedade sobre os desdobramentos.

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