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'Não vamos nos intimidar', diz Miguel Coelho ao atribuir operação da PF ao ano eleitoral

Alvo da Operação Vassalos, ex-prefeito classificou ação como "espalhafatosa' e 'frágil', e criticou a busca e apreensão em ano eleitoral

Por JC Publicado em 27/02/2026 às 13:06 | Atualizado em 27/02/2026 às 13:08

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O ex-prefeito de Petrolina e pré-candidato ao Senado Miguel Coelho (União Brasil) foi às redes sociais nesta sexta-feira (27) após ser alvo da Operação Vassalos, deflagrada nesta semana pela Polícia Federal. Em vídeo compartilhado em seu perfil, ele negou irregularidades, classificou a ação como "espalhafatosa" e afirmou que não vai recuar.

"Não vamos nos intimidar por aqueles que querem manter Pernambuco no atraso", disse o ex-prefeito. Além de Miguel, a operação também mirou seu pai, o ex-senador Fernando Bezerra Coelho, e seu irmão, o deputado federal Fernando Filho (União Brasil), sob acusação de desvio de emendas parlamentares.

No vídeo, Miguel Coelho defendeu o trabalho da família à frente da política regional e atribuiu a ação ao contexto eleitoral. Ele afirmou que, durante a última década, usou sua força política para garantir emendas e investimentos que, segundo ele, transformaram Petrolina na cidade que mais cresce no Nordeste, e que atuou em parceria com os governos Temer, Bolsonaro e Lula, independentemente de bandeiras ideológicas.

"Mesmo assim, em pleno ano eleitoral, criam uma ação espalhafatosa para tentar manchar o mérito do nosso trabalho. Uma operação tão frágil que a própria Procuradoria-Geral da República se manifestou contra", declarou.

Conforme o JC mostrou, apesar das irregularidades apontadas por órgãos de controle como o TCU e a CGU, a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou pelo indeferimento de todos os pedidos formulados pela Polícia Federal. Ainda assim, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, decidiu atender ao pedido e ordenou o cumprimento dos mandados de busca e apreensão.

No encerramento do vídeo, Miguel Coelho foi direto ao afirmar que a ofensiva tem motivação política e que não pretende recuar.

"Não é a primeira vez que enfrentamos ataques. Se acham que vão nos intimidar, estão enganados. Eles não conhecem a força do sertão. Aqui nada cai do céu. Aqui a gente trabalha e faz acontecer. Sabem por que atacam agora? Porque não querem que a experiência de Petrolina avance por todo Pernambuco. Alguns vivem do atraso, nós vivemos do trabalho, e ninguém para a força de quem trabalha de verdade", concluiu.

Miguel Coelho, vale lembrar, é pré-candidato ao Senado nas eleições de outubro e vem articulando o palanque em que subirá. As costuras ocorrem em meio à concretização da federação União Progressista, que poderá definir o rumo da chapa no pleito.

O ex-prefeito já havia se manifestado sobre a operação da PF na quarta-feira (25). Em nota assinada em conjunto com o irmão Fernando Filho, ele afirmou que a ação teria "viés político".

Operação Vassalos

As investigações da Operação Vassalos miram suspeitas envolvendo a destinação de emendas parlamentares e a contratação de empresas ligadas ao grupo político da família Coelho em obras financiadas com recursos federais em Petrolina, no sertão de Pernambuco.

As apurações, acolhidas pelo ministro Flávio Dino, têm como foco a atuação na prefeitura de Petrolina e na Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), estatal federal responsável por investimentos em obras na região. O inquérito envolve especialmente a Liga Engenharia Ltda, empresa cujos sócios têm parentesco com a família Coelho.

Ao todo, foram expedidos 42 mandados de busca e apreensão pelo STF, cumpridos nos estados de Pernambuco, Bahia, São Paulo, Goiás e no Distrito Federal.

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