'Não existe justificativa para o protecionismo', diz Lula na Coreia do Sul
O petista disse que é preciso abrir as portas para os empresários brasileiros e coreanos e que o comércio entre os países está abaixo do potencial
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta segunda-feira (23), que não existe justificativa para o protecionismo econômico e enfatizou que, quanto mais livre o comércio, melhor para o mundo. Ele discursou no encerramento do Fórum Empresarial Brasil-Coreia do Sul, em Seul.
"Há uma tentativa de acabar com o multilateralismo, de voltar o que nós não queremos que volte, o protecionismo para dificultar a economia dos países a crescer. Não existe justificativa. Quanto mais livre o comércio, melhor será para a Coreia e melhor será para o Brasil. E melhor será para o mundo", afirmou.
O petista disse que é preciso abrir as portas para os empresários brasileiros e coreanos e que o comércio entre os países está muito abaixo do seu potencial. "O comércio do Brasil com a Coreia do Sul é muito pequeno. O ano passado foi de apenas US$ 11 bilhões. O que é muito pequeno diante do potencial da economia da Coreia do Sul e da economia do Brasil", disse.
E continuou: "Isso significa que, apesar de algumas empresas coreanas estarem no Brasil já algum tempo, falta o Brasil se autopromover, se 'autodivulgar' para que a gente possa fazer com que o nosso comércio ultrapasse, muito, os US$ 11 bilhões que nós chegamos agora em 2025".
PLANO ENTRE OS PAÍSES
Lula e o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, anunciaram um plano de ação com o objetivo de estreitar a relação entre os dois países. O acordo inclui memorandos de entendimento nas áreas de saúde, estética, agronegócio e intercâmbio de pessoas.
"Hoje, elevamos o relacionamento entre Brasil e Coreia ao patamar de parceria estratégica e lançamos um plano de ação com iniciativas concretas para os próximos três anos", disse Lula, que iniciou uma viagem de Estado à Coreia do Sul nesta segunda.
O líder brasileiro afirmou que as histórias políticas recentes dos dois países têm muito em comum. "Nos anos 80, após longos períodos de luta e resistência, conquistamos a redemocratização. Quatro décadas depois, enfrentamos novamente tentativas de golpe de Estado. Felizmente, quando colocadas à prova, nossas democracias mostraram firmeza e resiliência. Diante de ataques às instituições nacionais, reafirmamos a força da soberania popular", disse Lula.
Em dezembro de 2024, o então presidente sul-coreano Yoon Suk Yeol decretou lei marcial e cercou o Parlamento do país, em uma tentativa de golpe de Estado. Na semana passada, Yoon foi condenado à prisão perpétua. No Brasil, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.
"Em tempos de extremismos, desinformação e ameaças autoritárias, é fundamental articular lideranças comprometidas com valores democráticos", afirmou Lula, que convidou Lee a participar de um encontro em defesa da democracia, em Barcelona, em abril. "Brasil e Coreia são firmes defensores da paz, do multilateralismo e do direito internacional."
No agronegócio, Lula reforçou a pressão pela abertura do mercado sul-coreano para a carne brasileira. "Expus ao presidente Lee que a conclusão dos procedimentos sanitários para a exportação de carne bovina brasileira poderá beneficiar os consumidores coreanos", afirmou. Também foram acertadas parcerias em projetos de adaptação climática, bioeconomia, segurança de alimentos e tecnologias agroindustriais.
Tanto Lula quanto Lee citaram o interesse em dar andamento ao acordo comercial entre o Mercosul e a Coreia do Sul, cujas negociações foram interrompidas em 2021. O brasileiro ressaltou que o Brasil é o principal destino dos investimentos sul-coreanos na América Latina.
Ambos os líderes salientaram também os intercâmbios culturais entre as nações. Lee citou a inspiração da bossa nova para a música sul-coreana, enquanto Lula afirmou que a comida, a produção audiovisual e a música pop da Coreia do Sul "têm no Brasil milhões de admiradores". O plano de ação contém também parcerias na área da educação, como a disseminação da língua coreana no Brasil e o intercâmbio de estudantes.
Lula informou ainda que o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, visitará um hospital inteligente na Coreia do Sul para trazer as melhores práticas para uma unidade do tipo em São Paulo.
No campo científico, os acordos abrangem biotecnologia, setor aeroespacial, transição digital, comunicações móveis avançadas e a chamada internet das coisas. "A inteligência artificial será igualmente objeto de iniciativas conjuntas de apoio a startups micro, pequenas e médias empresas", disse o presidente brasileiro.
Lula destacou que visitou o país asiático em 2005 e em 2010 e que, desde então, nenhum outro chefe de Estado brasileiro havia estado na Coreia do Sul. "Esse hiato é incompatível com os vínculos sociais e econômicos existentes entre nossos povos".
Ainda nesta segunda, Lula participou do Encontro Empresarial Brasil-Coreia do Sul e compareceu a um banquete oferecido pelo presidente sul-coreano.