"Não é um fato político", diz João Campos sobre vinda de Lula ao Galo da Madrugada
Declaração ocorre após o Carnaval, em meio à disputa antecipada pelo Governo de Pernambuco e à indefinição sobre a chapa da Frente Popular
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Mais do que celebração, o Carnaval em Pernambuco serviu também como palco de sinalizações políticas que reforçaram a disputa antecipada pelo Governo do Estado. Após a coletiva de balanço da festa, o prefeito do Recife, João Campos (PSB), comentou a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Galo da Madrugada e evitou antecipar movimentos eleitorais, como a formação da chapa da Frente Popular.
Durante conversa com a imprensa, Campos afirmou que a ida de Lula ao maior bloco carnavalesco do mundo teve caráter institucional e cultural, mesmo com a divisão de espaço com a governadora Raquel Lyra (PSD), possível adversária na disputa pelo Palácio do Campo das Princesas.
“Não é um fato político da visita do presidente. Eu acho que é um fato institucional da vida de um presidente da República, um presidente que valoriza a cultura, que valoriza o Carnaval”, afirmou.
João Campos relatou ainda o carinho do público com o presidente durante a passagem pelo Galo da Madrugada. Segundo ele, foliões deixaram de acompanhar trios elétricos para permanecer próximos ao local onde Lula estava. “Mas é por conta do senhor, presidente. O senhor é muito querido”, disse, ao explicar a reação do público.
Após a saída de Lula, o prefeito contou que pessoas continuaram perguntando pelo presidente. “Isso mostra um respeito muito grande que as pessoas têm por ele”, completou.
Formação da chapa
Questionado sobre a formação da chapa da Frente Popular e a definição dos nomes ao Senado, João Campos desconversou e destacou o clima entre aliados durante o Carnaval. Segundo ele, a circulação ao lado de lideranças no Recife e em Olinda evidenciou a força do grupo na fase de pré-articulação eleitoral.
“A gente circulou com amigos, pessoas do nosso grupo político, deputados, vereadores, pré-candidatos, e o sentimento que eu vi ali foi de muita animação. O diálogo foi muito franco e o sentimento é positivo”, disse.
Entre os nomes que estiveram próximos estão possíveis postulantes ao Senado, como Humberto Costa (PT), Marília Arraes(SD), Miguel Coelho (UB) e Silvio Costa Filho (Republicanos).
A presença simultânea de João Campos e Raquel Lyra ao lado de Lula no Galo da Madrugada, no sábado de Zé Pereira, foi interpretada nos bastidores como uma disputa simbólica por espaço junto ao presidente, que evitou qualquer sinalização pública de apoio. A indefinição mantém o cenário aberto e confortável para o Palácio do Planalto, cortejado pelos dois principais grupos políticos do estado.
Durante a folia, Raquel apostou em uma agenda de alcance territorial, com passagens por polos do litoral ao Sertão, enquanto João concentrou esforços na capital, associando a gestão municipal ao sucesso do Carnaval.
O contraste de estratégias reforça que, passada a festa, a corrida eleitoral entra em uma fase mais explícita de pré-campanha.
Caso confirme a candidatura ao Governo de Pernambuco, João Campos precisará deixar a Prefeitura do Recife até o início de abril, dentro do prazo de desincompatibilização previsto na legislação eleitoral. Nesse cenário, o vice-prefeito Victor Marques (PCdoB) assumiria o comando do Executivo municipal.
Já Raquel Lyra disputa a reeleição com a vantagem de permanecer no cargo, embora a legislação imponha restrições, como limites a inaugurações de obras públicas a partir de julho.
Com o avanço do calendário eleitoral, a expectativa nos bastidores é de intensificação das articulações nas próximas semanas, especialmente com a proximidade da janela partidária e das convenções, que devem consolidar alianças e definir os palanques da disputa estadual.
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