Gilson Machado fala em candidatura "desidratada", troca o PL pelo Podemos e ganha carta branca para articular a direita em Pernambuco
Ex-ministro reafirma lealdade a Jair Bolsonaro, critica o PL em Pernambuco e passa a liderar projeto de fortalecimento das bancadas
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O ex-ministro do Turismo Gilson Machado oficializou, nesta quinta-feira (12), sua filiação ao Podemos e confirmou que será candidato a deputado federal em 2026.
Principal nome do bolsonarismo em Pernambuco, Gilson afirmou que deixou o PL após ter sua candidatura ao Senado “desidratada” no Estado e disse que, apesar da troca partidária, mantém fidelidade política ao ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje preso e condenado por tentativa de golpe de Estado.
No novo partido, Gilson disse ter autonomia para atuar na construção de uma bancada de direita e indicou que a legenda tende a caminhar com esse campo político nas eleições nacionais.
Em relação ao Governo de Pernambuco, afirmou que terá liberdade para apoiar um eventual candidato da direita e, caso isso não se concretize, a tendência é que o grupo volte a se alinhar à governadora Raquel Lyra (PSD), repetindo o movimento registrado em 2022.
A filiação reuniu dirigentes nacionais e estaduais do Podemos, entre eles a presidente nacional Renata Abreu e o presidente estadual Marcelo Gouveia, além de pré-candidatos à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa. O vereador do Recife Gilson Machado Filho, ainda filiado ao PL, também participou do ato.
Saída do PL e lealdade a Bolsonaro
Durante a coletiva de imprensa, Gilson fez críticas diretas à atuação do PL em Pernambuco, afirmando que o partido não estruturou bases municipais nem deu suporte ao seu projeto majoritário. “O partido em Pernambuco não viabilizou a candidatura ao Senado. Minha candidatura foi desidratada. Para não criar problema, resolvi sair.”
O ex-ministro também criticou a falta de apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. “Você olha as redes do partido e não tem uma menção à candidatura de Flávio Bolsonaro, mesmo após meses de pré-campanha. Eu fui voto vencido, nem sequer fui ouvido”, afirmou.
Apesar disso, o ex-ministro fez questão de reforçar sua identidade política. “Troquei de partido, mas não troquei de camisa. Continuo leal ao presidente Jair Bolsonaro.”
Gilson também disse que sua principal agenda política passa agora por fortalecer o campo bolsonarista no Congresso, com foco especial na eleição do senador Flávio Bolsonaro. “Sou mais útil à causa com um mandato de deputado federal. Minha prioridade é ampliar votos para Flávio Bolsonaro.”
Cenário estadual
Questionado sobre a disputa pelo Governo de Pernambuco em 2026, Gilson evitou antecipar apoio e condicionou sua decisão à eventual existência de uma candidatura de direita no Estado. Embora o cenário ainda esteja em aberto, as pesquisas indicam que a disputa tende a se concentrar entre a governadora Raquel Lyra (PSD) e o prefeito do Recife, João Campos (PSB).
Segundo ele, a filiação ao Podemos lhe garantiu autonomia política para atuar na reorganização do campo conservador. Gilson afirmou que recebeu carta branca para articular uma bancada de direita e destacou que a legenda não tem posição fechada sobre a sucessão estadual.
“O partido me deixou à vontade para formar uma bancada de direita. Há divergências, mas a grande maioria vai apoiar Flávio Bolsonaro. Estamos construindo um apoio nacional. Quanto a Raquel Lyra, a direita até agora não lançou candidato a governador. Se lançar, terei carta branca. Se não lançar, vai acontecer o que aconteceu em 2022, quando a direita votou em peso em Raquel”, afirmou.
O presidente estadual do Podemos, Marcelo Gouveia, reforçou que o partido integra a base da governadora desde o segundo turno das eleições de 2022. “O Podemos está na base da governadora Raquel Lyra desde o segundo turno. Nossa posição é pró-Raquel”, disse.
Ao mesmo tempo, Marcelo destacou que quadros com peso político próprio, como Gilson, chegam à legenda sem restrições. “Um quadro como Gilson não poderia vir com amarras. Ele tem essa liberdade”, afirmou.
Para o dirigente, em um eventual segundo turno entre Raquel Lyra e João Campos, a posição de Gilson não seria motivo de indefinição. “Entre João e Raquel, não há nem discussão. Eu não vejo Gilson Machado votando em João Campos. Vejo ele votando em Raquel Lyra”, completou.
Proporcionais
No plano nacional, dirigentes do Podemos reforçaram que o partido não tem posição definida para as eleições majoritárias, com foco prioritário na ampliação das bancadas proporcionais.
Ainda assim, a presença de quadros como Gilson tende a empurrar a legenda para o campo da direita na disputa presidencial contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Renata Abreu destacou que o partido caminha ouvindo suas bases e seus parlamentares. “O partido hoje não tem candidato à Presidência. Nosso foco está na eleição proporcional. Mas, naturalmente, com quadros como Gilson, o Podemos tende a caminhar com a direita.”
Marcelo Gouveia afirmou que a chegada de Gilson está diretamente ligada a esse projeto. “O objetivo de trazer um quadro como Gilson é fortalecer a bancada federal. Essa eleição vai servir para fortalecer o partido em Pernambuco e nacionalmente.”
Ele projetou que o Podemos pode eleger até quatro deputados federais e sete estaduais no Estado, dependendo do desempenho eleitoral dos principais nomes da chapa.
Gilson Filho
O vereador do Recife Gilson Machado Filho afirmou, durante a coletiva, que o Podemos abriu espaço para sua eventual filiação e que seguirá alinhado ao pai.
Segundo ele, “as portas foram abertas” e há a possibilidade de disputar uma vaga na Assembleia Legislativa pelo Podemos, o que implicaria sua saída do PL em Pernambuco. Apesar disso, a mudança ainda não está formalizada.
Próximos passos
Com a filiação oficializada, o Podemos passa a apostar na capilaridade eleitoral de Gilson Machado junto ao eleitorado bolsonarista e conservador para crescer em Pernambuco.
A estratégia declarada é ampliar o número de cadeiras no Legislativo e consolidar uma bancada de direita, enquanto as definições sobre apoios majoritários nacionais e estaduais devem ficar para um momento posterior do calendário eleitoral.