Alta aprovação de Raquel Lyra impulsionou crescimento na Datafolha, avalia cientista político
Para Adriano Oliveira, pesquisa revela baixa rejeição à governadora devido ao reconhecimento de entregas; Raquel obteve 61% de aprovação
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A pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (6) reforça um cenário de rearranjo na disputa pelo Governo de Pernambuco, marcado pelo crescimento da governadora Raquel Lyra e por uma leitura menos linear da vantagem atribuída ao prefeito do Recife, João Campos (PSB), na disputa pelo governo do estado na eleição de outubro.
No levantamento, João Campos caiu cinco pontos em relação à pesquisa de outubro de 2025, enquanto Raquel Lyra subiu o mesmo patamar, reduzindo em 10 pontos a diferença entre eles.
Para o cientista político Adriano Oliveira, o levantamento revela um ambiente eleitoral de baixa rejeição à governadora devido ao reconhecimento de entregas administrativas e uma tendência de mudança no comportamento do eleitorado à medida que a eleição se aproxima.
Em entrevista ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal, Adriano avaliou que o desempenho da governadora está diretamente ligado ao nível de aprovação de sua gestão. Na mesma pesquisa, Raquel Lyra alcançou 61% de aprovação entre os pernambucanos.
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Segundo o analista, os números revelam três aspectos centrais do momento eleitoral. O primeiro é a baixa rejeição da governadora. O segundo é o que ele classifica como uma leitura ilusória da vantagem de João Campos no levantamento. Por fim, Adriano reforçou que, desde o fim do ano passado, já apontava uma tendência de crescimento de Raquel Lyra, movimento que, agora, se confirma.
"Eu já tinha detectado desde julho do ano passado sentimentos favoráveis criados em torno da gestão da governadora. Que sentimento favorável era esse? Que a governadora estava trabalhando, fazendo entregas, que tinha melhorado. [...] O ambiente eleitoral hoje do estado é um ambiente onde os eleitores não rejeitam a governadora. É um ambiente onde existem eleitores que gostam de João, mas reconhecem o trabalho da governadora", analisou o cientista político.
Outro ponto destacado por Adriano Oliveira é o desempenho do vereador do Recife Eduardo Moura (Novo), que aparece com 5% das intenções de voto no levantamento. O especialista avalia que o vereador reúne condições de alcançar uma votação expressiva e pode se tornar um ator-chave na eleição para o governo, especialmente por sua capacidade de influenciar a possibilidade de um segundo turno.
"Esses votos de Eduardo Moura tendem a se arrumar para a governadora Raquel Lyra e não para o prefeito João Campos. Quem gosta de Eduardo Moura não gosta de João Campos. Ou seja, se Eduardo Moura não estivesse na cartela do Datafolha, a governadora poderia estar com mais do que 35%", apontou.
Na análise sobre o comportamento de João Campos, Adriano afirmou que o prefeito, ao se apresentar como candidato ao governo, demorou a assumir uma postura condizente com o cargo que pretende disputar, especialmente nas redes sociais: "ele demorou, ele mudou as redes sociais dele de um tempo para cá e está insistindo, está se esforçando em adquirir maturidade e cara de governador.”
Na sequência, o cientista político comentou o mesmo tema, mas agora sob a ótica da governadora Raquel Lyra. Segundo ele, apesar das críticas recebidas no início do mandato sobre sua presença nas redes sociais, Raquel manteve uma característica considerada decisiva pelo eleitorado.
"A governadora Raquel Lyra foi muito criticada no que condiz ao comportamento nas redes sociais. Todavia, ela não tinha o que mostrar, mas manteve uma característica fundamental, de acordo, repito, com as pesquisas qualitativas. O eleitor a vê como séria, o eleitor a vê como uma pessoa dedicada, ela é mulher, ela não mudou, ou seja, ela sempre teve cara de governadora e segue tendo cara de governadora", analisou.
Apesar das tendências apontadas pelo levantamento, Adriano Oliveira ponderou que o processo eleitoral ainda está em fase inicial e que diversos fatores políticos podem alterar o cenário ao longo dos próximos meses.
Entre eles, estão a definição das candidaturas ao Senado, a posição do presidente Lula e o alinhamento da governadora Raquel Lyra na disputa presidencial. Segundo ele, essas variáveis têm potencial para interferir diretamente na dinâmica da eleição em Pernambuco.
O uso político das redes
A atuação nas redes sociais passou a ter peso central na disputa pelo Governo de Pernambuco e, hoje, é considerada indispensável em qualquer campanha competitiva. Para o jornalista e consultor em comunicação Ricardo Costa, especialista em campanhas eleitorais, a governadora Raquel Lyra promoveu uma mudança clara em sua estratégia a partir de agosto do ano passado.
Em entrevista à Rádio Jornal, ele afirmou que houve uma aceleração significativa na presença digital da governadora, após a percepção de que não seria possível disputar a eleição apenas no campo tradicional, enquanto o prefeito do Recife, João Campos, já era referência nacional em engajamento nas mídias sociais.
"Raquel Lyra decidiu entrar nesse campo. Ela vinha como governadora, vinha formalmente com as ações comuns de quem é governador, mas a equipe dela, presumo que a partir do segundo semestre do ano passado, percebeu que ela precisava entrar no campo digital. Ela não podia disputar com João Campos só no campo analógico. No campo analógico, João Campos já estava com ela. No campo digital, João Campos estava sozinho", avaliou.
Ricardo Costa também destacou a mudança na forma de exposição da governadora, que passou a reduzir imagens restritas ao gabinete e ampliou a presença nas ruas e no interior do estado. Para ele, além da formalidade das entregas, passou a existir uma preocupação maior com a percepção do cidadão que acompanha essas ações de perto, por meio de conversas, depoimentos e registros que aproximam a política do cotidiano das pessoas.
“Ela sai um pouco das imagens de gabinete, da formalidade, decide botar o pé na rua, botar o pé na estrada. Ela faz entregas, existe a formalidade da entrega, mas existe uma coisa muito importante, que é a percepção de quem está ali sobre essa entrega", disse o especialista.
Questionado sobre o tipo de conteúdo mais indicado para esse ambiente, o consultor defende a combinação entre o institucional e o humanizado. Para ele, é possível mostrar o lado pessoal sem perder o foco nas entregas, unindo informalidade e agenda administrativa como estratégia para gerar engajamento, ampliar a capilaridade da mensagem e fortalecer a confiança do eleitor.