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Lula diz que falou com Lulinha sobre fraude do INSS: 'Se você tiver alguma coisa (no caso INSS), vai pagar'

As declarações ocorreram em entrevista ao UOL News. Lulinha não é formalmente investigado no caso até o momento, mas seu nome surgiu em operações

Por Estadão Conteúdo Publicado em 05/02/2026 às 19:46 | Atualizado em 05/02/2026 às 19:46

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quinta-feira (5) que conversou com seu filho Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, sobre a possibilidade de ele estar envolvido com irregularidades no caso de descontos ilegais de aposentadorias do INSS. Lula reforçou que a orientação do governo no caso é que "investigue o que tiver que investigar".

"Quando saiu o nome do meu filho, eu chamei meu filho aqui. Falo isso com todo mundo. Olhei no olho dele e falei: 'Só você sabe a verdade, se você tiver alguma coisa, vai pagar o preço de ter alguma coisa, se não tiver, se defenda'. Eu trato as coisas com muita seriedade", disse o presidente.

As declarações ocorreram em entrevista ao UOL News. Lulinha não é formalmente investigado no caso até o momento, mas seu nome surgiu ao longo das apurações como alguém com alguma ligação com o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o Careca do INSS.

Ao ser questionado sobre o caso de descontos dos aposentados, Lula fez questão de reforçar o discurso de que não haverá qualquer tipo de proteção especial ao seu filho ou a qualquer outra pessoa. Tentou atrelar o caso ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, quando já havia um aumento desse tipo de descontos, apesar de o maior crescimento nos desvios ter acontecido durante o seu governo.

"A investigação do INSS acontece porque o governo descobriu através da AGU, CGU e PF que tinha sido montada uma quadrilha no governo Bolsonaro. Comecei a dizer para o pessoal que seria a primeira vez na história que o governo ia pedir uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito)", declarou. Segundo Lula, lideranças do PT e de outros partidos acharam melhor não encampar o discurso da CPI.

ENCONTRO COM VORCARO

Lula também confirmou encontro com o presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro, onde disse que não haveria "posição política" a favor ou contra a empresa, mas, sim, uma "investigação técnica". A reunião foi mediada pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, em dezembro de 2024. 

Lula disse que o encontro ocorreu fora da agenda e que, na ocasião, chamou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, à época indicado ao cargo, e o ministro da Casa Civil, Rui Costa para acompanharem a reunião.

O presidente tratou com naturalidade a sua decisão de receber o empresário. "Primeiro, eu já recebi, neste mandato meu, o Itaú, o Bradesco, o Santander, o BTG Pactual. Todos os bancos eu já recebi", declarou.

Na sequência, Lula disse que Vorcaro relatou que sofria de "perseguição". "Não tinha uma agenda marcada comigo. Quando o Guido veio com o Vorcaro a Brasília e pediu se eu podia atender, ele veio conversar comigo. Eu chamei o Galípolo, acho que chamei o Rui Costa, que é da Bahia e que conhecia ele. E ele então me contou da perseguição que ele estava sofrendo, que ele estava sofrendo uma perseguição, que tinha gente interessada em derrubar ele."

Em seguida, o presidente da República afirmou o que falou a Vorcaro: "O que eu disse para ele? Não haverá posição política pró ou contra o Banco Master. O que haverá é uma investigação técnica, feita pelo Banco Central. Foi essa a conversa. 'Você fique tranquilo que a política não entrará na investigação."

Lula afirmou que, depois de se reunir com o dono do Banco Master chamou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e a Procuradoria-Geral da República (PGR). 

ELEIÇÃO

Na mesma entrevista, Lula destacou que tanto o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, quanto o vice-presidente, Geraldo Alckmin, sabem que eles "têm um papel a cumprir em São Paulo". Foi a primeira cobrança pública feita pelo presidente aos dois aliados quanto à participação deles nas eleições estaduais paulistas.

"Nós temos muito voto em São Paulo e temos condições de ganhar as eleições em São Paulo. Ainda não conversei com Haddad e com Alckmin, mas eles sabem que têm um papel a cumprir em São Paulo. A Simone (Tebet) tem um papel a cumprir e também não conversei com ela", disse o presidente.

Lula citou explicitamente os nomes de Haddad e Alckmin como possíveis candidatos a governador de São Paulo, incluindo o nome da ministra do Planejamento, Simone Tebet, também na equação.

O presidente defendeu ainda a discussão sobre a definição dos mandatos para os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Sobre as eleições, Lula disse que a "radicalização" começou em 2014, com o então candidato Aécio Neves (PSDB-MG), e que atualmente a disputa eleitoral se assemelha à polarização entre Corinthians e Palmeiras.

"Nós vamos ganhar as eleições outra vez. E nós vamos ganhar, não é porque eu sou bom, mas porque o Brasil precisa de democracia", afirmou.

Na sequência, Lula disse: "Toda eleição no mundo está acirrada. Aliás, eu nunca tive eleição que não fosse acirrada. Quando eu ganhei do Serra, eu tive quase 49% e ele quarenta e pouco por cento. Quando eu ganhei do Alckmin, ele teve quarenta e eu tive quarenta e pouco. Sempre foi quase que meio a meio. Ela se define no segundo turno".

Ele continuou: "Qual é a diferença que nós temos hoje? Sabe, o jogo está como se fosse uma torcida Vasco e Flamengo, ou Corinthians e Palmeiras. Ninguém muda de lado".

Em seguida, o presidente mencionou Aécio e disse que ele agiu como "o maior agressor contra uma mulher" no tratamento à adversária petista Dilma Rousseff.

 

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