Câmara do Recife retoma trabalhos sem a presença do prefeito João Campos
Pela primeira vez, prefeito não comparece à abertura do ano legislativo e é alvo de críticas da oposição em meio a pedido de impeachment
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A Câmara Municipal do Recife iniciou nesta segunda-feira (2) o ano legislativo de 2026 sem a presença do prefeito João Campos (PSB). Pela primeira vez, ele não participou da cerimônia e foi representado pelo secretário de Planejamento e Gestão, Jorge Vieira, enquanto cumpre agenda em Brasília com o vice-prefeito Victor Marques.
Balanço da gestão
O secretário Jorge Vieira leu a mensagem enviada pelo prefeito João Campos, apresentando o relatório de gestão de 2025. O texto destacou avanços em áreas como saúde, educação, mobilidade e transformação digital, reforçando a combinação de participação social com capacidade institucional de execução.
Em trecho da carta, João diz que "consolidamos práticas permanentes de escuta ativa e fortalecemos canais de diálogo com a população, aproximando as decisões do cotidiano das comunidades e assegurando que as prioridades públicas reflitam necessidades reais".
Ausência de João Campos é "desprestígio", diz líder da oposição
Com fala logo em seguida, o vereador e líder da oposição Felipe Alecrim (Novo) não demorou-se em criticar a ausência do prefeito na cerimônia. Ele começou destacando que a presença do gestor municipal é fundamental para ele possa ouvir o que seus aliados, como também a oposição, têm a dizer.
"Faço esse registro de que é lamentável a ausência do prefeito aqui. Mais uma vez, fere as prerrogativas do desprestígio a esta Casa, a este Poder Legislativo, que dá voz ao povo da cidade do Recife".
Aproveitou, ainda, para contrapor a carta do prefeito e pontuar que o município têm necessidades que não foram supridas em 2025, como educação, moradia, alimentação e saúde, reforçando que o Legislativo é a representação da população e deve atuar como tal:
"A Câmara Municipal não pode ser um cartório de homologação das decisões do Poder Executivo. Essa Casa existe para representar a população. Isso exige independência, coragem e, acima de tudo, responsabilidade".
O vereador também teceu comentários sobre o pedido de impeachment de João Campos, protocolado pelo vereador Eduardo Moura (Novo): "quando surgem denúncias graves, suspeitas ou questionamentos graves, o dever dessa casa é apurar, e não se calar".
Defesa do governo
O líder do governo na Câmara, vereador Samuel Salazar (MDB), usou seu espaço de fala para responder às críticas da oposição, destacando os avanços da gestão e a presença da prefeitura no dia a dia da população.
Ele ressaltou obras estruturais, ampliação de creches e equipes de saúde, além de investimentos em tecnologia para facilitar o acesso a serviços públicos.
Salazar devolveu os comentários sobre a polêmica que gerou o pedido de impeachment. Segundo ele, a gestão do Recife se mantém comprometida com a transparência, mesmo diante dos questionamentos recentes: "a gestão do Recife nunca temeu a verdade. Ao contrário, sempre defendeu que os fatos sejam apurados com transparência e dentro da lei".
O vereador fez gancho, ainda, com a suposta "espionagem" feita pela Polícia Civil de Pernambuco contra o secretário de Articulação Política e Social da Prefeitura do Recife, Gustavo Monteiro:
"O que não pode existir, em hipótese alguma, é uma estrutura paralela, prática clandestina e, pior ainda, desviada em finalidade, apenas e não somente com objetivo eleitoral. É com esse espírito de confiança na justiça, tranquilidade e consciência, e com rigor institucional, que seguimos trabalhando", completou.
Por que João Campos não compareceu?
Pela primeira vez no mandato, o prefeito João Campos não compareceu à abertura do ano legislativo da Câmara do Recife, porque cumpre agenda em Brasília com o vice-prefeito Victor Marques.
Lá, ele se reuniu com o ministro das Cidades, Renan Filho, para tratar de investimentos e parcerias para a cidade. A agenda foi destacada como prioridade nas redes sociais do prefeito.
"A semana começa com muito trabalho e parcerias entre a Prefeitura do Recife e Governo do Brasil. Tivemos uma reunião muito boa com o ministro dos Transportes, Renan Filho, aqui em Brasília, para alinhar e acelerar importantes investimentos para a nossa cidade. Em breve, tem um anúncio massa", escreveu o prefeito, em publicação no Instagram.
A ausência de João Campos gerou um momento de tensão durante a sessão. Ao chegar à Mesa Diretora, Jorge Vieira, representando o prefeito, foi questionado pelo vereador de oposição Eduardo Moura (Novo) sobre os motivos da não participação do gestor.
Vieira não respondeu às perguntas, enquanto Moura insistia e filmava a abordagem com o celular. O presidente da Câmara, Romerinho Jatobá (PSB), e os vereadores Rinaldo Júnior (PSB) e Cida Pedrosa (PCdoB) intervieram pedindo que Moura cessasse a abordagem. Depois do episódio, o oposicionista retornou ao plenário.