Oposição reage a encerramento de empresa de ônibus do pai de Raquel Lyra: "Confissão de irregularidades"
Parlamentares cobram investigação e questionam fiscalização após Raquel Lyra anunciar fim da Logo Caruaruense e repasse das linhas à EPTI
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Políticos de oposição à governadora Raquel Lyra (PSD) reagiram, nesta sexta-feira (16), ao anúncio do encerramento das atividades da empresa de transporte intermunicipal Logo Caruaruense, pertencente ao ex-governador João Lyra Neto, pai da chefe do Executivo estadual. A decisão foi comunicada pela própria governadora, que informou que as linhas operadas pela empresa serão transferidas para a Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI), responsável por garantir a continuidade do serviço.
As manifestações ocorreram após a divulgação de documentos da EPTI, obtidos pelo portal Metrópoles, que apontam uma série de irregularidades na operação da empresa, incluindo veículos circulando sem vistorias obrigatórias, frota acima do limite de idade permitido pela legislação e atraso no pagamento de taxas administrativas. A fiscalização do transporte intermunicipal é atribuição do governo estadual.
Segundo relatório técnico, a Logo Caruaruense possui cerca de 50 ônibus cadastrados e teria realizado a última inspeção em 2022, ano em que Raquel Lyra foi eleita governadora. Desde então, os veículos não teriam passado pela avaliação técnica anual exigida. O documento também aponta que toda a frota ultrapassaria o limite de dez anos de uso previsto no Decreto nº 40.559/2014, com idade média estimada em 14,5 anos.
Oposição aponta "confissão de irregularidades" e sugere investigação
Presidente em exercício da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), o deputado estadual Rodrigo Farias (PSB) afirmou que a entrega das linhas à EPTI representa uma “confissão” das irregularidades denunciadas e cobrou uma investigação aprofundada por parte do Governo do Estado.
“A entrega das linhas não apaga as irregularidades já cometidas. É uma confissão de culpa e de omissão da governadora. O mínimo que se espera é uma investigação profunda, com punição rigorosa, cobrança das taxas devidas e aplicação das multas retroativas”, declarou.
O parlamentar também criticou o que classificou como tratamento desigual na fiscalização do transporte intermunicipal.
“Enquanto trabalhadores e motoristas são multados e têm seus veículos apreendidos, a empresa da família da governadora circulava livremente, sem autorização. Pernambuco precisa de justiça, não de privilégios”, afirmou.
Pelas redes sociais, o deputado estadual Diogo Moraes (PSDB) afirmou que o encerramento das atividades da empresa “soa como uma confirmação de que algo muito grave estava errado” e cobrou explicações do governo estadual sobre a atuação da fiscalização nos últimos anos.
Segundo o parlamentar, as irregularidades apontadas ocorreram justamente em um setor regulado pelo Executivo estadual após a eleição da governadora.
“Quando uma empresa comum comete irregularidades, ela é punida. A pergunta que não quer calar é por que uma empresa ligada à família da governadora teria recebido um tratamento diferenciado”, questionou.
O deputado estadual Waldemar Borges (MDB) também criticou a condução do caso e afirmou que a situação tem causado indignação na população. Para ele, há uma percepção de desigualdade na atuação do poder público.
“Pequenos operadores têm veículos apreendidos por atrasos administrativos, enquanto esse caso se arrasta. Não basta devolver as linhas para a EPTI e achar que a situação está superada. Pernambuco tem o direito de receber todas as informações, e o governo tem o dever de prestar esclarecimentos e promover uma apuração rigorosa”, afirmou.
A deputada federal Maria Arraes (Solidariedade) também se manifestou nas redes sociais, classificando o encerramento das atividades como uma admissão das irregularidades apontadas nos documentos técnicos. A parlamentar questionou a responsabilidade do governo estadual e levantou dúvidas sobre eventuais débitos da empresa.
“Durante todo esse período, a empresa operou fora das regras, sem vistoria, com riscos graves sob o governo da própria filha. Agora fica o questionamento do povo de Pernambuco: quem vai pagar os débitos da empresa do pai da governadora?”, afirmou.
Maria Arraes também citou o volume de recursos públicos destinados ao setor de transporte e criticou as condições da frota apontadas nos relatórios, afirmando que os problemas colocariam em risco a segurança dos usuários do sistema intermunicipal.
Governadora afirma que EPTI garantirá continuidade do serviço
Ao anunciar o encerramento das atividades da Logo Caruaruense, Raquel Lyra afirmou que tomou conhecimento da decisão na manhã desta sexta-feira e que a EPTI será responsável por garantir que não haja prejuízos à população com a transição das linhas.
“A EPTI vai trabalhar para que a gente não tenha prejuízo à população, garantindo a continuidade do serviço e a segurança jurídica necessária para o funcionamento do sistema”, afirmou a governadora.
Em nota, a EPTI informou que foi oficialmente comunicada pela empresa sobre a decisão de encerrar a operação de todas as suas linhas e que irá analisar os procedimentos legais, normas e contratos do sistema para definir quais empresas assumirão os trajetos, garantindo a continuidade do serviço aos usuários.
A Logo Caruaruense afirmou, por meio de publicação em rede social, que o encerramento das atividades foi motivado por um grave desequilíbrio econômico-financeiro da operação e por dificuldades enfrentadas pelo setor, agravadas após a pandemia. A empresa declarou ainda que já comunicou formalmente a decisão à EPTI, que está procedendo com a entrega das linhas, e que todos os funcionários terão seus direitos trabalhistas assegurados, além do pagamento de tributos devidos.
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