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Veto de Lula à dosimetria abre nova frente de embate com o Congresso

A votação - e derrubada - de vetos presidenciais foi um dos principais termômetros dos embates entre o Planalto e o Congresso em 2025

Por Estadão Conteúdo Publicado em 08/01/2026 às 23:07

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O veto ao PL da Dosimetria deve ser o pivô do primeiro embate entre Congresso e Planalto em 2026. Enquanto o líder do PT, Lindbergh Farias (PT-RJ), diz acreditar que é possível garantir a manutenção do veto total, o Centrão e a oposição já iniciaram uma "grande movimentação" para articular sua derrubada. Ao Estadão/Broadcast, o relator do texto na Câmara, Paulinho da Força (Solidariedade-SP), disse que "já está trabalhando" para derrubar o veto de Lula, "logo na primeira semana" dos trabalhos legislativos. "(Vamos) Começar o ano com a derrubada do veto dele."

O parlamentar diz que tem conversado sobre o tema com Motta, que, segundo ele, tem falado com Alcolumbre. "Há uma grande movimentação para vetar. A não ida de Motta e Alcolumbre ao evento desta quinta-feira (do 8 de Janeiro, no Planalto) já mostra que a situação do governo não vai ser boa lá no Congresso", disse.

Lindbergh Farias afirmou estar convencido de que a base do governo na Casa "tem todas as condições" de manter o veto. Segundo ele, seria necessário que 34 votos fossem revertidos. "É uma tarefa muito possível", disse na quarta-feira. "Nós vamos fazer uma campanha na sociedade. Vamos trabalhar com o placar, os nomes dos parlamentares. Acho que a proximidade da eleição de 2026 nos ajuda nessa tarefa."

Ele avaliou como "previsível" a ausência de Motta e Alcolumbre no evento em memória dos atos golpistas de 8 de Janeiro, apontando que ambos "são candidatos à reeleição".

O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), foi na mesma linha. "O ano passado não foi diferente. É uma escolha que tem que ser respeitada, a dos presidentes das Casas. O importante é que a data de hoje (ontem) tem que ser sempre lembrada, para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça", disse.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), indicado pelo pai Jair como o nome para concorrer à Presidência neste ano, afirmou nas redes sociais que "Lula não quer paz". Em publicação no X (ex-Twitter), o parlamentar disse que o presidente seria um "produto vencido, movido a ódio e ideologia".

TERMÔMETRO

A votação - e derrubada - de vetos presidenciais foi um dos principais termômetros dos embates entre o Planalto e o Congresso em 2025. Alcolumbre assumiu a cadeira de presidente do Senado, em 2025, com 56 vetos pendentes de análise - lista que aumentou ao longo do ano.

O número será ainda maior este ano: o Legislativo entrou em 2026 com 67 vetos, incluindo o da dosimetria. Entre as pendências estão a derrubada de trechos do Marco Regulatório do Setor Elétrico, da lei para flexibilizar o Licenciamento Ambiental, da correção do Fundo Partidário e de mudanças da Lei da Ficha Limpa para reduzir retroativamente os prazos de inelegibilidade para políticos condenados - o que pode causar novos atritos entre o presidente e a classe política.

 
 

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