PL inicia articulação para 2026 em Pernambuco, mas ausências expõem divergências internas
Reunião discutiu estratégias eleitorais; Anderson Ferreira diz que partido fará novos encontros e Gilson Machado aponta estranhamento após ausência
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O Partido Liberal (PL) em Pernambuco iniciou, nesta semana, as articulações com foco nas eleições de 2026. A legenda realizou uma reunião na última segunda-feira (5), comandada pelo presidente estadual do partido, Anderson Ferreira, com deputados federais e estaduais, vereadores e pré-candidatos, com o objetivo de discutir o planejamento eleitoral e a montagem das chapas para o próximo pleito.
O encontro marcou o início de um ciclo de reuniões internas da sigla e ocorre em um momento de reorganização do campo da direita no estado, com a definição do apoio nacional à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República como eixo central da estratégia do partido.
Apesar do discurso de alinhamento, a reunião foi seguida de questionamentos internos. Em contato com a reportagem do JC, Gilson afirmou que não foi convidado para a reunião e disse ter estranhado a ausência de outros nomes do partido. Também em contato com o JC, Anderson Ferreira afirmou que o encontro foi apenas a primeira de uma série de reuniões e que novas rodadas ainda ocorrerão ao longo das próximas semanas.
“Esse foi o início de um ciclo de encontros. Tem deputados viajando, alguns fora do país, outros com compromissos familiares. Outros encontros ainda vão acontecer”, afirmou Anderson.
Gilson critica condução do PL em PE e reafirma foco na candidatura de Flávio Bolsonaro
O ex-ministro Gilson Machado afirmou que a ausência de lideranças relevantes na reunião causou desconforto dentro da legenda. Entre as ausências citadas por Gilson estão o vereador do Recife Gilson Machado Filho, seu filho; o também vereador Thiago Medina; o deputado federal Pastor Eurico; e os deputados estaduais Renato Antunes e Abimael Santos.
“Ficou muito estranho um evento do PL com a ausência de tantos nomes. Se essas pessoas foram convidadas e não foram, fica mais estranho ainda. Se não foram convidadas, também”, declarou.
O ex-ministro afirmou que não tem participado das decisões partidárias em Pernambuco e indicou que a condução do partido está concentrada na presidência estadual.
“Eu não estou participando de nada relacionado a Pernambuco no PL. As decisões de tudo do PL em Pernambuco têm sido 100% de Anderson Ferreira”, disse.
Apesar das críticas, Gilson evitou classificar o episódio como um rompimento formal, mas deixou claro o incômodo com o processo de articulação interna.
“Eu não sei qual foi o motivo do encontro. Eu sei que eu não fui convidado”, afirmou.
Ao comentar sua permanência no partido, Gilson afirmou que sua ligação com o PL está diretamente associada ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao senador Flávio Bolsonaro.
“Eu sou apenas filiado ao partido. Eu estou nele pela lealdade ao presidente Bolsonaro e a Flávio Bolsonaro. Enquanto eles estiverem no PL e acharem estratégico eu estar no PL, eu estarei no PL”, afirmou.
No campo nacional, Gilson reforçou que tem atuado em torno da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro e afirmou que o apoio ao senador é um ponto pacificado entre aliados do ex-presidente.
“Se vai apoiar Flávio Bolsonaro, isso é indiscutível. Não tem o que discutir", disse.
"Quem apoia Flávio Bolsonaro, independente de partido, é aliado de Gilson Machado”, enfatizou.
Anderson diz que reuniões seguirão e defende estratégia coletiva no PL
Procurado pela reportagem, o presidente estadual do PL, Anderson Ferreira, afirmou que a reunião realizada foi apenas o início de um processo mais amplo de organização do partido para as eleições de 2026. Segundo ele, o objetivo da legenda é estruturar um projeto que represente o campo da direita em Pernambuco de forma unificada e competitiva.
"A gente está organizando o partido com responsabilidade, ouvindo as lideranças e construindo um projeto que represente a direita em Pernambuco, alinhado com o que o PL defende nacionalmente”, afirmou.
Anderson explicou que a definição dos participantes levou em consideração o período de recesso parlamentar e compromissos pessoais de filiados, e reforçou que novas reuniões ocorrerão nas próximas semanas.
O dirigente disse que, neste primeiro momento, a prioridade foi reunir deputados e pré-candidatos que já se colocaram à disposição para disputar as eleições.
“A gente está reunindo primeiro a tropa que está apta e querendo disputar a eleição, tanto quem vai tentar renovar mandato quanto novos nomes”, explicou.
Anderson também comentou sobre as críticas de Gilson Machado à condução do partido. O presidente estadual do PL defendeu uma condução coletiva do partido, e que o foco da legenda está em um projeto político "mais amplo".
“A política não pode ser tratada como um projeto individual. O PL trabalha com um projeto coletivo, que representa valores e ideias. Nosso papel é organizar esse time para disputar a eleição com força e clareza de posicionamento”, disse.
“Eu não sei ainda a posição do Gilson sobre a questão partidária. Ele deu declarações dizendo que poderia sair do partido, então isso vai ser amadurecido com o tempo”, complementou.
Anderson também detalhou as metas do PL em Pernambuco para as eleições de 2026. Segundo ele, o partido trabalha para ampliar suas bancadas no Congresso Nacional e na Assembleia Legislativa.
“Hoje temos quatro deputados federais e a meta é chegar a cinco. Na Assembleia, tivemos cinco e estamos trabalhando para eleger oito deputados estaduais”, afirmou.
Apesar das divergências internas, tanto Gilson quanto Anderson destacaram que o apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República é um ponto de convergência dentro do partido. Para a direção estadual, a definição fortalece a estratégia nacional da legenda e tem impacto direto na montagem das chapas nos estados.