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Captura de Maduro divide classe política: entre a celebração da "liberdade" e denúncias de "imperialismo"

Repercussão da captura de Nicolás Maduro mobilizou políticos pernambucanos, com críticas à posição do governo Lula e defesa da soberania venezuelana

Por JC Publicado em 03/01/2026 às 20:53

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A operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, na madrugada deste sábado (3), provocou reações divergentes entre políticos com atuação em Pernambuco.

Enquanto representantes da direita celebraram o episódio como um processo de "libertação da Venezuela", parlamentares e partidos de esquerda condenaram a ação, classificando-a como violação da soberania nacional e terrorismo internacional.

Comemoração e críticas ao regime

Aliados da oposição ao governo federal reagiram de forma positiva à notícia. O deputado federal e ex-ministro Mendonça Filho afirmou que o fim do que chamou de "ditadura sanguinária" representa a esperança de um novo tempo, com a retomada da democracia e da justiça social pelo povo venezuelano.

Em tom mais incisivo, o vereador do Recife Eduardo Moura (Novo) descreveu a operação como um "bombardeio cirúrgico", necessário para retirar um "ditador que fraudou eleições e oprimia o povo". Segundo ele, a ação dos Estados Unidos não configurou invasão, mas libertação de um regime que classificou como ligado ao narcotráfico.

Na mesma linha, o líder do PL na Câmara de Vereadores, Thiago Medina, definiu a queda de Maduro como a "grande notícia de 2026" e classificou o governo venezuelano como um "narco-estado", associado a grupos terroristas como o Hezbollah.

Tanto Eduardo Moura quanto Thaigo Medina criticaram a postura de solidariedade do governo brasileiro em relação a Maduro.

O vereador Gilson Machado Filho (PL) também se manifestou nas redes sociais. Em publicação, afirmou que os Estados Unidos capturaram o que chamou de "ditador da Venezuela" e criticou setores que, segundo ele, tentariam relativizar os fatos. "As mesmas vozes que defendem todo tirano, desde que ele acene com uma bandeira vermelha", escreveu.

Para Gilson, a captura de Maduro não é uma disputa política, mas um ato de justiça para "milhões de venezuelanos que fugiram da fome, da violência e da repressão". Ele ainda completou: "É o primeiro sopro de liberdade em uma geração".

A deputada federal Clarissa Tércio criticou a nota divulgada pelo presidente Lula em defesa de Nicolás Maduro. Segundo ela, o governo brasileiro ignora "a opressão vivida pelo povo da Venezuela sob o regime do ditador", ao defender um aliado e "fechar os olhos para a fome, a perseguição e a falta de liberdade".

Para a parlamentar, trata-se de uma postura "típica da esquerda", que, segundo afirmou, "entra em pânico para defender ditadores".

Clarissa também destacou que o povo venezuelano, especialmente os milhões que foram forçados a deixar o país, comemora o momento e "agora enxerga a esperança voltar".

Condenação à intervenção americana

Parlamentares de esquerda reagiram com veemência contra a operação. O deputado estadual João Paulo (PT) afirmou que a ação não teve motivação democrática, mas econômica. "Não é sobre democracia ou narcotráfico, é sobre petróleo", disse, ao classificar o episódio como uma ameaça à paz mundial.

A ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, também presidente nacional do PCdoB, divulgou nota condenando o que chamou de "ataque criminoso" e o "sequestro" de Maduro. No texto, convocou governos soberanos e movimentos sociais a se mobilizarem contra o que classificou como "terrorismo internacional".

Críticas ao imperialismo e posições intermediárias

A ex-deputada federal Marília Arraes adotou uma posição crítica tanto ao regime venezuelano quanto à atuação dos Estados Unidos. Para ela, "Maduro não representa o povo venezuelano", mas isso não autoriza uma potência estrangeira a decidir o destino de um país soberano. "Isso tem outro nome: imperialismo", afirmou. Marília alertou ainda para o risco de que a narrativa de "libertação" seja utilizada futuramente contra outros países da América Latina, inclusive o Brasil.

A deputada Tábata Amaral também se manifestou, reconhecendo o caráter autoritário do governo Maduro e as violações de direitos humanos, mas destacando que tais crimes não justificam a invasão de um país por outro.

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